AMIB presente no IV CIETI: valorizando a Enfermagem Intensiva

O Departamento de Enfermagem da AMIB esteve no IV Congresso Internacional de Enfermagem e Terapia Intensiva (IV CIETI), realizado pela ABENTI em São Paulo. Além de participar como palestrantes, levando conhecimento e experiência para o público presente, o Departamento prestigiou o evento de perto, reforçando o compromisso da AMIB com a valorização da Enfermagem em Terapia Intensiva.
Um orgulho especial: o Dr Júlio Eduvirgem, membro do Departamento de Enfermagem da AMIB, esteve à frente do congresso como Presidente do IV CIETI 2026!

Como parte dessa parceria, o Departamento de Enfermagem da AMIB garantiu condições especiais:
– Desconto exclusivo na inscrição para sócios AMIB
– Gratuidade no evento para os presidentes das regionais AMIB


Esse encontro também não seria possível sem o apoio institucional de importantes parceiros: AMIB, AMIB CE, AMIB DF, SOPATI e SOTIRGS. Seguimos juntos, por uma Terapia Intensiva cada vez mais forte, humana e sem fronteiras.


Na imagem, da esquerda para direita os membros do departamento AMIB: Dra Edna Lopes (Acre), Dr Clayton Mello (MG), Dra Renata Pietro (SP), Dr Júlio Eduvirgem (PR) e Jennifer Leocardio – Membro Inova (SC)

AMIB capacita mais de 2 mil profissionais para atuar em doação e transplantes de órgãos

Meta prevista para novembro foi superada quatro meses antes do encerramento do projeto realizado em parceria com a OPAS

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB já capacitou 2.107 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos entre 2025 e julho de 2026. A marca foi alcançada quatro meses antes do encerramento do projeto, previsto para novembro, e supera a meta inicial de 2 mil profissionais.

A capacitação é realizada em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), no âmbito do Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos para Transplantes (PRODOT), do Ministério da Saúde. Desde o início do acordo de cooperação, em setembro de 2025, foram realizados 69 cursos, distribuídos em 23 módulos, com atividades em 23 estados brasileiros.

Entre os profissionais capacitados estão 785 médicos, que participaram de cursos voltados à determinação de morte encefálica, além de 989 enfermeiros, 37 técnicos de enfermagem, 14 farmacêuticos, 110 assistentes sociais e 118 psicólogos, entre outros profissionais.

Na avaliação da AMIB, a qualificação das equipes que atuam nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) contribui para a segurança e a qualidade das diferentes etapas do processo de doação e transplantes de órgãos. O presidente da Associação, Cristiano Franke, destaca o papel desses profissionais na identificação de potenciais doadores, na aplicação do protocolo de morte encefálica, na manutenção clínica do potencial doador e na comunicação com os familiares.

“Atingir mais de 2 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família. Quando as equipes estão preparadas, todo o processo se torna mais seguro, padronizado e confiável, ampliando as condições para que a doação aconteça e um órgão possa chegar a quem espera por um transplante”, avalia Cristiano Franke.

AVANÇO – Para a coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Patrícia Freire, a marca representa um avanço para a política de doação de órgãos no país. “Profissionais qualificados estão mais preparados para identificar potenciais doadores, conduzir adequadamente o diagnóstico de morte encefálica, manter a estabilidade clínica do potencial doador e acolher as famílias com segurança, sensibilidade e respeito, resultando em mais órgãos doados e, consequentemente, na redução das listas de espera”, afirma.

Patrícia Freire também destaca a participação da AMIB no processo. “A reconhecida expertise da Associação, sua capilaridade e a seriedade de sua atuação conferem elevada qualidade técnica às capacitações e contribuem para que o conhecimento alcance profissionais de diferentes regiões do país. Essa parceria fortalece a integração entre a política pública e a prática assistencial, aproximando as diretrizes do Sistema Nacional de Transplantes da realidade cotidiana das unidades de terapia intensiva”, afirma.

