Ministério da Saúde e AMIB assinam acordo de cooperação técnica para ampliar a formação de especialistas

29/05/2026

O Ministério da Saúde e a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) assinaram na abertura do XIII Congresso Luso-Brasileiro de Medicina Intensiva (LUSO 2026), que ocorreu na última quinta-feira (28), em Fortaleza (CE), um acordo de cooperação focado no fortalecimento da Medicina Intensiva no Sistema Único de Saúde (SUS). O diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Urgência e Domiciliar (DAHUD/SAES/MS), Fernando Augusto Figueira, esteve no evento representando o MS e ratificou a parceria. 

A iniciativa prevê ações para ampliar a formação de especialistas, qualificar residências médicas, fortalecer as Unidades de Terapia Intensivas (UTIs) e produzir dados técnicos que auxiliem na formulação de políticas públicas para a assistência ao paciente crítico. A parceria tem vigência de cinco anos, sem transferência de recursos financeiros entre as partes e estabelece uma agenda de cooperação técnica para dimensionar a necessidade de médicos intensivistas no Brasil, especialmente em regiões com vazios assistenciais e formativos.

Para o presidente da AMIB, Cristiano Augusto Franke, o acordo representa uma oportunidade de colaboração ampla entre a sociedade científica e os gestores públicos. “Entendo este acordo como um marco, tanto por tornar mais evidente a credibilidade da nossa sociedade quanto por proporcionar oportunidades para uma grande colaboração com foco na qualificação da assistência ao paciente grave e na formação de profissionais intensivistas”, afirmou.

Ainda segundo ele, o objetivo é proporcionar cuidado de excelência para o paciente grave, onde ele estiver. “Esta solução tem maior probabilidade de chegar num melhor resultado com participação conjunta de todos os gestores e a sociedade científica”, avaliou.

Já o representante do MS, Fernando Augusto Figueira, destacou que o acordo nasce para enfrentar desafios históricos da Medicina Intensiva no país, como a distribuição desigual de especialistas e a insuficiência de vagas formativas, além de ressaltar a importância da aproximação do ministério das sociedades científicas. “É uma grande satisfação representar o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, neste importante momento de assinatura do Acordo de Cooperação entre o MS e AMIB. Gostaria, antes de tudo, de agradecer à diretoria da AMIB pela abertura ao diálogo, pela agilidade na construção deste instrumento e pela disposição em colaborar com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde”, disse.

“Este acordo simboliza algo que consideramos fundamental: a reconstrução e o fortalecimento das pontes entre o Ministério da Saúde e as sociedades científicas brasileiras. Nenhuma política pública de saúde alcança excelência quando construída de forma isolada. Precisamos da experiência de quem está na assistência, da capacidade técnica de quem produz conhecimento e da legitimidade de instituições que ajudam a desenvolver suas especialidades há décadas”, complementou o diretor do DAHU.

Em sua fala, Figueira relembrou o papel da medicina intensiva durante a pandemia de convid-19. “A pandemia nos ensinou o valor estratégico da medicina intensiva. Avançamos na ampliação da infraestrutura, mas sabemos que o maior patrimônio de uma UTI continua sendo a qualificação das pessoas que nela trabalham. Por isso, investir em formação, qualificação profissional e melhoria contínua da assistência é investir diretamente na segurança e na vida dos pacientes brasileiros”, concluiu.

AMIB integra mobilização que garantiu manutenção de exames na renovação da CNH

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) esteve entre as mais de 35 entidades médicas que assinaram um manifesto contra a proposta de renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem a realização de Exame de Aptidão Física e Mental (EAFM). A mobilização, liderada pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), das entidades ajudou a manter a exigência das avaliações no texto aprovado pelo Senado Federal sobre a medida provisória que trata do tema. A MP 1.327/2025 seguiu para sanção presidencial, que tem até o dia 5 de junho para validar a proposta.

O posicionamento conjunto foi articulado após críticas à proposta inicial, que previa a renovação automática para condutores com bom histórico no trânsito, sem a necessidade de realização do exame de aptidão física e mental. As entidades alertaram para os riscos à segurança viária e defenderam a importância dos exames periódicos para identificar condições físicas e mentais que poderiam comprometer a direção.

