A Nota Técnica 05/2026 ABENTI em parceria com a AMIB, foi publicada no dia 30 de setembro de 2026 e tem como tema: Fadiga de Alarmes: estratégias de mitigação
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A Nota Técnica 05/2026 ABENTI em parceria com a AMIB, foi publicada no dia 30 de setembro de 2026 e tem como tema: Fadiga de Alarmes: estratégias de mitigação
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O número de médicos em formação em Medicina Intensiva que participaram do Teste de Progresso (TP), promovido pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB, bateu recorde. A prova, aplicada no último domingo, 27 de setembro, contou com a participação de 1.100 médicos de todo o Brasil, crescimento de 15% em relação a 2025.
Realizado há quatro anos pela AMIB, o Teste de Progresso tem como objetivo avaliar o desempenho do médico ao longo do Programa de Especialização em Medicina Intensiva – PEMI AMIB ou da Residência Médica em Medicina Intensiva – REMI MEC.
“É um número recorde e demonstra o crescimento da especialidade, com participação expressiva dos residentes. A iniciativa é importante tanto para a autoavaliação dos médicos em formação quanto para que os coordenadores dos serviços possam avaliar seus programas”, afirma o presidente da AMIB, Cristiano Franke.
“Para a nossa sociedade, também permite ter uma visão mais ampla de como está a formação dos intensivistas em todo o Brasil, o que é extremamente importante. Além disso, nos orgulha muito a adesão porque mostra a relevância dessa iniciativa e reforça a residência médica como principal via e padrão-ouro para a formação do especialista em Medicina Intensiva”, complementa Franke.
Para a diretora e presidente futura da AMIB, Flávia Machado, a participação expressiva é um marco importante para a Medicina Intensiva. “Ultrapassar mil participantes no Teste de Progresso mostra a consolidação de um trabalho de aproximação entre os médicos em formação e a AMIB. Queremos que eles se sintam representados pela Associação e saibam que estamos ao lado deles em um objetivo comum: ampliar a presença de médicos intensivistas nas UTIs brasileiras”, afirma.
Na avaliação do presidente da Comissão de Formação do Intensivista da AMIB, Bruno Besen, a seriedade do trabalho formativo da Associação é um diferencial nesse processo. “O total de inscritos e de médicos em formação participantes do teste demonstra a relevância e a seriedade do trabalho da AMIB. Nossa meta é alcançar o maior número possível de médicos que se especializam em Medicina Intensiva em todo o país e contribuir, por meio dessa formação, para a qualificação da especialidade”, destaca.
TERMÔMETRO DE QUALIDADE – Além de permitir o acompanhamento do desempenho individual, o Teste de Progresso oferece informações para supervisores de residência e de programas de especialização credenciados pela AMIB. “À medida que ampliamos o acesso à formação em Medicina Intensiva, também precisamos acompanhar a qualidade desse processo. O Teste de Progresso nos permite conhecer a evolução dos médicos em formação e identificar, de forma objetiva, os pontos que demandam maior atenção”, observa Besen.
De acordo com ele, investir na formação e identificar precocemente os aspectos a serem aprimorados permite agir na origem de eventuais problemas. “Formar especialistas cada vez mais preparados é uma das maneiras mais consistentes de contribuir, ao longo do tempo, para uma Medicina Intensiva de maior qualidade em todo o Brasil”, afirma.
PROJEÇÃO – Segundo Bruno Besen, com a ampliação do número de vagas de residência médica em Medicina Intensiva, a estimativa é que, em 2028, o Brasil tenha mais de 3 mil médicos em formação na especialidade por ano. A projeção considera a abertura de novas residências em Medicina Intensiva iniciadas em 2026.
O Ministério da Saúde acenou com uma possível solução, em curto prazo, para a qualificação dos serviços de terapia intensiva, com melhoria no financiamento, conforme complexidade e resultados das unidades. Durante reunião no Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência (DAHU), o diretor da área, Fernando Figueira, informou que há avanços nas discussões sobre modelos de remuneração baseados em valores e dados.