MUDANÇAS PRÁTICAS – A médica Ivna Deise da Silva Amanajás, responsável técnica pela UTI do Hospital Oswaldo Cruz, em Macapá (AP), participou da capacitação promovida pela AMIB no estado e relata mudanças na rotina dos serviços a partir da formação.

Segundo ela, a capacitação ajudou os profissionais a compreender melhor a importância do diagnóstico e da notificação de morte encefálica e a reconhecer mais rapidamente casos suspeitos. “Sem o curso, nós estaríamos ainda no zero. A capacitação trouxe uma reestruturação do entendimento e da necessidade de fazer o diagnóstico, a notificação e o registro. A equipe passou a compreender melhor o fluxo e a importância de gerar esses dados. Isso já começou a produzir impacto dentro da UTI”, relata.

De acordo com Ivna, a formação também despertou o interesse dos profissionais por outras ferramentas relacionadas ao atendimento do paciente neurocrítico. Em uma das equipes em que atua, três dos oito médicos participaram também de treinamento em ultrassom Doppler transcraniano.

Outro exemplo vem do Maranhão. Segundo o médico intensivista Hiago Bastos, presidente da Sociedade de Terapia Intensiva do Maranhão, a capacitação trouxe ganhos para diferentes etapas do processo de doação.

“A qualificação dos profissionais de terapia intensiva contribuiu para maior segurança na identificação e manutenção do potencial doador e para a melhor condução do protocolo de morte encefálica, além de aprimorar a comunicação com as famílias e a integração entre as equipes assistenciais e a Central Estadual de Transplantes, dentro do nosso Plano de Aceleração de Transplantes”, afirma.

Ainda de acordo com Hiago, a mudança de cultura, baseada em educação continuada e padronização de condutas, foi um dos pilares para a evolução dos indicadores no estado. “Nos últimos anos, o Maranhão apresentou crescimento expressivo no número de notificações de potenciais doadores, de doadores efetivos e também de transplantes e captação de córneas. Esse resultado demonstra que investir na formação das equipes multiprofissionais se traduz em mais oportunidades de doação e, consequentemente, em mais vidas salvas”, avalia.

CONFIRA IMAGENS DAS TURMAS CAPACITADAS NAS CINCO REGIÕES DO PAÍS:

AMIB atualiza critérios de certificação do Programa UTIs Brasileiras

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB atualizou os critérios de certificação do Programa UTIs Brasileiras, iniciativa que há mais de uma década estimula a melhoria da qualidade assistencial nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). As mudanças, oficializadas por meio da Nota Técnica nº 01/2026, têm como objetivo manter a consistência científica da certificação, alinhando o programa às evidências mais recentes da Medicina Intensiva e às melhores práticas internacionais.

Entre as principais atualizações está a realização de dupla conferência da Titulação em Medicina Intensiva do Responsável Técnico da unidade. A AMIB promove assim maior segurança e credibilidade no processo de certificação. Anova exigência passa a valer para as certificações referentes ao desempenho de 2026, que serão concedidas em 2027. Outra novidade é a atualização dos modelos prognósticos utilizados no ajuste de risco dos indicadores que compõem a avaliação das unidades.

A partir da certificação referente ao desempenho de 2027, com reconhecimento em 2028, o programa passará a adotar dois modelos prognósticos oficiais para ajuste de risco: o SAPS 3 Customizado, versão adaptada para a população brasileira do modelo utilizado para estimar a gravidade dos pacientes internados em UTIs, e o Epimed Prediction Model (EPM). Ambos serão utilizados no cálculo da Taxa de Mortalidade Padronizada (TMP) e da Taxa de Utilização Padronizada de Recursos (TURP), tornando as comparações entre as unidades mais precisas e representativas.

A AMIB destaca que a implementação das mudanças ocorrerá de forma gradual, permitindo que as unidades se adaptem ao novo cronograma sem comprometer a continuidade do processo de avaliação. A entidade ressalta, ainda, que a essência da certificação permanece inalterada.

O programa mantém seu caráter voluntário e não substitui os processos de habilitação, licenciamento ou fiscalização conduzidos por órgãos reguladores, como a Anvisa, o Ministério da Saúde e os Conselhos de Medicina. Trata-se de uma avaliação independente, baseada em critérios científicos e comparativos de desempenho.

