AMIB alerta gestores e a sociedade para riscos causados pela precarização das relações de trabalho nas UTIs

A Associação Brasileira de Medicina Intensiva (AMIB) divulgou um posicionamento institucional em que manifesta preocupação com o avanço da precarização das relações de trabalho nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

A entidade alerta para o crescimento da contratação de médicos intensivistas exclusivamente como pessoa jurídica (PJ) e para a atuação de profissionais sem especialização no cuidado de pacientes críticos.

A nota pública da AMIB foi encaminhada para as entidades médicas, gestores e organizações responsáveis por serviços de saúde públicos e privados. O texto também foi remetido a dirigentes de órgãos de fiscalização e controle, como o Ministério Público e Tribunal de Contas da União (TCU), bem como deputados federais e senadores.

Para o presidente Cristiano Franke, esse é o momento de inserir esse tema na agenda de prioridades da saúde pública no Brasil. Na avaliação dele, o cenário atual compromete a qualidade do atendimento e deixa a população em situação de risco.

Segundo a Associação, equipes estáveis e qualificadas são fundamentais para garantir a segurança dos pacientes, a continuidade da assistência e a qualidade dos resultados clínicos.

Para contrapor esse quadro, a AMIB defende modelos de contratação que conciliem sustentabilidade das instituições, segurança jurídica e valorização dos profissionais.

A íntegra do posicionamento está disponível abaixo nesse link.

AMIB convida comunidade intensivista a apoiar campanha humanitária em favor das vítimas dos terremotos na Venezuela

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) está mobilizando seus associados, profissionais de saúde e toda a sociedade para apoiar a campanha de ajuda humanitária promovida pelo UNICEF em favor das vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela.

Os abalos sísmicos deixaram um cenário de grande devastação, comprometendo hospitais, escolas e serviços essenciais, além de colocar milhares de famílias em situação de extrema vulnerabilidade. Segundo informações divulgadas pelo UNICEF, centenas de milhares de crianças necessitam de assistência humanitária urgente, enquanto milhões de pessoas dependem de ajuda para enfrentar as consequências da tragédia.
Desde os primeiros dias da tragédia, a AMIB estabeleceu contato com a sociedade venezuelana de medicina intensiva, colocando-se à disposição para colaborar. Em conjunto, as entidades estão alinhando a melhor forma de contribuir para apoiar a população e fortalecer os esforços de assistência neste momento.

Um convite à solidariedade
Como entidade que representa os profissionais da Medicina Intensiva, a AMIB acredita que cuidar da vida também significa estender a mão a quem mais precisa.

Por isso, convidamos nossa comunidade de médicos e profissionais intensivistas, associados e todos que acompanham a AMIB a apoiarem a campanha de arrecadação promovida pela UNICEF.

Cada doação representa uma oportunidade de levar proteção, atendimento, esperança e dignidade às pessoas afetadas pela tragédia.

Por que o UNICEF?
Presente em mais de 190 países e territórios, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) é uma das principais organizações humanitárias do mundo, reconhecida por sua atuação em emergências, desastres naturais e crises humanitárias.

Na Venezuela, o UNICEF já iniciou uma ampla operação de resposta, enviando toneladas de suprimentos essenciais, incluindo medicamentos, kits de saúde, água potável, materiais de higiene, educação e proteção infantil. As remessas humanitárias beneficiarão milhares de crianças e famílias, enquanto novas cargas continuam sendo encaminhadas ao país.
Faça sua doação
As contribuições podem ser realizadas diretamente pela página oficial da campanha do UNICEF. Doe aqui.

A AMIB agradece a todos que puderem participar desta iniciativa e reforça seu compromisso com a promoção da vida, da saúde e da solidariedade.

Como sua doação ajuda?
Os recursos arrecadados pelo UNICEF são destinados ao fornecimento de água potável, atendimento à saúde, medicamentos, alimentação, materiais de higiene, proteção infantil e apoio às famílias atingidas pelos terremotos na Venezuela.