Após a repercussão e a pressão das sociedades médicas, o texto aprovado pelo Senado manteve a obrigatoriedade do exame de aptidão física e mental para a renovação da CNH. A medida foi considerada uma vitória pelas entidades da área da saúde e da medicina do tráfego, que apontam a avaliação médica como etapa essencial para a segurança no trânsito.

Para a AMIB, a manutenção do exame de aptidão física e mental se soma às inúmeras ações, como a campanha Maio Amarelo, que ajudam a preservar vidas e evitam traumas graves, ou seja, prevenção também faz parte do cuidado intensivo.

XIII Congresso Luso-Brasileiro de Medicina Intensiva acontece em Fortaleza

Fortaleza, capital do Ceará, recebe, entre os dias 28 e 30 de maio, o XIII Congresso Luso-Brasileiro de Medicina Intensiva (LUSO 2026). O evento, que reunirá especialistas de países da comunidade lusófona para discutir avanços científicos, assistência ao paciente crítico e os desafios da medicina intensiva, é promovido pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), pela Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos (SPCI) e pela regional AMIB-CE – SOCETI. Além de mais de 50 palestrantes renomados do Brasil e de Portugal, o congresso também será marcado pela assinatura de um Acordo de Cooperação entre o Ministério da Saúde (MS) e a AMIB.

O documento prevê colaboração entre as instituições para ações voltadas à formação de especialistas em medicina intensiva, especialmente em regiões de mais difícil acesso. Entre os objetivos do acordo estão a elaboração de subsídios técnicos para avaliação e credenciamento de programas de residência médica, a qualificação da oferta existente, a produção de dados nacionais sobre a especialidade e o apoio a políticas públicas relacionadas aos serviços de terapia intensiva. A assinatura está prevista para acontecer na abertura do evento.

Os presidentes Cristiano Augusto Franke (AMIB), Mozart Rolim (AMIB-CE) e Paulo Mergulhão (SPCI), destacam que o evento busca ampliar o intercâmbio de experiências entre profissionais de países de língua portuguesa e promover discussões sobre evidências científicas e práticas assistenciais em terapia intensiva.

“Ao reunir profissionais de diferentes países lusófonos, o congresso fortalece uma comunidade que compartilha idioma, valores e compromisso com a qualidade assistencial. Essa conexão amplia horizontes, estimula novas perspectivas e enriquece a prática clínica de todos os participantes”, diz mensagem conjunta dos presidentes.

A programação do XIII Congresso Luso-Brasileiroinclui conferências, mesas-redondas e debates sobre temas relacionados à terapia intensiva, atualização clínica, inovação tecnológica e qualificação dos serviços de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A expectativa dos organizadores é reunir centenas de profissionais da área durante os três dias de atividades.

A programação completa do XIII Congresso Luso-Brasileiro de Medicina Intensiva está disponível em site oficial do LUSO 2026.

AMIB entrega certificados do projeto UTIs Brasileiras no Distrito Federal

A Associação de Medicina Intensiva (AMIB) entregou na última semana, nos dias 28 e 29, em Brasília (DF), certificados do projeto UTIs Brasileiras, iniciativa que reconhece unidades de terapia intensiva com alto desempenho assistencial e uso eficiente de recursos. No Distrito Federal, 10 hospitais foram reconhecidos na categoria Top Performer e 3 como Eficiente. Já na categoria cardiológica, 2 hospitais foram contemplados com o Top Performer, e 1 Eficiente.

As cerimônias foram feitas em algumas unidades premiadas pelo presidente da AMIB, Cristiano Franke, pelo diretor e integrante do Conselho Consultivo, Marcelo Maia, e pelo presidente da AMIB-DF, Rodrigo Santos Biondi. Os eventos também contaram com a participação de representantes da Epimed Solutions, parceira na análise dos indicadores que embasam a certificação. As entregas de certificações seguem por todos os estados brasileiros.

Para o presidente da AMIB, o resultado é fruto de um trabalho coletivo e contínuo em cada uma das unidades premiadas. “Esse reconhecimento mostra que as unidades estão no caminho certo, com equipes comprometidas, uso de protocolos baseados em evidências e foco permanente na qualidade do cuidado”, destacou.

CERTIFICAÇÕES NO DF – No Distrito Federal foram reconhecidas, na categoria Top Geral, as seguintes instituições: Hospital Águas Claras, Hospital Alvorada Brasília, Hospital Anchieta Ceilândia, Hospital Anchieta Taguatinga, Hospital Brasília (HOBRA), Hospital DF Star, Hospital HOME DF, Hospital Santa Lúcia Norte, Hospital Santa Lúcia Sul, Hospital Santa Luzia e Hospital Sírio-Libanês Brasília IV.

