O Congresso Brasileiro de Medicina Geral (CBMG) foi uma plataforma que permitiu à Associação Brasileira de Medicina Intensiva (AMIB) levar informação, compartilhar conhecimento e apresentar seu potencial como especialidade médica a estudantes de medicina, médicos generalistas e residentes. Em sua 4ª edição, o encontro promovido pela Associação Médica Brasileira (AMB) proporcionou durante a sua programação uma breve imersão nos desafios e fundamentos do cuidado ao paciente crítico.

Realizado entre 11 e 13 de junho, no Anhembi, em São Paulo (SP), o CBMG reuniu as 54 especialidades médicas em torno de uma programação que possibilitou a atualização científica dos participantes por meio de aulas, painéis, discussões de casos e atividades conduzidas por especialistas renomados, garantindo conteúdo de alto nível e diretamente aplicável ao exercício profissional. Ano após ano, o objetivo se mantém: contribuir para o raciocínio diagnóstico, qualificar a tomada de decisões e orientar condutas mais seguras e fundamentadas para quem vive a medicina na prática.

A participação da AMIB no CBMG ocorreu em dois momentos. O primeiro bloco foi dedicado aos desafios diários do pós-operatório de cirurgias de grande porte e teve a coordenação da médica intensivista Flávia Ribeiro Machado, presidente futura da AMIB, e do cirurgião Aristotenis Cardoso Cruz. A rodada de palestras foi aberta pelo presidente do Conselho Consultivo, da AMIB, Ederlon Rezende, que abordou o tema “Hemodinâmica”.

Na sequência, a médica intensivista Carmen Barbas conduziu a discussão sobre “Ventilação Mecânica”. Encerrando o bloco, o também intensivista João Manuel da Silva Júnior apresentou a palestra “Analgesia e sedação”.

O segundo momento foi voltado a temas essenciais e atuais da medicina intensiva. O médico intensivista Ricardo Goulart Rodrigues falou sobre insuficiência respiratória, enquanto o também especialista Bruno Arruda Bravim abordou o tema “Choque”. O encerramento coube a Flávia Machado, que apresentou uma palestra sobre sepse.

Para a presidente futura da AMIB, Flávia Machado, que também é coordenadora-geral do Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS), a presença da medicina intensiva no Congresso da AMB é essencial para a formação médica.

“O Congresso é focado na medicina geral, naquele médico generalista que precisa, mais do que tudo, saber reconhecer os sinais de uma doença grave e também dar o atendimento inicial a esse paciente que, posteriormente, vai ser o nosso paciente da medicina intensiva. Então, as noções de medicina intensiva são fundamentais para a constituição do médico generalista, como, aliás, está nas diretrizes curriculares do curso médico. A nossa presença marca esse propósito de inserção da especialidade na formação do médico”, comentou.

4° CBMG – Os organizadores explicam que este é um modelo de Congresso inédito no mundo, na perspectiva de oferecer acesso à informação de qualidade a inúmeros profissionais que carecem de uma rede de apoio para seu processo de educação continuada. Atenta a esta lacuna a AMB, montou uma grade científica que ofereceu aos participantes contato com exposições sobre tema de relevância para o cotidiano do atendimento.

Entre as abordagens oferecidas, estavam urgências reumatológicas no pronto atendimento e no ambulatório; diretrizes 2025: tratamento da obesidade; neurologia na emergência; câncer colorretal: estratégias atuais de rastreamento, diagnóstico e seguimento; gerenciamento do sangue no paciente; cirurgia geral – emergências cirúrgicas; particularidades do seguimento do recém-nascido pré-termo tardio; e uso prático de ferramentas de ia na medicina.

O grande leque dos temas abordados, bem como a qualidade dos expositores, resultou num grande número de pessoas. Entre congressistas e palestrantes, o CBMG reuniu aproximadamente 4.200 participantes, sendo 400 deles conferencistas que se revezaram nos diferentes espaços para garantir que o conhecimento chegasse até os interessados. Diante do sucesso, a fórmula deve se repetir.

“O que vimos aqui foi muito mais do que um congresso científico. Foi uma verdadeira celebração da Medicina em seu sentido mais elevado. Um encontro que fortaleceu a integração entre médicos generalistas e especialistas e reafirmou o compromisso da profissão com a excelência da assistência prestada à população”, afirmou o presidente da AMB, César Fernandes. Ele destacou ainda que o Congresso “se tornou um patrimônio da medicina brasileira”.

A próxima edição do Congresso Brasileiro de Medicina Geral já tem data definida e foi apresentada no fim da solenidade. O evento será realizado entre os dias 8 e 10 de julho de 2027, novamente no Distrito Anhembi, em São Paulo.