AMIB participa de webinar que marca o início do projeto de UTIs Inteligentes no SUS

Na última sexta-feira, 19 de junho, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB participou de webinar organizado pelo Ministério da Saúde. O encontro online marcou o início da fase de implementação do projeto de UTIs Inteligentes, comandado pelo Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e Urgência (DAHU/MS), em seis hospitais da rede pública (Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Manaus e Brasília) previamente selecionados.

O diretor do DAHU, o médico Fernando Figueira, destacou a importância do projeto para a melhora da assistência e enalteceu a contribuição dos parceiros, incluindo o papel fundamental e estratégico da AMIB no que tange às questões técnicas e científicas que norteiam o seu desenvolvimento, com foco na governança clínica e na qualificação da assistência ao paciente crítico. Ele frisou ainda a relevância e urgência conferidas pelo Governo Federal à implementação e ampliação do número de leitos conforme o cronograma estabelecido.

A atividade contou também com a presença da professora Ludhmila Hajjar, coordenadora do projeto, que apresentou as diretrizes e objetivos a serem alcançados no curto, médio e longo prazos. Ela apresentou também o futuro Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), que será o hub central de monitoramento da rede de UTIs Inteligentes do Brasil. O ITMI será erguido no Complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP).

A plataforma tecnológica que vai permitir as UTIs Inteligentes operarem é a Integrare. As funcionalidades foram apresentadas aos participantes do webinar pelos representantes do Núcleo de Tecnologias Estratégicas em Saúde (NUTES) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). A Integrare foi construída a partir de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) que, dessa forma, transferiu a tecnologia (e os direitos) ao NUTES. Trata-se, portanto, de uma ferramenta pública já registrada junto à Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa).

O evento alinhou expectativas e esclareceu dúvidas de todos os envolvidos antes que a implementação comece a acontecer, de fato. As visitas oficiais aos hospitais-piloto estão previstas para acontecer a partir desta semana, mais precisamente do dia 25 de junho em diante.

O presidente da AMIB, Cristiano Franke, compartilhou durante a audiência a satisfação da Associação em participar de um projeto feito para qualificar as UTIs públicas brasileiras. “O Programa UTIs Inteligentes vai contribuir para a construção de um banco de dados, que permitirá identificar onde o desempenho é bom e onde é necessário intervir para melhorar, sempre com base em informações e com foco na qualificação da assistência”, explicou.

Em nome da AMIB, ele informou que a Associação estará sempre ao lado de projetos de qualificação das UTIs que buscam o melhor cuidado para o doente grave, assim como ocorre há 10 anos com o programa UTIS Brasileiras, iniciativa desenvolvida pela AMIB em parceria com a Epimed Solutions. “A partir da experiência com o programa UTIs Brasileiras podemos dizer, com toda certeza, o monitoramento é indispensável para mapear com precisão os leitos de UTIs. O monitoramento contínuo permite reunir informações sobre taxas de ocupação, número de leitos, desfechos clínicos e evolução na recuperação de pacientes”, comenta.

UTIs Brasileiras – Desenvolvido dede 2015, o programa é reconhecido como o maior banco de dados epidemiológicos de leitos de UTIs do mundo e tem por objetivo reconhecer as unidades de terapia intensiva que alcançam melhores resultados assistenciais, além de estimular a melhoria contínua da qualidade da terapia intensiva no país.  Todo ano, após análise do monitoramento das UTIs, que aderiram ao programa, a AMIB certifica as unidades que demonstraram excelência em desempenho e qualidade no atendimento a pacientes críticos.

Por exemplo, em 2025, cerca de 800 hospitais, responsáveis por aproximadamente 25 mil leitos de UTI no país, foram monitorados pelo programa UTIs Brasileiras. Desses, 630 atenderam aos critérios técnicos da avaliação e 332 alcançaram os melhores resultados, recebendo certificações de desempenho clínico e eficiência no cuidado a pacientes críticos.

AMIB manifesta solidariedade às vítimas e acompanha impactos do terremoto

25.06.2026

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB manifesta sua profunda solidariedade ao povo venezuelano, às famílias das vítimas e a todos os profissionais de saúde que atuam na resposta ao terremoto que atingiu o país, provocando centenas de mortes, milhares de feridos e graves danos à infraestrutura, incluindo unidades de saúde.