Segundo ele, a intenção é elaborar, até o fim do ano, uma fórmula que aponte “mecanismos que permitam avaliar cenários e indicadores das UTIs e estabelecer critérios para aprimorar a remuneração das unidades a partir da qualidade do trabalho desenvolvido”. Figueira atribuiu esse avanço ao diálogo que o Governo tem mantido com a Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB, por meio de sua diretoria. “Essa abertura tem trazido bons resultados para o sistema”, acrescentou.
Evolução das UTIs – Na reunião no DAHU, na terça-feira (22), em Brasília (DF), o foco das discussões recaiu sobre a evolução das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no país na perspectiva de sua qualificação, financiamento, estrutura e composição de equipes. Além de qualificar o trabalho realizado, o grupo está preocupado em encontrar formas de ampliar o acesso à assistência nesse nível de complexidade.
Durante a rodada, Ederlon Rezende, presidente do Conselho Consultivo da AMIB, apontou a relevância de que as discussões sejam feitas com base em indicadores e com foco no aperfeiçoamento das unidades. Neste sentido, defendeu que os dados ajudam a fazer o diagnóstico de situação. “Precisamos olhar para as diferentes realidades das UTIs brasileiras e possuir informações que permitam qualificar a assistência e identificar os principais desafios”, afirma.
Diálogo – O presidente da AMIB concordou com essa posição e ressaltou a urgência de soluções que tragam melhorias, em vários aspectos, sempre com foco no cuidado oferecido ao paciente grave. Para Cristiano Franke, o diálogo com o Ministério da Saúde é necessário, pois, permite a construção conjunta de estratégias para qualificar as UTIs e ampliar as condições de atendimento na alta complexidade de forma estruturada.
No mesmo dia, os representantes da AMIB participaram de outros encontros em Brasília. Levaram suas preocupações e propostas para o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS), onde apresentaram resultados do Inquérito sobre a Força de Trabalho nas UTIs, e estiveram no Sistema Nacional de Transplantes (SNT) para falar sobre novos projetos de capacitação na área.
Além de Cristiano Franke e Ederlon Rezende, estavam na comitiva da AMIB o diretor-presidente da Comissão de Ética e Defesa do Exercício Profissional, Marcelo Maia; e o médico intensivista e membro do Comitê de Doação e Transplantes da AMIB, Joel de Andrade.

Uma comitiva da Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB foi à Brasília, na terça-feira (22), para tratar da continuidade de parceria institucional que tem permitido a capacitação de médicos e outros membros de equipes de saúde para atuar nos processos de doação e transplante de órgãos.
O trabalho tem sido desenvolvido no escopo de acordo por meio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), no âmbito do Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos para Transplantes (PRODOT), do Ministério da Saúde. Neste processo, a AMIB responde pela capacitação técnica dos inscritos.
A formação busca qualificar os profissionais nas diferentes etapas que antecedem uma doação. Isso inclui a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica, a manutenção clínica do potencial doador e a comunicação com os familiares. Um dos objetivos é ampliar o número de profissionais preparados para conduzir esse processo e contribuir para a redução da não autorização familiar para a doação.
Atividades – Até julho, haviam sido realizados 69 cursos, distribuídos em 23 módulos e com atividades em 23 estados brasileiros. No entanto, outros treinamentos ocorreram em agosto e há previsão de iniciativas do tipo também em setembro, outubro e novembro.
Entre os participantes capacitados estão 785 médicos, que receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. Também foram capacitados 989 enfermeiros, 37 técnicos de enfermagem, 14 farmacêuticos, 110 assistentes sociais e 118 psicólogos, além de profissionais de outras áreas.
O médico intensivista Joel de Andrade, membro do Comitê de Doação e Transplantes da AMIB, destacou como esse trabalho aperfeiçoa a participação das equipes de terapia intensiva nas diferentes etapas desse processo. “A capacitação dos profissionais fortalece esse fluxo e contribui para ampliar as possibilidades de transplante”, destacou.