As UTIs continuam classificadas em duas categorias, Gerais e Cardiológicas, podendo receber o reconhecimento como UTI Top Performer ou UTI Eficiente, conforme seu desempenho em relação aos indicadores nacionais.

A íntegra da Nota Técnica nº 01/2026 e do White Paper Atualização dos Critérios para Certificação do Programa UTIs Brasileiras está disponível AQUI .

Programa UTIs Inteligentes e valorização do médico intensivista pautam reunião entre AMIB e Ministério da Saúde

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB esteve reunida na última terça-feira (28), com a coordenadora-geral de Atenção Hospitalar (DAHUD), do Ministério da Saúde, Luísa Bezerra Frazão, e sua equipe técnica para discutir os próximos passos do Programa UTIs Inteligentes. Pela AMIB, participaram o presidente Cristiano Franke; a presidente futura, Flávia Ribeiro Machado, além do presidente do Conselho Consultivo, Ederlon Rozende.

A reunião, realizada na sede do Ministério da Saúde, em Brasília (DF), deu continuidade ao diálogo entre as instituições sobre a implementação do UTIs Inteligentes, iniciativa que busca qualificar a assistência nas UTIs públicas por meio do monitoramento de indicadores, do uso de dados e da governança clínica. A AMIB participa do projeto como parceira técnica e científica, contribuindo com a experiência acumulada ao longo de mais de dez anos do UTIs Brasileiras, considerado o maior banco de dados epidemiológicos de terapia intensiva do mundo.

Durante o encontro, Cristiano Franke destacou que a experiência do UTIs Brasileiras demonstra o papel estratégico do monitoramento para conhecer a realidade das unidades de terapia intensiva e subsidiar ações de melhoria da assistência. “O monitoramento contínuo é uma ferramenta indispensável para reunir informações sobre taxas de ocupação, número de leitos, desfechos clínicos e evolução na recuperação de pacientes”, afirmou.

VALORIZAÇÃO – A reunião também foi marcada pela entrega de um ofício que integra a agenda institucional da AMIB em defesa da valorização da Medicina Intensiva e da assistência ao paciente crítico. Entre os temas apresentados estiveram a qualificação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), a formação de especialistas e as condições de trabalho dos médicos intensivistas.

Na ocasião, a entidade também entregou o relatório de uma pesquisa inédita realizada em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). O estudo, que será divulgado em breve, traça um panorama nacional da atuação dos médicos intensivistas e deverá subsidiar novas iniciativas voltadas ao fortalecimento da especialidade.

AMIB oficializa parceria com o Projeto Conecta Vale

Iniciativa amplia a qualificação de profissionais de urgência, emergência e terapia intensiva nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em Minas Gerais

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB oficializou no último fim de semana sua participação no Projeto Conecta Vale, iniciativa voltada à qualificação de profissionais que atuam na urgência, emergência e terapia intensiva nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, uma das regiões com maiores desafios assistenciais de Minas Gerais. A parceria foi formalizada com a assinatura de um Termo de Cooperação durante encontro realizado na sede da entidade, em São Paulo.

Criado em outubro de 2024, o projeto reúne hospitais, universidades e instituições públicas para ampliar o acesso à educação continuada, à teleconsultoria e ao suporte clínico especializado. Segundo os coordenadores da iniciativa, os hospitais participantes já registram melhora de indicadores como mortalidade, tempo de internação, reinternação e segurança do paciente.

A assinatura do acordo ocorreu durante o curso Construindo uma UTI de Alta Performance, que reuniu 14 lideranças da região dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. A capacitação marcou o início de uma nova etapa do projeto, voltada à formação de gestores e profissionais responsáveis pela organização e desempenho das unidades de terapia intensiva.

Para a AMIB, a educação continuada é um dos pilares para ampliar a qualidade da assistência ao paciente crítico. O presidente da entidade, dr. Cristiano Franke, ressalta, porém, que a teleconsultoria deve ser entendida como ferramenta complementar. “A presença do intensivista à beira do leito, com avaliação clínica direta e tomada de decisão em tempo real, permanece indispensável”.