Na categoria Eficiência, receberam certificação o Hospital da Região Leste (público), o Hospital Daher Lago Sul e o Hospital Santa Lúcia Gama.

Já no recorte Top Cardiológica, foram premiados o Hospital do Coração do Brasil e o Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal. Na categoria UTI Cardiológica Eficiente, o destaque foi para o Hospital Santa Lúcia Gama.

UIT’S BRASILEIRAS – O projeto UTIs Brasileiras utiliza uma base robusta de dados clínicos e operacionais para avaliar o desempenho das unidades participantes, estimulando a melhoria contínua da qualidade assistencial e reforçando boas práticas na terapia intensiva em todo o país.

A premiação é dividida em categorias que refletem diferentes dimensões da qualidade em terapia intensiva. A categoria Top Performer (Top Geral) reconhece UTIs com excelência global em indicadores clínicos e de segurança do paciente. Já a categoria Eficiência destaca unidades que aliam bons desfechos a uma gestão adequada de recursos, como tempo de permanência e utilização de leitos. Há ainda recortes específicos, como o Top Cardiológica e a UTI Cardiológica Eficiente, voltados a unidades especializadas no cuidado cardiovascular.

AMIB recebe prêmio Embaixadores de Curitiba pela realização do CBMI 2025

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) foi destaque na última quarta-feira (29) ao receber o Prêmio Embaixadores de Curitiba 2026, reconhecimento é concedido a eventos que geram impacto, relevância estratégica e contribuição para o desenvolvimento da capital paranaense. A premiação foi concedida ao XXX Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva (CBMI 2025), realizado em novembro pela entidade.

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O CBMI venceu a categoria “Evento Técnico-Científico de 3.001 a 5.000 participantes”. A AMIB foi representada na cerimônia pela médica intensivista Mirella Cristine Oliveira, presidente do congresso, que destacou o caráter coletivo da conquista. “Este reconhecimento reflete o compromisso coletivo com a excelência científica e o fortalecimento da medicina intensiva no Brasil”, afirmou.

PREMIAÇÃO – O prêmio integra a programação do 11º Prêmio Embaixadores de Curitiba e do 2º Prêmio Capivara, iniciativas promovidas pelo Curitiba Convention & Visitors Bureau, que reconhecem eventos e empresas com atuação relevante no turismo de negócios e eventos.

As premiações têm como objetivo valorizar iniciativas que movimentam a economia local, estimulam a inovação e seguem boas práticas de sustentabilidade e governança (ESG). Além disso, destacam o papel estratégico dos chamados “conventions”, entidades responsáveis por fomentar o turismo de negócios ao conectar organizadores de eventos com o setor produtivo das cidades.



Pesquisa revela: pacientes do SUS demoram cinco vezes mais para ter acesso a uma UTI do que quem usa planos de saúde

O Brasil ampliou em 67% o número de leitos de UTI na última década e hoje está entre os países com maior oferta desse tipo de atendimento no mundo. Apesar do avanço, o acesso ao cuidado intensivo ainda é desigual. É o que mostra levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Pelos dados, quem tem plano de saúde pode ter até cinco vezes mais chances de conseguir um leito do que quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa diferença pode ainda ser maior, dependendo do Estado ou da região geográfica.

Entre 2016 e 2025, o país passou de cerca de 28 mil para mais de 47 mil leitos de terapia intensiva para adultos nas redes pública e privada. O índice nacional chegou a 22,3 leitos por 100 mil habitantes, acima da média global, estimada em 8,7, e dentro da faixa considerada adequada por organismos internacionais. O crescimento foi impulsionado sobretudo durante a pandemia de covid-19 e, em grande parte, se manteve nos anos seguintes, consolidando uma expansão estrutural da capacidade hospitalar. No entanto, o aumento de tamanho da rede não significa que os problemas acabaram.

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O presidente da AMIB, Cristiano Franke, afirma que, no SUS, é urgente melhorar a organização do cuidado e a gestão dos leitos para ampliar o acesso à terapia intensiva. Para ele, em muitos casos, é possível obter ganhos sem a necessidade imediata de expansão do número de leitos. Franke afirma que o caminho para a equidade passa pela combinação de investimentos e, principalmente, aprimoramento da gestão e organização dos recursos existentes.