Por sua vez, a coordenadora-geral do SNT, Patrícia Gonçalves Freire dos Santos, ressaltou a importância da Associação e de sua atuação na capacitação dos profissionais nesta seara. “É um grande prazer receber os representantes da AMIB e saber que podemos contar com o apoio da Associação para qualificação processos”, afirmou.
Já Cristiano Franke, presidente da AMIB, ressaltou que a integração entre a terapia intensiva e o SNT é estratégica para o aprimoramento de toda a cadeia de doação e transplante. Além de Franke e de Andrade, acompanharam as discussões o diretor-presidente da Comissão de Ética e Defesa do Exercício Profissional, Marcelo Maia; e o presidente do Conselho Consultivo da AMIB, Ederlon Rezende
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A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB apresentou ao Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS) dados do Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras. Durante o encontro, em Brasília (DF), na terça-feira (22), foram discutidas medidas voltadas à valorização dos médicos intensivistas e à implementação de melhores condições para o funcionamento das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do país.
O encontro e a apresentação dos dados ao CONASS integram uma série de ações da AMIB voltadas à valorização da Medicina Intensiva. A proposta é ampliar o diálogo com gestores e autoridades e levar o diagnóstico produzido pelo Inquérito a diferentes instâncias responsáveis pela formulação e execução de políticas de saúde. “Com os dados em mãos, fica claro quais os principais desafios e quais ações precisam ser tomadas”, afirmou Cristiano Franke, presidente da Associação.
O secretário-executivo do CONASS, Jurandi Frutuoso, demonstrou disposição para dar continuidade ao diálogo e levar as questões apresentadas pela AMIB aos secretários estaduais de Saúde. “A AMIB é sempre muito bem-vinda para trazer temas dessa importância ao CONASS. Esses dados são importantes porque conseguimos raciocinar sobre eles e trocar ideias com nossos secretários para poder efetivar e resolver essas questões”, afirmou.
Médicos intensivistas – Os dados apresentados mostraram alguns dos problemas que afetam a atuação dos médicos intensivistas e a assistência à população. Conduzido pela AMIB, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Inquérito ouviu 2.338 profissionais em 26 estados e no Distrito Federal.
Dentre outros resultados, os números apontam que 48,5% dos médicos que atuam em UTIs apresentam nível elevado de esgotamento mental e emocional. Também revelam que 46,4% desse grupo relatam baixo grau de satisfação com suas atividades. Ao todo, 79,7% dos entrevistados indicaram necessidade de atenção e cuidado com a saúde emocional.
Para Cristiano Franke, os resultados do estudo mostram a importância de uma atuação conjunta entre entidades médicas, gestores e agentes reguladores. “Apresentamos os principais achados desse trabalho feito em parceria com o CFM. Compartilhamos o perfil dos profissionais que estão atuando, hoje, nas terapias intensivas e discutimos como podemos evoluir no cuidado do paciente grave”, afirmou.
O presidente da AMIB destacou ainda que a qualificação do atendimento nas UTIs passa também pelas condições oferecidas aos profissionais responsáveis pelo cuidado. O Inquérito aponta que médicos com maior grau de especialização apresentam menores níveis de esgotamento e distanciamento afetivo e maior grau de realização pessoal. Ele reiterou que o diagnóstico realizado subsidiará o debate com gestores públicos sobre a realidade da força de trabalho médica nas UTIs, a importância de sua valorização e o aumento de investimentos nas unidades.
Agenda nacional – Para o presidente da Comissão de Ética e Defesa do Exercício Profissional da AMIB, Marcelo Maia, a reunião com o CONASS representa mais um passo importante na construção de uma agenda nacional voltada ao fortalecimento da Terapia Intensiva e à qualificação da assistência ao paciente crítico no Brasil.
“Precisamos transformar informação em planejamento. Não é possível discutir a expansão ou a qualificação dos leitos de terapia intensiva sem discutir, simultaneamente, quem estará à frente desses leitos, com qual formação, em quais condições de trabalho e com quais perspectivas de carreira. A força de trabalho médica é parte indissociável da qualidade e da segurança da assistência ao paciente crítico”, avalia.