Em cenários de desastres de grande magnitude, a assistência aos pacientes críticos representa um dos maiores desafios para os sistemas de saúde. A destruição de hospitais, a interrupção de serviços essenciais e o aumento repentino da demanda por leitos de terapia intensiva colocam enorme pressão sobre as equipes assistenciais e comprometem a capacidade de resposta às vítimas mais graves.

A AMIB reconhece o trabalho e a dedicação dos profissionais que permanecem na linha de frente, muitas vezes também afetados diretamente pela tragédia, prestando assistência em condições extremamente adversas.

Neste momento, a entidade coloca-se à disposição das autoridades sanitárias, das sociedades médicas e dos organismos humanitários nacionais e internacionais para colaborar, dentro de suas possibilidades institucionais, com iniciativas voltadas ao fortalecimento da assistência aos pacientes críticos. Essa colaboração poderá incluir apoio técnico-científico, mobilização de profissionais especializados e outras formas de cooperação que venham a ser consideradas necessárias pelas autoridades competentes.

A medicina intensiva tem papel fundamental na preservação de vidas em situações de emergência humanitária. Por isso, a cooperação entre países, instituições e profissionais torna-se indispensável para ampliar a capacidade de resposta diante de tragédias dessa magnitude.

A AMIB acompanha com atenção a evolução da situação e renova sua solidariedade ao povo venezuelano, na esperança de que os esforços conjuntos da comunidade internacional contribuam para aliviar o sofrimento das vítimas e apoiar a reconstrução do sistema de saúde local.

São Paulo, 25 de junho de 2026.

Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB

Conecta Vale – Plataforma gratuita transforma atendimento nas UTIs dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

Com o apoio da AMIB, Projeto Conecta Vale oferta cursos a profissionais de urgência, emergência e terapia intensiva em uma das regiões mais carentes de Minas Gerais   

24.06.2026

A combinação entre qualificação profissional contínua, monitoramento rigoroso de indicadores e adoção de boas práticas assistenciais vem transformando o cuidado aos pacientes graves em municípios do Vale do Jequitinhonha e Mucuri. Com acesso a formação especializada e tecnologia, profissionais que atuam em situações críticas passaram a contar com suporte técnico especializado, através do Conecta Vale, plataforma gratuita de ensino, teleconsultoria e qualificação assistencial. A experiência, iniciada em outubro de 2024, já conseguiu reduzir índice de mortalidade, tempo de internação, reinternação e segurança do paciente.

A ferramenta, idealizada pelo médico intensivista Renan Santiago Faria, nasceu com a missão de apoiar profissionais que atuam em municípios com limitações estruturais. O Conecta Vale disponibiliza suporte clínico remoto em tempo real, auxiliando profissionais na condução de casos complexos, especialmente nas áreas de urgência, emergência e terapia intensiva. O acesso é gratuito para municípios e profissionais, que integram à inciativa. Porém, o programa é viabilizado por instituições parceiras e conta com apoio do Ministério da Saúde.

Para a Associação de Medicina Intensiva – AMIB, que integra o Conecta Vale com o seu escopo técnico, a formação continuada é um dos pilares para a melhoria da assistência em terapia intensiva. Ao longo desse período, a entidade, através da AMIB MG – SOMITI, já treinou médicos e outros profissionais de saúde, com cursos como Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS), focado em emergências cardiovasculares e parada cardiorrespiratória, e Suporte Fundamental em Terapia Intensiva (FCCS), destinado para reconhecer e conduzir as primeiras 24 horas do paciente gravemente enfermo.

No próximo mês, o curso “Construindo uma UTI de Alta Performance”, irá abrir o cronograma de novas capacitações. A capacitação acontecerá na sede da AMIB, em São Paulo, e irá reunir 14 lideranças da região dos Vales. A proposta é preparar gestores e profissionais estratégicos para implementar modelos modernos de gestão, segurança e desempenho assistencial nas unidades de terapia intensiva da região.