Apesar da expansão em nível nacional, os dados consolidados pela AMIB indicam ainda que em determinadas regiões permanece a necessidade de ampliação da disponibilidade de leitos, sobretudo na rede pública. Para a Associação, considerada referência no tema, o fato de o país apresentar uma taxa relativamente elevada não significa que se instalou um cenário de acesso equitativo. Ao contrário, as desigualdades observadas impactam diretamente a chance de sobrevivência dos pacientes dentro do sistema de saúde.

A média global de disponibilidade de leitos de UTI, considerando 87 países com dados disponíveis, é de 8,7 por 100 mil habitantes. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a faixa entre 10 e 30 leitos por 100 mil como referência a ser perseguida pelas nações. No Brasil, se em termos gerais, houve uma evolução importante na cobertura, esse movimento alcançou um estágio de maior conforto no segmento privado e suplementar da assistência.

Os números descrevem uma evolução semelhante entre os leitos do SUS (13.869, em 2016, para 23.218, em 2025) e do setor privado (14.572, em 2016, para 24.426, em 2025), porém a rede formada por serviços particulares e operadoras de planos de saúde atingiu um patamar de taxas próximas de 69 leitos por 100 mil habitantes ao longo da década, o que a coloca em pé de igualdade com cenários de países desenvolvidos. Já no SUS, o índice passou de 7,5 por 100 mil, em 2016, para 13 por 100 mil, em 2025, praticamente dobrando.

Com esse cenário, velhos problemas permanecem, como um acesso ao cuidado intensivo no Brasil marcado por desigualdades relevantes entre regiões e, sobretudo, entre quem tem ou não plano de saúde. Em 2025, a população brasileira foi estimada em 213,4 milhões de habitantes. Desse total, 35,5 milhões eram atendidos por planos de saúde e 177,9 milhões exclusivamente pelo SUS. Na prática, isso significa que 16,6% da população concentra 24.426 leitos de UTI adulto, enquanto 83,4% compartilham 23.218 leitos, pouco menos da metade dos 47.644 disponíveis no país.

A desigualdade se acentua quando se observa a oferta proporcional. Entre beneficiários de planos de saúde, são 69 leitos por 100 mil habitantes. Já entre usuários do SUS, a taxa é de 13 por 100 mil. Em termos concretos, quem possui plano tem cerca de cinco vezes mais chance de acessar um leito de UTI do que quem depende exclusivamente da rede pública.

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Sob outra perspectiva, ao combinar a dependência exclusiva do SUS com o local de residência, o contraste no acesso à UTI se intensifica. Um morador do Espírito Santo que dependa do sistema público (22,8 leitos SUS por 100 mil habitantes) tem cerca de seis vezes mais chance de acessar um leito de terapia intensiva do que alguém no Amapá (3,6 por 100 mil).

Em números absolutos, o Sudeste concentra 10.616 leitos de UTI pelo SUS, seguido do Nordeste (5.361), Sul (3.908), Centro-Oeste (1.886) e Norte (1.447). Quando se observa a oferta proporcional, o Sudeste também lidera, com 15 leitos por 100 mil habitantes, seguido do Sul (14), Centro-Oeste (13), Nordeste (11) e Norte (8), este último abaixo do patamar mínimo recomendado internacionalmente, de 10 leitos por 100 mil habitantes.

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* média de leitos UTI Adulto SUS + Não SUS

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Segundo o presidente do Conselho Consultivo da AMIB, Ederlon Rezende, o crescimento do número de leitos de UTI ao longo dos anos representa um avanço importante, especialmente pela capacidade de resposta construída durante a pandemia e que acabou sendo incorporada de forma estrutural ao sistema de saúde.

“O principal desafio está na distribuição e na capacidade de resposta do sistema. A forma como os leitos estão organizados e integrados à rede de atenção ainda limita o acesso em diversas regiões do país, sobretudo para a população que depende exclusivamente do SUS”, comentou,

Rezende destaca ainda ser necessário avançar na construção de redes regionais mais articuladas, com maior capacidade de coordenação entre os serviços, de modo a reduzir vazios assistenciais e desigualdades territoriais. Segundo ele, o momento exige menos foco isolado na expansão e mais atenção à forma como os recursos existentes são distribuídos e utilizados.