Ainda segundo Marcelo Maia, a discussão vai além do dimensionamento numérico de profissionais. “Passa pela formação especializada, valorização do título de especialista e do RQE em Medicina Intensiva, ampliação e fortalecimento dos programas de residência médica, educação continuada, condições adequadas de trabalho, modelos de contratação, saúde ocupacional e estratégias para reduzir as desigualdades regionais na distribuição dos intensivistas”.
Pela AMIB, participaram da reunião: Cristiano Franke (presidente), Ederlon Rezende (presidente do Conselho Consultivo), Marcelo Maia (diretor da Comissão de Ética e Defesa do Exercício Profissional) e Joel Andrade (membro do Comitê de Doação e Transplantes). Pelo CONASS, estavam o médico Jurandi Frutuoso (secretário-executivo) e Haroldo Jorge de Carvalho Pontes (assessor técnico de Gestão do Trabalho, Educação na Saúde, Saúde Indígena e Controle Social).

Quase metade (48,5%) dos médicos que trabalham nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) apresenta nível elevado de esgotamento mental e emocional. Além do estresse acumulado, parcela significativa desses profissionais (46,4%) relata baixo grau de satisfação com suas atividades. Esses dados fazem parte do Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras, conduzido pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).
A divulgação do capítulo sobre saúde mental dos médicos que atuam em medicina intensiva no Brasil aconteceu na terça-feira, 15 de setembro, na sede da AMIB, em São Paulo. Além da presença dos principais veículos de imprensa, o evento contou com a participação do presidente da AMIB, Cristiano Franke; Flávia Machado, diretora presidente futura; Patrícia Mello, diretora presidente passada; Ederlon Rezende, diretor presidente do Conselho Consultivo; e Marcelo Maia, diretor presidente da Comissão de Ética e Defesa do Exercício Profissional. Representando o CFM, estiveram presentes a 2ª vice-presidente, Rosylane Rocha, e o diretor, Estevam Rivello. Já a AMB foi representada por José Eduardo Lutaif Dolci.
Os achados dessa investigação, que ouviu 2.338 profissionais em 26 estados e Distrito Federal, sugerem um quadro de grande vulnerabilidade dos médicos que atuam nas UTIs brasileiras à síndrome de Burnout, fenômeno caracterizado pela exaustão emocional, distanciamento afetivo e sensação de baixa realização pessoal.
“Um sistema de saúde só é resiliente se cuida também de quem sustenta o cuidado. Os dados desse Inquérito mostram que a saúde mental dos médicos das UTIs não pode ser tratada como pauta secundária. Ela é questão prioritária para políticas públicas, que exige mobilização de gestores, instituições e autoridades de saúde. Seguiremos empenhados em transformar esse diagnóstico em ação concreta”, afirma Cristiano Franke, presidente da AMIB.
A investigação mostra que quatro em cada cinco (79,7%) médicos que atuam em UTIs requerem atenção e cuidado com a saúde emocional. Enquanto 31,2% indicaram um esgotamento moderado, a maioria (48,5%) sinalizou um alto nível de desgaste. Do total de entrevistados, apenas 20,3% relataram baixos níveis de esgotamento emocional.
Na avaliação da AMIB, que acompanha a atuação dos médicos das UTIs de forma rotineira, esse quadro decorre, possivelmente, da carga horária de trabalho elevada, da exposição constante às situações críticas, como a precariedade da infraestrutura e a demanda crescente da população por cuidados diante de uma rede de cobertura limitada. Também são apontados como fatores potenciais para essa situação o confronto diário dos profissionais com situações limite (dor, sofrimento e morte) e a exigência de tomadas de decisões necessariamente ágeis e precisas.