Além da AMIB, participam do Conecta Vale o Hospital Nossa Senhora da Saúde, a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e instituições vinculadas ao Ministério da Saúde e à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais.

EDUCAÇÃO E APOIO ESPECIALIZADO – O Conecta Vale oferece cursos gratuitos, teleconsultorias e suporte clínico remoto para profissionais que atuam na urgência, emergência e terapia intensiva. A plataforma permite discutir casos complexos em tempo real, contribuindo para a tomada de decisão em municípios com menor acesso a especialistas.

Idealizado pelo médico intensivista Renan Santiago Faria, o projeto reúne atualmente mais de mil profissionais cadastrados. Até o momento, foram emitidos 610 certificados em cursos on-line e outros 520 em capacitações presenciais.

Entre os conteúdos oferecidos estão terapia intensiva, manejo de vias aéreas, antibioticoterapia, ultrassonografia à beira do leito, emergências cardiovasculares e transporte do paciente crítico. Segundo o projeto, os treinamentos elevaram em média 2,36 pontos o desempenho dos participantes nas avaliações aplicadas após os cursos.

Outro destaque é o Projeto Teleneuro, que disponibiliza suporte neurológico ininterrupto aos municípios da macrorregião Jequitinhonha, incluindo avaliação de tomografias e indicação de trombólise em casos de AVC agudo, com tempo médio de resposta inferior a 30 minutos.

CONTRIBUIÇÃO DA AMIB – Desde o início da parceria, por meio da Sociedade Mineira de Terapia Intensiva (SOMITI), a AMIB já realizou cursos como o Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS) e o Fundamental Critical Care Support (FCCS), voltados ao atendimento das emergências cardiovasculares e aos cuidados nas primeiras 24 horas do paciente criticamente enfermo.

Para Cristiano Franke, iniciativas como o Conecta Vale ajudam a reduzir desigualdades no acesso ao conhecimento e aproximam profissionais de regiões distantes dos grandes centros das melhores práticas da Medicina Intensiva. “Ao investir na formação continuada de lideranças e equipes, estamos construindo uma assistência mais segura, eficiente e equitativa para toda a população”.

AMB empenha apoio à pauta da AMIB pela valorização da Medicina Intensiva no Brasil

A Associação Médica Brasileira (AMB) empenhou apoio à agenda institucional em defesa da valorização dos médicos intensivistas conduzida pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). O tema foi apresentado pelo presidente Cristiano Franke em reunião, na segunda-feira (27), com representantes da AMB, na sede da entidade, em São Paulo (SP). A visita integra uma série de ações conduzidas pela AMIB para fortalecer a especialidade e a assistência ao paciente crítico.

Entre os temas debatidos estavam a qualificação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), a formação de especialistas e as condições de trabalho dos médicos intensivistas. Na atual gestão, a AMIB intensificou a busca por soluções que reduzam os impactos da precarização das relações de trabalho nas UTIs, entre outros pontos. Para tanto, a Associação tem atuado junto a gestores para sensibilizá-los sobre o tema e procurado suporte junto às entidades médicas.

Reuniões – Desde o início desse processo, já ocorreram reuniões com o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS), o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul e o Conselho Regional de Medicina do mesmo estado. Cristiano Franke também apresentou a mesma pauta aos membros do Fórum dos Conselhos Federais da Área da Saúde (FCFAS), que reúne representantes de 14 profissões, muitas delas com atuação ativa nas UTIs.

Na reunião com a AMB, a AMIB tratou de desafios importantes para a Medicina Intensiva no país, entre eles a elevada presença de profissionais sem título de especialista atuando nas UTIs e os impactos da sobrecarga de trabalho sobre as equipes.  Para o diretor científico da AMB, José Eduardo Dolci, o cenário é preocupante e o apoio ao trabalho da Associação está selado. “Alguns indicadores são alarmantes. Estamos juntos com a AMIB nas propostas e reivindicações da sociedade para que a gente consiga melhorar essa situação”, disse.