“Iniciativas como o Conecta Vale contribuem para reduzir as desigualdades no acesso ao conhecimento em terapia intensiva, permitindo que profissionais de regiões distantes dos grandes centros utilizem os mesmos protocolos e práticas adotadas nas principais UTIs do país. Ao investir na formação continuada de lideranças e equipes, estamos construindo uma assistência mais segura, eficiente e equitativa para toda a população”, afirma o presidente da AMIB, Cristiano Franke.

Ao mesmo tempo, o presidente da AMIB ressalta que a presença do médico especialista à beira leito é indispensável, porque o suporte tecnológico não substitui a avaliação clínica direta, a tomada de decisões em tempo real e a interação humana necessárias ao cuidado de pacientes criticamente enfermos. “Iniciativas de teleconsultoria devem ser vistas como uma estratégia complementar de suporte e qualificação da assistência, e não como substituta da atuação presencial do intensivista. Por isso, a AMIB investe e apoia a formação médica do especialista de forma contínua”, pontua.

Além da AMIB e do Hospital Nossa Senhora da Saúde, berço do projeto, integram o projeto a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e estruturas vinculadas ao Ministério da Saúde e à Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais.

CONECTA VALE – Atualmente, a plataforma educacional do projeto reúne mais de mil profissionais cadastrados, com 610 certificados emitidos em cursos online e outros 520 certificados em capacitações presenciais. Entre os conteúdos ofertados estão terapia intensiva, manejo de via aérea, antibioticoterapia, ultrassonografia à beira do leito, emergências cardiovasculares e transporte do paciente crítico. Os treinamentos vêm demonstrando impacto direto na aquisição de conhecimento, com aumento médio de 2,36 pontos nas avaliações pós-curso.

Para o médico intensivista Renan Santiago Faria, a participação da AMIB tem sido fundamental nesse processo, pois, além de referência nacional em terapia intensiva, contribui para a disseminação de protocolos baseados em evidências, formação de lideranças e desenvolvimento de uma cultura de melhoria contínua, fortalecendo a qualidade da assistência prestada aos pacientes críticos.

“O Conecta Vale é um exemplo de ecossistema regional de saúde digital voltado ao fortalecimento do SUS em áreas de elevada vulnerabilidade assistencial, utilizando conectividade, educação e telemedicina para aproximar conhecimento especializado da prática cotidiana dos profissionais que atuam na linha de frente do cuidado crítico”, sintetiza o programa, o médico intensivista Renan Faria.

Segundo ele, na prática, o Conecta Vale funciona como uma rede regional de apoio assistencial. “A plataforma permite discussão de casos clínicos, análise de exames, orientação terapêutica e suporte à tomada de decisão em situações críticas”, comenta.

Entre as estratégias mais relevantes, de acordo com Faria, está a teleinterconsulta síncrona para casos complexos, incluindo suporte em neurologia e terapia intensiva. Um dos desdobramentos recentes foi o Projeto Teleneuro, que passou a oferecer suporte neurológico 24 horas por dia para municípios da macrorregião Jequitinhonha, incluindo avaliação de tomografia e indicação de trombólise em Acidente Vascular Cerebral (AVC) agudo, com tempo de resposta inferior a 30 minutos. O Teleneuro é uma das vertentes da assistência aos pacientes neurocríticos dentro de uma estratégia mais ampla de suporte especializado aos casos graves.

Participação AMIB no XVI Congresso Brasileiro de Queimaduras em Campinas

15.06.2026

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB esteve presente no XVI Congresso Brasileiro de Queimaduras (CBQ), realizado nos dias 11 e 12 de junho, em Campinas (SP). Promovido pela Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), o evento reuniu especialistas de diversas áreas da saúde para discutir avanços, desafios e perspectivas na assistência ao paciente queimado.

Representando a AMIB, o presidente Cristiano Franke participou de duas rodas de conversa durante o congresso. Na atividade “Terapia com antimicrobianos: quando, como e por quanto tempo?”, atuou como moderador do debate sobre o uso racional de antimicrobianos no contexto do cuidado ao paciente queimado. Franke também participou como debatedor da discussão “Atualizações no manejo clínico do choque hipovolêmico por queimadura”.