A situação de desgaste emocional verificada no inquérito parece guardar estreita relação com a quantidade de profissionais que indicaram algum grau de frustração no exercício da função. A satisfação baixa com a atividade desempenhada, apontada por 46,4%, segue o mesmo patamar proporcional daqueles que indicaram altos níveis de esgotamento mental. Quando inseridos aqueles com grau moderado de satisfação – o que também demanda atenção –, 84,5% da força de trabalho médica demonstra não estar totalmente satisfeita com o próprio exercício da medicina nas UTIs.
A tríade que contribui para o surgimento da síndrome do Burnout se fecha com a detecção de que 45,6% dos respondentes afirmam ter algum grau de despersonalização, fenômeno caracterizado pelo distanciamento emocional e pela adoção de atitudes classificadas como frias, apáticas ou até mesmo cínicas com relação a pacientes e colegas de trabalho. Esse comportamento prejudicial ao ambiente assistencial compromete a qualidade do atendimento, afeta a dinâmica de comunicação nas equipes e se contrapõe à humanização do cuidado. Enquanto 29,6% dos médicos responderam por um nível moderado de despersonalização, 16% reportaram níveis elevados desta percepção.
Apesar de não se aprofundar no tema, o estudo sugere que a qualificação dos especialistas é fator protetor contra esse cenário de esgotamento emocional, afastamento afetivo e baixo nível de realização profissional. Os dados mostram que, quanto maior o grau de especialização do médico que trabalha no ambiente intensivo, menor o nível de esgotamento mental, menor a referência a comportamentos de distanciamento afetivo e maior o grau de realização pessoal com o exercício da profissão.
Por outro lado, quanto menos especializado o médico, maiores os níveis de esgotamento, de distanciamento e menor a satisfação com o próprio desempenho. “O inquérito mostra como a qualidade da formação dos médicos em Medicina Intensiva vai além dos títulos. Ela impacta na saúde mental e física dos médicos e, por conseguinte, na qualidade da assistência que é destinada ao paciente crítico”, conclui Franke.
Entre os médicos intensivistas, 44,5% relataram alto nível de esgotamento emocional, 12,7% alto grau de “despersonalização” e 39,8% baixo nível de satisfação com o próprio desempenho. Em contraste, entre os médicos generalistas que trabalham nas UTIs, os percentuais foram 52,3%, 20,1% e 50,7%, respectivamente.
Alta especialização – A UTI é um dos ambientes mais exigentes da medicina. Quem trabalha com pacientes críticos precisa de alta especialização técnica, saber tomar decisões sob pressão e ter discernimento para enfrentar dilemas éticos. Tudo isso em um contexto de proximidade com a dor, o sofrimento e o risco de morte entre os pacientes.
Essa combinação explosiva é reconhecida internacionalmente como fator para o desgaste emocional. Em todo o mundo, diferentes estudos apontam que a prevalência de burnout entre médicos que atuam em serviços de UTI pode ultrapassar os 50%, sendo a exaustão emocional o componente mais presente. Entender como esse fenômeno se materializa no Brasil foi o que levou a AMIB a propor o desenvolvimento desse Inquérito, cujos resultados poderão auxiliar os especialistas e os gestores públicos e privados a combater os contextos negativos.
Sem esse enfrentamento, a situação tende a piorar por conta da série de problemas gerados, calcula a Associação de Medicina Intensiva, para quem o desgaste dos médicos e das equipes compromete o desempenho clínico e a qualidade de vida dos profissionais, o que reverbera na assistência aos pacientes. Para a AMIB, médicos exaustos, sem estímulos profissionais e submetidos à pressão de pacientes e familiares devido à falta de infraestrutura ficam suscetíveis a perda de foco na condução de suas rotinas.
“Quem trabalha em uma UTI vê a vida de seus pacientes por um fio. Se o médico está esgotado, sua atuação pode ser menos consistente do que o desejado. Por isso, é preciso inverter a lógica desse jogo e também cuidar daqueles que cuidam para sustentar a qualidade da assistência ao paciente crítico no Brasil”, ressaltou Franke.
Diagnóstico para autoridades – Segundo ele, com os resultados do Inquérito, a AMIB pretende levar esse diagnóstico às autoridades e pressionar por medidas que podem mudar esse cenário. Serão destinatários desse documento, políticos, gestores e membros dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como o Ministério Público, entidades médicas nacionais e outros órgãos de fiscalização e controle.