Pautas estratégicas – Franke destacou a importância desse alinhamento institucional para avançar em pautas estratégicas da especialidade. “Tivemos uma recepção muito boa aqui na AMB para discutir a qualificação das nossas UTIs e dos profissionais que atuam nessas unidades”, comentou. Segundo ele, a Associação está motivada a buscar meios de valorizar o trabalho dos especialistas, além de agir em direção a avanços estruturantes que trarão mais qualidade ao atendimento ao paciente grave.

Entre os pontos que o presidente da AMIB considera de alto risco neste segmento estão, a sobrecarga de trabalho dos médicos intensivistas e das equipes das UTIs, o que tem resultado em quadros de estresse e burnout na vida desses profissionais. Além de Franke e Dolci, participaram da reunião: Fernando Sabiá Tallo (diretor tesoureiro da AMB), Maria Rita de Souza Mesquita (1ª secretária), Florisval Meinão (secretário-geral), Lacildes Rovella Junior (1⁰ tesoureiro) e Antônio José Gonçalves (presidente da Associação Paulista de Medicina – APM). Pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira também estava Ederlon Rezende, presidente do Conselho Consultivo da entidade.

AMIB, SOTIRGS e SIMERS discutem qualificação das UTIs e valorização dos médicos intensivistas

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB, a Sociedade de Terapia Intensiva do Rio Grande do Sul (SOTIRGS) e o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) reuniram-se na última semana para discutir temas estratégicos para a Medicina Intensiva. Entre os assuntos debatidos estiveram a qualificação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), a formação de especialistas e as condições de trabalho dos médicos intensivistas. 

O encontro, realizado na sede do SIMERS, integra a agenda institucional da AMIB voltada ao fortalecimento da Medicina Intensiva e da assistência ao paciente crítico. A entidade vem ampliando o diálogo com gestores, autoridades e entidades representativas para defender a valorização dos médicos intensivistas, a qualificação das equipes e o enfrentamento dos impactos da precarização das relações de trabalho nas UTIs. Como parte dessa mobilização, a AMIB também encaminhou ofícios a órgãos públicos e instituições do setor. 

Participaram da reunião o presidente da AMIB, Cristiano Franke, a presidente da SOTIRGS, Taiane Vargas, o presidente do SIMERS, Marcelo Matias, além de diretores das três entidades. Durante o encontro, foi destacado o protagonismo histórico do Rio Grande do Sul na Medicina Intensiva brasileira. O estado sediou as primeiras residências médicas da especialidade e permanece como referência nacional na formação de intensivistas. 

Apesar dessa tradição, as entidades manifestaram preocupação com a atuação de profissionais sem formação específica em UTIs. “O Rio Grande do Sul é referência nacional em Medicina Intensiva, tanto pela tradição na formação de especialistas quanto pela qualidade de seus serviços. No entanto, ainda observamos situações em que profissionais sem a qualificação adequada atuam no cuidado de pacientes graves, o que exige atenção”, afirmou Cristiano Franke. 

Outro tema debatido foi a crescente precarização das relações de trabalho, especialmente nos modelos de contratação como pessoa jurídica (PJ). “Precisamos de equipes qualificadas e de vínculos de trabalho que ofereçam estabilidade, valorização profissional e condições adequadas para que o intensivista exerça seu papel com segurança”, ressaltou o presidente da AMIB. 

Para Taiane Vargas, a atuação conjunta entre as entidades é fundamental para preservar a qualidade da especialidade. “O Rio Grande do Sul tem uma história pioneira na formação de médicos intensivistas. As duas primeiras residências em Medicina Intensiva do Brasil nasceram em Porto Alegre. Nosso compromisso é seguir defendendo os intensivistas e a qualidade da assistência prestada à população.” 

Marcelo Matias também destacou o compromisso do SIMERS com a valorização dos especialistas. “O nosso compromisso é defender os médicos intensivistas por melhores condições de trabalho, remuneração justa e contratos mais adequados. Valorizar esses profissionais também é defender a saúde da população.” 