Distribuição de leitos SUS e Não SUS por Unidade da Federação

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* IBGE/ANS/CNES: dezembro de 2025

AMIB e ESICM avançam na elaboração de documento inédito sobre doença hepática

Publicação: 04/05/2026

Médicos intensivistas da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e a European Society of Intensive Care Medicine (ESICM) deram um importante passo na construção de um documento inédito voltado ao manejo de pacientes com doença hepática em estágio avançado. A iniciativa reúne especialistas do Brasil e da Europa, que buscam consolidar diretrizes que auxiliem na tomada de decisão em cenários críticos.

“Grande parte das recomendações disponíveis encontra-se fragmentada por especialidades. Nossa proposta foi reunir esse conhecimento em um documento único, construído por intensivistas e especialistas convidados, com foco no cuidado real do paciente crítico à beira do leito”, explica Ederlon Rezende, presidente do Conselho Consultivo da AMIB.

A consolidação da proposta ocorreu durante o EuroBrazil 2026. Em sessão conjunta, especialistas da AMIB e ESICM, de diferentes áreas da terapia intensiva, como neurologia, cardiovascular, respiratória, infecciosa, renal e transplante, submeteram suas análises sobre o tema à discussão coletiva. “O intensivista está habituado a manejar, ao mesmo tempo, choque circulatório, insuficiência renal aguda, encefalopatia, infecções graves e suporte ventilatório. Por isso, faz sentido que a coordenação dessas recomendações parta de uma visão multidisciplinar e centrada na complexidade clínica”, observa Rezende.

Para Viviane Veiga, diretora Científica da AMIB, a construção conjunta do documento representa um avanço relevante para a especialidade. Segundo ela, a iniciativa também fortalece a cooperação internacional e amplia a consistência técnica das recomendações. “Trata-se de um esforço colaborativo que reúne especialistas de diferentes realidades, o que enriquece o conteúdo e amplia sua aplicabilidade”, destaca.

“Mais do que discutir fígado isoladamente, discutimos o paciente com falência hepática e múltiplas disfunções orgânicas. Esse é um cenário clássico da UTI e demanda recomendações práticas, integradas e aplicáveis. Essa iniciativa representa um passo importante para organizar o cuidado de uma população altamente complexa, em que decisões rápidas e coordenadas podem modificar prognóstico”, complementa o presidente do Conselho Consultivo.

A partir das contribuições apresentadas pelos especialistas, tanto da AMIB quanto da ESICM, sugestões foram incorporadas, dando início à fase final de redação do documento. A expectativa, segundo Viviane Veiga, é de que o material, assim que concluído, seja submetido para publicação em periódicos de referência, como a revista da ESICM, Intensive Care Medicine Experimental (ICMx), e a Critical Care Science (CCS), vinculada à AMIB e à SPCIC.

Atividade física e mobilização precoce ajudam a conter a sarcopenia em pacientes críticos, alertam intensivistas

Prevenir a perda de músculos deve fazer parte de uma rotina saudável, mas quando a internação ocorre, a correta realização de protocolo pode ajudar pacientes críticos a ter mais qualidade de vida ou ajudar a melhorar a qualidade de vida de pacientes críticos

Publicação: 30/04/2026

Muito mais do que um dia, uma semana ou um mês, a prevenção da sarcopenia, que é a perda progressiva dos músculos, ganha espaço entre as ações promovidas pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Tradicionalmente iniciada em julho, em referência ao Dia Mundial de Conscientização sobre a condição, celebrado no dia 4, a campanha se estende ao longo de todo o ano, com o objetivo de reforçar a importância do cuidado contínuo, longe de qualquer modismo.

A AMIB, desde 2024, realiza campanhas de conscientização voltadas tanto ao grande público, para conscientizar sobre o tema e estimular suas formas de prevenção, como para a comunidade médica. A ampliação do debate coloca luz sobre um problema silencioso e frequente, especialmente entre pacientes críticos. A perda de massa e força muscular pode atingir até 70% dos internados em unidades de terapia intensiva (UTI) já no momento da admissão, o que evidencia a necessidade de estratégias de prevenção e cuidado contínuo.