Franke ressalta que a intenção da AMIB é “criar uma grande rede de apoio à medicina intensiva no país que reivindique a adoção de políticas públicas que ajudem a combater os cenários desfavoráveis para as UTIs”. Os insights que o levantamento traz delineiam de modo concreto, por exemplo, os fatores que comprometem a qualidade de vida dos médicos desses serviços e, por consequência, impactam negativamente em sua rotina de trabalho
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Decisões representam avanços na formação médica e ampliam as possibilidades de qualificação de especialistas em Medicina Intensiva
A Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) aprovou, na última plenária, realizada em 26 de agosto, duas medidas importantes para a formação em Medicina Intensiva. A primeira é a criação da área de atuação em Cardiointensivismo, com duração de um ano, destinada a intensivistas e cardiologistas. A segunda é o quarto ano opcional de formação em Medicina Intensiva (R4), que permitirá ao especialista ampliar sua qualificação por mais um ano, com foco no aprimoramento de competências avançadas específicas da área. O Cardiointensivismo será destinado a médicos com formação em Medicina Intensiva ou Cardiologia.
A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB avalia as medidas como avanços importantes para a especialidade e respondem à crescente complexidade do atendimento ao paciente cardiovascular crítico. “É uma grande conquista para a nossa especialidade, essa aprovação do cardiointensivismo, que já tinha aprovação prévia pelo Conselho Federal de Medicina, da Associação Médica Brasileira (AMB), e agora a CNRM. É importante lembrar que é uma área de atuação construída junto da Sociedade Brasileira de Cardiologia”, ressalta o presidente da AMIB, Cristiano Franke.
Sobre o quarto ano opcional, Franke destaca a possibilidade de ampliar a formação e qualificação dos especialistas durante a residência. “O quarto ano adicional, o R4 de Medicina Intensiva, é uma grande oportunidade de atender os profissionais que têm interesse em desenvolver uma formação adicional e voltada para aprimorar o conhecimento de gestão, preceptoria, comunicação, pesquisa e/ou outras áreas da Medicina Intensiva”, comenta.
Na avaliação do presidente da AMIB, as duas medidas dialogam com um movimento de qualificação contínua da Medicina Intensiva brasileira. “A própria AMIB vem ampliando iniciativas voltadas à formação e à avaliação de competências dos especialistas, incluindo o Teste de Progresso para residentes e especializandos, o FormAMIB”, exemplifica. Também em iniciativa inédita com a CNRM em parceria para contribuir nas avaliações dos programas de residência existentes e de novos credenciamentos.
Estas novidades terão início já em 2027.
A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) capacitou 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos entre setembro de 2025 e agosto de 2026. Até o momento, o resultado, que já superou em 25% a meta inicial desse projeto de 2 mil participantes capacitados, faz parte do esforço para reduzir a resistência das famílias em autorizarem a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica.
A formação busca qualificar as diferentes etapas que antecedem uma doação. Isso inclui a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica, a manutenção clínica do potencial doador e a comunicação com os familiares. Um dos objetivos é ampliar o número de profissionais preparados para conduzir esse processo e contribuir para a redução da não autorização familiar para a doação.
“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família”, afirma o presidente da AMIB, Cristiano Franke. Segundo ele, equipes preparadas tornam o processo mais seguro, padronizado e confiável, desde a identificação do potencial doador até a abordagem dos familiares.
Transplantes no Brasil – Esse problema ainda tem peso expressivo no funcionamento desse tipo de assistência no Brasil. Dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), mostram que, em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas.
No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024. Apesar do avanço, a distância em relação às principais referências internacionais permanece elevada. Na Espanha, país que há décadas apresenta resultados de destaque na área, a taxa chegou a 51,9 doadores falecidos por milhão de habitantes em 2025. Foram 2.547 doadores falecidos e 6.335 transplantes realizados naquele ano.