“O Congresso da SBQ foi um evento extremamente relevante para destacar a importância do cuidado multiprofissional ao paciente com queimaduras graves. Os avanços na assistência a esses pacientes dependem da atuação de profissionais altamente qualificados, e o médico intensivista tem papel fundamental nesse processo. Junho também é um mês de conscientização, que nos convida a refletir sobre as consequências das queimaduras para milhares de vítimas em todo o país”, destacou o presidente da AMIB.

A edição de 2026 do congresso ocorreu dentro da programação da campanha Junho Laranja, promovida anualmente pela SBQ em alusão ao Dia Nacional de Luta contra Queimaduras, celebrado em 6 de junho. Neste ano, a iniciativa tem como tema os acidentes de trabalho que resultam em queimaduras, com o slogan “Trabalho seguro sem queimaduras: prevenção é o melhor equipamento de proteção”.

O congresso contou com mais de 67 atividades distribuídas em quatro salas simultâneas e cerca de 80 palestrantes, incluindo convidados internacionais. As discussões ocorreram em diferentes formatos, desde conferências e mesas-redondas até rodas de conversa e apresentações de trabalhos científicos. A programação contou ainda com treinamentos práticos.

AMIB compartilha conhecimento com jovens médicos durante 4° CBMG

O Congresso Brasileiro de Medicina Geral (CBMG) foi uma plataforma que permitiu à Associação Brasileira de Medicina Intensiva (AMIB) levar informação, compartilhar conhecimento e apresentar seu potencial como especialidade médica a estudantes de medicina, médicos generalistas e residentes. Em sua 4ª edição, o encontro promovido pela Associação Médica Brasileira (AMB) proporcionou durante a sua programação uma breve imersão nos desafios e fundamentos do cuidado ao paciente crítico.

Realizado entre 11 e 13 de junho, no Anhembi, em São Paulo (SP), o CBMG reuniu as 54 especialidades médicas em torno de uma programação que possibilitou a atualização científica dos participantes por meio de aulas, painéis, discussões de casos e atividades conduzidas por especialistas renomados, garantindo conteúdo de alto nível e diretamente aplicável ao exercício profissional. Ano após ano, o objetivo se mantém: contribuir para o raciocínio diagnóstico, qualificar a tomada de decisões e orientar condutas mais seguras e fundamentadas para quem vive a medicina na prática.

A participação da AMIB no CBMG ocorreu em dois momentos. O primeiro bloco foi dedicado aos desafios diários do pós-operatório de cirurgias de grande porte e teve a coordenação da médica intensivista Flávia Ribeiro Machado, presidente futura da AMIB, e do cirurgião Aristotenis Cardoso Cruz. A rodada de palestras foi aberta pelo presidente do Conselho Consultivo, da AMIB, Ederlon Rezende, que abordou o tema “Hemodinâmica”.

Na sequência, a médica intensivista Carmen Barbas conduziu a discussão sobre “Ventilação Mecânica”. Encerrando o bloco, o também intensivista João Manuel da Silva Júnior apresentou a palestra “Analgesia e sedação”.

O segundo momento foi voltado a temas essenciais e atuais da medicina intensiva. O médico intensivista Ricardo Goulart Rodrigues falou sobre insuficiência respiratória, enquanto o também especialista Bruno Arruda Bravim abordou o tema “Choque”. O encerramento coube a Flávia Machado, que apresentou uma palestra sobre sepse.

Para a presidente futura da AMIB, Flávia Machado, que também é coordenadora-geral do Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS), a presença da medicina intensiva no Congresso da AMB é essencial para a formação médica.

“O Congresso é focado na medicina geral, naquele médico generalista que precisa, mais do que tudo, saber reconhecer os sinais de uma doença grave e também dar o atendimento inicial a esse paciente que, posteriormente, vai ser o nosso paciente da medicina intensiva. Então, as noções de medicina intensiva são fundamentais para a constituição do médico generalista, como, aliás, está nas diretrizes curriculares do curso médico. A nossa presença marca esse propósito de inserção da especialidade na formação do médico”, comentou.