Segundo explica a médica intensivista e presidente do Comitê de Comunicação da AMIB, Cristiane Monte, em poucos dias de internação, a perda muscular pode se agravar de forma acelerada. Em entrevista ao portal da AMIB, ela explica como manter uma rotina com mais músculos e também como a mobilização precoce, mesmo durante a internação, pode contribuir para preservar a massa muscular, melhorar desfechos clínicos e garantir melhor qualidade de vida aos pacientes. Confira!

AMIB – Para começar, a sarcopenia, de forma geral, é a perda de músculos. Mas quando de fato a perda de massa muscular deve ser uma preocupação?
Cristiane Monte – A perda de massa muscular deve ser motivo de atenção quando começa a afetar a força, a mobilidade e a autonomia da pessoa. Em outras palavras, não é apenas o “tamanho” do músculo que importa, mas o impacto que essa perda traz para a vida diária. Dificuldade para levantar-se da cadeira, subir escadas, caminhar com segurança ou realizar tarefas simples já pode indicar que a perda muscular deixou de ser apenas um achado fisiológico do envelhecimento e passou a ter relevância clínica.

AMIB – Tem um percentual mínimo?
Cristiane Monte – Não existe um percentual mínimo universal que defina, sozinho, quando a perda muscular é preocupante. Isso porque a sarcopenia não é avaliada apenas pela quantidade de músculo, mas também pela força e pelo desempenho físico. Assim, pequenas perdas podem ser muito importantes em pessoas idosas, frágeis ou com doença crônica, enquanto a mesma redução pode ter menos impacto em um adulto jovem saudável. O que mais importa é o contexto clínico e funcional.

AMIB – E por que a massa muscular é tão importante?

Cristiane Monte – A massa muscular é importante porque o músculo não serve apenas para movimento. Ele também participa do metabolismo, ajuda no controle da glicose, funciona como reserva de proteína e contribui para a resposta do organismo em situações de estresse, como infecções, cirurgias e internações. Quando essa reserva é baixa, o corpo tem mais dificuldade para se recuperar e para manter a funcionalidade.

AMIB – Homens têm mais massa muscular, porém estão imunes à sarcopenia? É mais comum em mulheres? Tem um percentual?
Cristiane Monte – Homens não estão imunes à sarcopenia. Embora, em média, tenham mais massa muscular do que as mulheres, eles também podem desenvolver a condição com o envelhecimento, o sedentarismo, a desnutrição e as doenças crônicas. A sarcopenia pode ocorrer em ambos os sexos. O que muda é que as mulheres costumam ter menor massa muscular basal e podem apresentar maior vulnerabilidade em determinadas fases da vida, especialmente após a menopausa. Não há um percentual único que defina a prevalência em todos os contextos, porque isso varia conforme idade, população estudada e método de avaliação.

AMIB – Quando devemos começar a nos preocupar com a sarcopenia? Tem uma idade em que acende a luz amarela?
Cristiane Monte – A preocupação deve começar antes mesmo da velhice avançada. A sarcopenia é um processo progressivo e tende a se acelerar a partir da meia-idade, com maior atenção após os 50 ou 60 anos. A “luz amarela” acende quando surgem sinais como perda de força, redução da velocidade da marcha, maior dificuldade para atividades rotineiras, quedas frequentes ou perda de peso sem explicação. Quanto mais cedo esses sinais forem reconhecidos, melhor a chance de prevenção e intervenção.

AMIB – Como prevenir a sarcopenia?
Cristiane Monte A prevenção da sarcopenia envolve principalmente atividade física regular e alimentação adequada. O exercício mais importante é o treino de força ou resistência, porque ele estimula diretamente a manutenção e o ganho de massa muscular. Caminhadas, bicicleta e outras atividades aeróbicas também ajudam, mas não substituem o fortalecimento muscular. Na alimentação, é essencial garantir ingestão adequada de proteínas ao longo do dia, além de energia suficiente. Em idosos ou pessoas com doenças crônicas, essa orientação precisa ser individualizada.

AMIB – Na velhice, quando é comum ter problemas de deglutição e até de dentição, tem estratégias para driblar essa situação?
Cristiane Monte – Sim. Quando há dificuldade para mastigar ou engolir, é possível adaptar a alimentação para preservar o estado nutricional e evitar perda muscular. Entre as estratégias estão usar preparações mais macias ou pastosas, fracionar as refeições, enriquecer os alimentos com proteína e calorias e, quando necessário, ajustar a consistência dos líquidos. Também é importante envolver equipe de nutrição, odontologia e fonoaudiologia, porque muitas vezes o problema não é apenas alimentar-se menos, mas não conseguir se alimentar de forma segura e suficiente.