Os números ajudam a dimensionar o potencial de crescimento brasileiro. A taxa espanhola de doadores por milhão é cerca de 2,6 vezes a registrada no Brasil. Ao mesmo tempo, mais de 80 mil pessoas aguardavam por um transplante no país em 2025, segundo o Ministério da Saúde.
Setembro Verde – A divulgação dos dados ocorre durante o Setembro Verde, período em que instituições de saúde, entidades médicas e órgãos públicos intensificam as ações de conscientização e incentivo a este tipo de assistência de alta complexidade. Até agosto, já haviam sido realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos e com atividades em 25 estados brasileiros.
No entanto, os números devem melhorar ainda mais, pois ainda estão previstas pelo menos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto. Neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC). Esse treinamento realizado pela AMIB resulta de uma parceria da entidade com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos para Transplantes (PRODOT), e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Entre os participantes capacitados, até agosto, estão 933 médicos. Dentre eles, 473 receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. Todos os outros, bem como profissionais de outras áreas, tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC). Esse grupo inclui 1215 enfermeiros, 139 psicólogos, 124 assistentes sociais, 48 técnicos de enfermagem, 27 fisioterapeutas, 18 administradores, 14 farmacêuticos, 11 odontólogos, 2 biólogos, 1 nutricionista e 1 pedagogo.

Comunicação com as famílias – A legislação brasileira estabelece que a retirada de órgãos de uma pessoa falecida depende da autorização da família. Por isso, a entrevista familiar é uma etapa decisiva do processo, sendo que as situações de negativa à autorização para doação se relacionam a diferentes fatores.
Estudos apontam dificuldades para compreender ou aceitar o diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar.
A forma como a notícia da morte é comunicada também influencia esse momento. Pesquisadores indicam a percepção nas famílias entrevistadas para doação de problemas como dificuldade de compreensão da morte encefálica e percepção de preparo insuficiente das equipes. Parte delas também considerou inadequado o tempo disponível para assimilar a perda e decidir sobre a doação.
Diante desse cenário, a AMIB promove uma capacitação que não se limite aos aspectos técnicos. O treinamento busca preparar os profissionais para uma comunicação clara e respeitosa. A estratégia inclui acolher a família, explicar o significado da morte encefálica em linguagem compreensível, esclarecer dúvidas e oferecer condições para que a decisão seja tomada de forma informada e sem pressão.
Para a coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Patrícia Freire, a qualificação permite identificar potenciais doadores, conduzir adequadamente o diagnóstico de morte encefálica, manter sua estabilidade clínica e acolher as famílias com segurança, sensibilidade e respeito. O resultado esperado é aumentar o número de órgãos doados e contribuir para a redução das listas de espera.
Mudanças que chegam às UTIs – Os efeitos da formação já são relatados nos estados onde os cursos foram realizados. Em Macapá, a médica intensivista Ivna Amanajás, responsável técnica pela UTI do Hospital Oswaldo Cruz, afirma que a capacitação modificou a rotina relacionada à identificação e à notificação de casos de morte encefálica.
Segundo ela, que também é coordenadora da Câmara Técnica de Medicina Intensiva do Conselho Federal de Medicina (CFM), as equipes passaram a compreender melhor o fluxo e a importância do diagnóstico, da notificação e do registro. O treinamento também estimulou profissionais a buscar formação complementar. Em uma das equipes em que atua, três dos oito médicos participaram posteriormente de capacitação em ultrassom Doppler transcraniano.
No Maranhão, o médico intensivista Hiago Bastos, presidente da Sociedade de Terapia Intensiva do Maranhão, também relata repercussões práticas. Ele afirma que a capacitação aumentou a segurança na identificação e na manutenção de potenciais doadores e na condução dos protocolos de morte encefálica.
O treinamento também contribuiu para aprimorar a comunicação com as famílias e a integração das equipes assistenciais com a Central Estadual de Transplantes. Para Bastos, a educação continuada e a padronização das condutas integram o processo que tem acompanhado o crescimento das notificações de potenciais doadores, das doações efetivas e dos transplantes no estado.