4° CBMG – Os organizadores explicam que este é um modelo de Congresso inédito no mundo, na perspectiva de oferecer acesso à informação de qualidade a inúmeros profissionais que carecem de uma rede de apoio para seu processo de educação continuada. Atenta a esta lacuna a AMB, montou uma grade científica que ofereceu aos participantes contato com exposições sobre tema de relevância para o cotidiano do atendimento.

Entre as abordagens oferecidas, estavam urgências reumatológicas no pronto atendimento e no ambulatório; diretrizes 2025: tratamento da obesidade; neurologia na emergência; câncer colorretal: estratégias atuais de rastreamento, diagnóstico e seguimento; gerenciamento do sangue no paciente; cirurgia geral – emergências cirúrgicas; particularidades do seguimento do recém-nascido pré-termo tardio; e uso prático de ferramentas de ia na medicina.

O grande leque dos temas abordados, bem como a qualidade dos expositores, resultou num grande número de pessoas. Entre congressistas e palestrantes, o CBMG reuniu aproximadamente 4.200 participantes, sendo 400 deles conferencistas que se revezaram nos diferentes espaços para garantir que o conhecimento chegasse até os interessados. Diante do sucesso, a fórmula deve se repetir.

“O que vimos aqui foi muito mais do que um congresso científico. Foi uma verdadeira celebração da Medicina em seu sentido mais elevado. Um encontro que fortaleceu a integração entre médicos generalistas e especialistas e reafirmou o compromisso da profissão com a excelência da assistência prestada à população”, afirmou o presidente da AMB, César Fernandes. Ele destacou ainda que o Congresso “se tornou um patrimônio da medicina brasileira”.

A próxima edição do Congresso Brasileiro de Medicina Geral já tem data definida e foi apresentada no fim da solenidade. O evento será realizado entre os dias 8 e 10 de julho de 2027, novamente no Distrito Anhembi, em São Paulo.

AMIB esclarece atribuições de médicos intensivistas em nota técnica para a população e autoridades

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) divulgou nesta terça-feira (16) nota de esclarecimento destinada à população, profissionais de saúde e autoridades sobre as atribuições e responsabilidades dos médicos intensivistas que atuam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A manifestação foi elaborada após questionamentos públicos sobre a atuação de médicos intensivistas em caso recentemente divulgado pela imprensa nacional envolvendo paciente que morreu durante seu período de internação.

CONFIRA AQUI A NOTA DE ESCLARECIMENTO NA ÍNTEGRA.

No documento, a entidade ressalta que qualquer análise relacionada à assistência prestada a pacientes deve estar fundamentada em prontuários, pareceres técnicos, legislação vigente e perícias oficiais, evitando conclusões precipitadas. No entanto, com essa manifestação, a AMIB pretende contribuir para o correto entendimento da dinâmica de funcionamento das UTIs e dos papeis dos especialistas envolvidos na assistência a pacientes críticos.

Paciente crítico – Entre os argumentos apresentados, a AMIB destaca que o médico intensivista é responsável pela condução do suporte clínico avançado ao paciente crítico, incluindo monitorização contínua, estabilização hemodinâmica e coordenação das medidas necessárias ao tratamento dentro da UTI. Segundo a Associação, esse trabalho ocorre de forma integrada com equipes cirúrgicas e demais especialistas envolvidos na assistência relacionada à doença de base do paciente.

A nota também reforça que o médico plantonista da UTI deve permanecer na unidade e tem a responsabilidade de executar o plano terapêutico, além de atuar diante de intercorrências e situações que possam colocar em risco os pacientes internados, conforme estabelece a Resolução CFM nº 2.271/2020. Essa norma define os critérios de funcionamento das unidades de terapia intensiva e unidades de cuidado intermediário conforme sua complexidade e nível de cuidado.

Regulamentação – Outro ponto abordado no documento se refere às decisões relacionadas a procedimentos cirúrgicos e anestésicos. De acordo com a regulamentação vigente, a indicação, a oportunidade e a extensão desses procedimentos são atribuições dos especialistas responsáveis por essas áreas, em decisões compartilhadas com as demais equipes assistenciais e devidamente registradas em prontuário.