Próximos passos – Como desdobramento da reunião, AMIB, SOTIRGS e SIMERS planejam realizar, no segundo semestre, um evento presencial voltado aos médicos intensivistas para discutir relações de trabalho, contratação como pessoa jurídica e aspectos éticos, legais e fiscais da atividade médica. 

Precarização do trabalho coloca em risco a segurança nas UTIs, afirma Associação de Medicina Intensiva Brasileira

Mais da metade dos médicos que atuam nas UTIs do país são contratados pelos hospitais (públicos e privados) onde cuidam dos pacientes críticos por meio de contratos de Pessoa Jurídica. Entre os que possuem título de especialista em medicina intensiva isso representa 51%. Por sua vez, entre profissionais de especialidades correlatas (clínica médica, cirurgia geral, pediatria, cardiologia, nefrologia, anestesiologia e pneumologia), o índice atinge 56%. No caso de generalistas, chega a 55%.

O segundo tipo de vínculo mais frequente são os contratos com carteira assinada (CLT), que representam de 10,9% a 21,8% do total de médicos que atuam nas UTIs, conforme sua formação. Na sequência, vêm os aprovados em concursos públicos (estatutários), cujo percentual varia de 4,7% a 14,1%.

“A precarização das relações de trabalho compromete a construção de uma carreira sustentável na Medicina Intensiva. A inexistência de garantias trabalhistas amplia a insegurança profissional e contribui para o surgimento de casos de desgaste e esgotamento das equipes, desmotivação e consequente afastamento de profissionais experientes dos quadros, com grande impacto para o atendimento da população”, alerta Cristiano Franke, presidente da AMIB.

Múltiplos vínculos – Esses dados fazem parte de inquérito nacional sobre a força de trabalho médica nas UTIs, preparado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), que será lançado nas próximas semanas. O estudo, que ouviu mais de 2.300 médicos que se dedicam aos pacientes graves, causou preocupação no segmento.

Os números mensuram características do mercado de trabalho que resultam numa maior vulnerabilidade ocupacional. Dentre elas, está a alta concentração de vínculos como pessoa jurídica, chamada de pejotização do trabalho, e a multiplicidade de arranjos que inferem uma fragmentação do mercado em graus distintos de estabilidade, autonomia, proteção trabalhista, previsibilidade de renda e progressão na carreira.

Além de ser um sinal de precariedade nas relações de trabalho, os diversos vínculos assumidos resultam em outras complicações, que acabam por sobrecarregar os médicos que atuam nas UTIs. Não é raro, por exemplo, que o profissional tenha que fazer grandes deslocamentos para exercer suas funções. Praticamente um terço precisa se locomover para cidades diferentes de onde mora.

Plantões noturnos – O levantamento realizado identificou 3.112 contratos de trabalho para os 2.338 médicos da amostra. O cruzamento dos dados mostra que, em média, cada médico que atua em UTI mantém 1,33 vínculo. Essa proporção quase dobra entre os detentores de títulos de especialista em medicina intensiva, sendo que na maioria das vezes os profissionais são levados a realizarem suas atividades nas UTIs à noite.

Independentemente do nível de especialização, essa é a realidade de 90,3% dos médicos que não são detentores de título de medicina intensiva, mas trabalham nas UTIs brasileiras. Neste segmento com qualificação voltada para a área, o percentual dos que atuam à noite é um pouco menor, chegando aos 66,9%.

Somada à sobrecarga física e emocional gerada pelo acumulo de horas trabalhadas, jornadas à noite e necessidade de ficar horas atrás do volante, essa realidade, que segue um padrão histórico da medicina no Brasil, fragiliza a relação do médico com as equipes e estabelecimentos de saúde, sem contar que interfere nos fluxos de trabalho, o que traz riscos à segurança dos pacientes e prejudica a saúde e a qualidade de vida dos próprios profissionais.