AMIB – Qual a importância dos músculos na UTI? Como eles ajudam na recuperação?
Cristiane Monte – Na UTI, músculos mais preservados ajudam porque oferecem melhor reserva funcional para suportar o estresse da doença, da imobilidade e da inflamação. Isso facilita a reabilitação, reduz a fraqueza adquirida na UTI e aumenta a chance de recuperação funcional após a alta. Há estudos que associam melhor preservação muscular e mobilização precoce a melhores desfechos, incluindo menor tempo de ventilação mecânica e, em alguns casos, menor tempo de internação. Porém, não existe um percentual único de dias a menos que sirva para todos os pacientes, porque os resultados dependem da gravidade, da doença de base e das características de cada pessoa.

AMIB – Cada dia internado em uma UTI perde-se quantos por cento de massa muscular?
Cristiane Monte – Não existe um percentual fixo e universal de perda muscular por dia na UTI. A velocidade dessa perda varia muito conforme o quadro clínico, a presença de sepse, a sedação, o grau de imobilidade, a nutrição e as comorbidades. A perda pode ser rápida e clinicamente relevante já nos primeiros dias de internação, motivo pelo qual a prevenção precisa começar cedo.

AMIB – Como a sarcopenia está interligada com a mobilização precoce?
Cristiane Monte – A sarcopenia e a mobilização precoce estão diretamente relacionadas porque a imobilidade acelera a perda muscular. Quanto mais tempo o paciente permanece parado, maior a chance de atrofia, fraqueza e piora funcional. A mobilização precoce atua justamente para interromper esse ciclo, estimulando músculos, circulação, respiração e independência funcional desde o início da internação, sempre que clinicamente seguro.

AMIB – A mobilização precoce contribui para evitar o agravamento do paciente grave na UTI?
Cristiane Monte – A mobilização precoce contribui porque reduz os efeitos nocivos do repouso prolongado. Em vez de o paciente ficar completamente imobilizado, ele recebe estímulos motores graduais que ajudam a preservar força, coordenação, resistência e capacidade funcional. Isso diminui a fraqueza adquirida na UTI, favorece a recuperação e pode encurtar o processo de reabilitação. Em termos práticos, ela ajuda a evitar que o paciente saia da UTI ainda mais debilitado do que a doença por si só já o deixou.

AMIB – Por que a mobilização precoce é importante?
Cristiane Monte – Ela é importante porque transforma a internação em uma oportunidade de preservação funcional, e não apenas em um período de espera pela melhora clínica. O objetivo não é só sobreviver à doença aguda, mas sobreviver com menos perda de autonomia e maior chance de retorno às atividades. A mobilização precoce ajuda a reduzir complicações relacionadas à imobilidade, melhora a recuperação muscular e favorece um desfecho mais funcional.

AMIB – Em que a mobilização precoce consiste e como pode ser aplicada como técnica assistencial? E quem pode aplicá-la?
Cristiane Monte – A mobilização precoce consiste em iniciar movimentos e mudanças posturais o quanto antes, conforme a condição clínica do paciente. Isso pode incluir exercícios passivos, ativos ou assistidos, sedestação, ortostatismo, marcha assistida e progressão gradual conforme a tolerância. Como técnica assistencial, ela deve ser aplicada por equipe multiprofissional capacitada, com participação de fisioterapia, enfermagem e medicina, entre outros profissionais conforme a necessidade. O mais importante é que a intervenção seja planejada e segura.

AMIB – É aplicável a todo paciente?
Cristiane Monte – Não. A mobilização precoce não é indicada de forma indiscriminada para todos os pacientes. Ela precisa ser avaliada caso a caso, levando em conta estabilidade hemodinâmica, respiratória, neurológica e o risco de eventos adversos. Em algumas situações, a mobilização pode ser adiada ou adaptada. O princípio é mobilizar cedo, mas sempre com segurança.