Sem emitir juízo sobre fatos específicos que seguem sob investigação, a AMIB enfatiza sua confiança nas instituições responsáveis pela apuração dos casos e esclarece que sua manifestação possui caráter exclusivamente técnico e institucional. Além da divulgação da nota aos médicos e à população, a AMIB encaminhou o documento formalmente aos Conselhos Federal e Regionais de Medicina (CFM/CRMs) e à Associação Médica Brasileira (AMB), bem como a outras autoridades.

No ofício de encaminhamento às entidades da área médica, a Associação ressaltou que esta iniciativa reafirma o seu compromisso com a qualificação da assistência ao paciente, a defesa da boa prática médica, a transparência das informações e o fortalecimento da medicina intensiva brasileira.

Para ajudar na prevenção, a AMIB compartilha com associados o acesso a informações sobre o vírus ebola

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) informa a seus associados que, em razão da declaração de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), decretado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) relacionada à Doença pelo Vírus Ebola (DVE), o Ministério da Saúde inseriu, em seu site, material oficial atualizado sobre a afecção. O status de emergência foi anunciado no mês passado.

Os materiais disponibilizados, que podem ser consultados pelos médicos, contém informações sobre a DVE, como sintomas, transmissão, diagnóstico, notificação e prevenção. Também é possível acessar o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais, atualizado em outubro de 2024; e notas públicas recentes sobre a investigação e descarte de casos suspeitos no país.

Há também informações sobre o manejo de caso suspeito de DVE em pontos de entrada do país (portos, aeroportos e fronteiras) e demais protocolos e procedimentos definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), em acordo com as orientações dos organismos internacionais, conforme descrito na Nota Técnica nº26/2026.

Além dos comunicados nacionais, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém informes atualizados sobre o atual surto na República Democrática do Congo e Uganda. Abaixo, estão listados os links de acesso ao conteúdo gerado pelo Ministério da Saúde e outras organizações:

Doença pelo Vírus Ebola (DVE) – A DVE é uma zoonose causada por vírus do gênero Ebolavirus cujos hospedeiros são, mais provavelmente, morcegos frugívoros. A doença pode infectar seres humanos a partir de contato com sangue, secreções, tecidos, órgãos ou outros fluidos corporais de animais ou pessoas portadoras do agente patógeno (inclusive cadáveres). Objetos e superfícies contaminadas também podem ocasionar a infecção. A transmissão ocorre somente após o início dos sintomas.

Os sintomas iniciais são inespecíficos e incluem febre, fraqueza, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. A progressão da doença pode causar disfunções gastrointestinais, orgânica e, em alguns casos, manifestações hemorrágicas. O período de incubação é de 2 a 21 dias.

Cinco espécies de ebolavírus já foram descritas: Zaire, Sudão, Taï Forest, Bundibugyo e Reston. Dentre as espécies apenas o Reston ebolavírus, embora possa infectar humanos, não é reconhecido como causa de doença humana.

Surto atual – A variante em circulação na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda é o Bundibugyo ebolavírus (Orthoebolavirus bundibugyoense). A OMS foi alertada, em 5 de maio de 2026, sobre um surto de doença desconhecida com alta taxa de mortalidade no Congo, incluindo óbitos entre profissionais de saúde. Dez dias depois, em 15 de maio, foi confirmada a ocorrência da variante.

Foi o cenário transfronteiriço que levou a OMS a declarar Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, em 17 de maio. A OPAS informou que a decisão decorreu do risco de propagação internacional e da necessidade de coordenação entre os países para vigilância, detecção e resposta sanitária.

Risco baixo – Apesar dos alertas, o Ministério da Saúde brasileiro considera, contudo, que o risco de transmissão sustentada da DVE permanece baixo no Brasil e na América do Sul e lembra que a doença depende de contato direto com fluidos de pessoas sintomáticas para gerar infecção. Segundo o MS, até o momento, não há transmissão aérea do vírus e nem notificação de casos confirmados.

Independentemente desse cenário, a AMIB considera importante que os médicos intensivistas se mantenham atualizados sobre o tema; acompanhem o noticiário e as comunicações sanitárias oficiais; e permaneçam atentos aos protocolos relacionados à DVE.