Sinal de alerta – Para a AMIB, o alto índice de precarização nas relações de trabalho soa um sinal de alerta que não pode ser ignorado pelas autoridades da saúde. Na prática, esse fenômeno se traduziria em alta rotatividade e substituição de especialistas por profissionais sem formação específica em Medicina Intensiva, motivada, em muitos casos, exclusivamente por critérios de redução de custos, entre outros pontos.

Os dados apurados levaram a AMIB a divulgar uma nota à sociedade cobrando providências para corrigir os pontos de distorção. Na manifestação, encaminhada a um rol de autoridades do Governo, Legislativo e Judiciário, a AMIB pede a abertura urgente de canal de diálogo institucional que recupere o equilíbrio neste segmento, o que seria necessário à efetividade e segurança na atuação dos profissionais e ao bem-estar dos pacientes.

“Queremos contribuir com a promoção de um amplo debate para a construção de soluções e o fortalecimento de políticas e iniciativas que assegurem condições adequadas para o cuidado ao paciente crítico”, afirma a AMIB em sua nota. Na avaliação da Associação, a conta recai, sobretudo, sobre os doentes que ficam expostos a um cenário que ameaça a qualidade e a segurança da assistência intensiva, em um ambiente que exige equipes altamente preparadas, estabilidade e capacidade permanente de resposta às condições clínicas de maior complexidade.

O trabalho afirma ainda que sistemas de saúde universal, nos moldes do SUS, não conseguem sustentar uma assistência de excelência aos pacientes críticos sem investimentos na valorização e na proteção dos profissionais que atuam na linha de frente desse cuidado. “Modelos que priorizam a redução de custos imediatos, em detrimento da estabilidade das equipes e da construção de carreiras sólidas, colocam em xeque a capacidade do país de formar, atrair e manter intensivistas qualificados”, ressalta Cristiano Franke.

AMIB leva ao Conasems pauta pela valorização dos médicos intensivistas e qualificação das UTIs

14.07.26

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) deu mais um passo em sua agenda institucional voltada ao fortalecimento da Medicina Intensiva e da assistência ao paciente crítico. Durante o XXXIX Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), realizado de 12 a 15 de julho, em Porto Alegre (RS), a entidade entregou ao presidente da instituição, Hisham Mohamad Hamida, um ofício solicitando a abertura de diálogo sobre os desafios enfrentados pelas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) brasileiras.

O documento integra uma série de iniciativas conduzidas pela AMIB para sensibilizar gestores e autoridades sobre a necessidade de fortalecer a assistência aos pacientes críticos. Entre os temas apresentados estão a valorização dos médicos intensivistas, a qualificação das equipes e os impactos da precarização das relações de trabalho nas UTIs.

Segundo a entidade, a alta rotatividade de profissionais, a desvalorização da carreira e a substituição de especialistas por médicos sem formação específica em Medicina Intensiva comprometem a continuidade do cuidado e representam um desafio para a consolidação de uma assistência de qualidade.

Durante o encontro, o presidente da AMIB, dr. Cristiano Franke, também solicitou a realização de uma audiência institucional para apresentar um levantamento inédito elaborado pela entidade sobre as condições de trabalho nas UTIs brasileiras e discutir propostas voltadas ao fortalecimento da assistência ao paciente crítico.

“Foi um encontro breve, mas muito proveitoso. O presidente do Conasems demonstrou grande atenção à nossa preocupação com a qualificação das UTIs brasileiras e reconheceu a importância dessa pauta. Saio muito satisfeito, com a expectativa de dar continuidade a esse diálogo e avançar nessa agenda ao longo dos próximos meses”, afirmou.

Para Cristiano Franke, a aproximação com os gestores municipais é fundamental para construir soluções que fortaleçam a Medicina Intensiva e ampliem a segurança e a qualidade da assistência oferecida aos pacientes críticos no Sistema Único de Saúde (SUS).

O Congresso do Conasems reúne gestores, profissionais e especialistas de todo o país para debater políticas públicas de saúde e compartilhar experiências exitosas do SUS. A programação também incluiu a 21ª Mostra Brasil, Aqui Tem SUS, dedicada à divulgação de iniciativas municipais voltadas ao fortalecimento da saúde pública.