AMIB – Ao aplicar a mobilização precoce, aumenta a chance de preservar a funcionalidade global do corpo, aumentando também a possibilidade de voltar para casa andando ou com suporte?
Cristiane Monte – Sim. A mobilização precoce aumenta a chance de preservar a funcionalidade global porque ajuda o paciente a perder menos força, menos equilíbrio e menos capacidade de locomoção durante a internação. Com isso, cresce a probabilidade de ele sair da UTI mais independente, seja andando sozinho, seja com algum suporte. Em outras palavras, ela não atua apenas na sobrevida, mas na qualidade da recuperação.

Livro sobre saúde mental de intensivistas é lançado durante seminário na UEFS

O lançamento do livro “Saúde Mental dos Trabalhadores Intensivistas” marcou o seminário “Saúde Mental dos Trabalhadores de Saúde: Perspectivas Pós-Pandemia da Covid-19”, realizado no último dia 16 de abril, no auditório do Módulo 7 da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia. A obra reúne uma década de produção científica sobre o sofrimento psíquico e a síndrome de burnout entre profissionais da terapia intensiva, consolidando evidências e reflexões sobre um dos temas mais urgentes no cenário pós-pandêmico.

De autoria da enfermeira intensivista e professora doutora, Joselice Almeida Góis e do médico epidemiologista e professor doutor, Carlito Lopes Nascimento Sobrinho, o livro nasce de um amplo projeto de pesquisa desenvolvido no âmbito da Sala de Situação e Análise Epidemiológica e Estatística da UEFS. Ao longo dos anos, o estudo resultou em dissertações, teses e artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, com foco na identificação da ocorrência e dos fatores associados ao sofrimento mental entre trabalhadores de unidades de terapia intensiva.

A publicação sistematiza o conhecimento acumulado ao longo do período de estudos e busca contribuir com profissionais de saúde e gestores, que atuam no contexto da terapia intensiva. A proposta é oferecer subsídios para ações que promovam melhorias nas condições de trabalho, com impactos na qualidade da assistência e na segurança do paciente.

O lançamento do livro, além dos autores, reuniu especialistas da área, como o médico intensivista José Mário Meira Teles, membro do conselho consultivo da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB); o professor Dalton de Souza Barros, da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública; o presidente da Sociedade de Terapia Intensiva da Bahia (SOTIBA), João Gabriel Rosa Ramos, e o médico Lúcio Couto de Oliveira Jr.

AMIB promove curso de imersão para qualificar elaboração de diretrizes clínicas

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) realizou, recentemente, o curso “Como Elaborar Diretrizes”. A iniciativa, conduzida pelo metodologista Wanderley Bernardi, teve por finalidade capacitar profissionais envolvidos na elaboração de recomendações clínicas na entidade. Ao longo de dois dias, os participantes discutiram aspectos metodológicos para a construção de diretrizes sólidas.

De acordo com a coordenadora do evento e integrante do Conselho Consultivo da AMIB, Suzana Lobo, o curso integra uma etapa preparatória estratégica. “Realizamos um treinamento envolvendo diversos comitês científicos, alinhando conceitos e metodologias para consolidar uma diretriz em fase final e dar início a outras duas frentes prioritárias. É importante frisar ainda que tivemos uma excelente adesão e avançamos na discussão de pontos fundamentais e aspectos metodológicos relevantes para a construção de diretrizes de alta qualidade”, afirmou.

Para a vice-presidente da AMIB e presidente da Medicina Intensiva Pediátrica, Kathia Harada, a iniciativa exterioriza o compromisso com o rigor técnico e científico. “O Curso de imersão em diretrizes da AMIB transforma ciência em ação. Dominar essa metodologia permite entregar orientações precisas, encurtando prazos sem abrir mão do rigor técnico e científico”, avaliou.

“Essa imersão ganha ainda mais relevância com a participação da Terapia Intensiva Pediátrica e Neonatal. Integrar esse olhar garante que as diretrizes não sejam meras adaptações, mas protocolos que respeitam a fisiologia única de quem é o nosso futuro”, acrescentou.

Para finalizar, a presidente da Medicina Intensiva Pediátrica elogia a iniciativa e destaca seus impactos para a prática médica. “Parabéns à AMIB por essa iniciativa, que pode ser considerado um ganho para o profissional, um salto para a especialidade e a garantia de um cuidado seguro para pacientes de todas as idades”.

Também participaram da imersão especialistas envolvidos na elaboração da diretriz de choque, bem como os elaboradores da futura diretriz de procalcitonina e membros da pediatria que irão compor o board da diretriz de Ventilação Mecânica em Pediatria.