“Nestes 21 anos em trabalho com o Sistema Nacional de Transplantes, tenho testemunhado o enorme impacto da educação no processo de doação de órgãos e realização de procedimentos. Não há outra intervenção tão poderosa para alterar os desfechos das diversas etapas e do resultado global deste processo”, compartilhou Joel de Andrade, membro do Comitê de Doação e Transplantes da AMIB, coordenador Estadual de Transplantes de Santa Catarina e responsável Técnico pela Coordenação Geral do Sistema Nacional de Transplantes
Interesse da AMIB – A experiência dos primeiros meses e a procura pelas capacitações reforçam o interesse da AMIB em dar continuidade à iniciativa nos próximos anos. O presidente da Associação acredita ser possível ampliar ainda mais o número de profissionais preparados e consolidar uma rede de especialistas capaz de disseminar protocolos e boas práticas nos serviços de saúde.
Com estratégia alinhada à Política Nacional de Doação e Transplantes e com o apoio do Ministério da Saúde e de outros parceiros institucionais, Cristiano Franke espera dar continuidade à participação da AMIB dentro Programa, permitindo levar a capacitação a mais equipes e serviços, com atenção especial às UTIs, onde ocorre parte importante da identificação e manutenção dos potenciais doadores. “O desafio é transformar a expansão do conhecimento técnico em melhoria dos processos de doação e, consequentemente, em maior disponibilidade de órgãos para transplante no país”, concluiu.
Representantes da AMIB participaram de reunião no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) para discutir a qualificação das UTIs, a precarização dos vínculos dos profissionais intensivistas, a fiscalização das unidades e o cumprimento das normas técnicas e regulamentações relacionadas à atuação desses profissionais.
Segundo o presidente da AMIB, Dr. Cristiano Franke, o encontro resultou na articulação de ações junto às direções técnicas dos hospitais para verificar a composição das equipes das UTIs. Também foi discutida a organização de um fluxo para encaminhamento de denúncias, com a colaboração da AMIB, e a elaboração de material educativo para ampliar a divulgação das atribuições dos profissionais intensivistas previstas nas normas do CFM.
Para Dr. Marcelo Moock, membro do Comitê de Defesa Profissional da AMIB, o cumprimento da legislação está diretamente relacionado à qualidade da assistência:
“Cumprir a legislação sanitária não deve ser entendido apenas como uma obrigação administrativa ou regulatória. Trata-se de uma medida concreta de segurança do paciente. A adequada composição das equipes, associada à qualificação e à capacitação permanente dos profissionais, permite que a UTI esteja preparada para reconhecer precocemente as situações de deterioração clínica e atuar de forma rápida, coordenada e tecnicamente qualificada.”
Dr. João Manoel Silva Junior, membro do Comitê de Farmacologia Aplicada, Toxicologia e Farmacovigilância da AMIB, destacou também a importância da iniciativa para a valorização profissional:
“Valorizar o intensivista passa, antes de tudo, por garantir o cumprimento das normas já existentes e condições adequadas para o exercício da especialidade. A reunião no CREMESP foi um importante passo nesse caminho, buscando fortalecer a Medicina Intensiva e assegurar uma atuação profissional segura, sempre em benefício do paciente.”
Cristina Prata, Conselheira do CREMESP, ressaltou que os principais desafios estão relacionados à transformação das normas que regulamentam o funcionamento das UTIs em medidas efetivas de qualidade assistencial e segurança para o paciente.
“CREMESP e AMIB compartilham objetivos fundamentais: a valorização e a defesa do exercício médico qualificado e a busca permanente pela melhor assistência ao paciente crítico. Nesse sentido, a atuação conjunta pode contribuir para que as UTIs disponham de profissionais habilitados e adequadamente capacitados, além de estruturas, processos de trabalho e equipes compatíveis com a complexidade da terapia intensiva”, afirmou.
A representante também destacou a importância de uma atuação que vá além do cumprimento formal das normas, com foco na segurança do paciente e na qualificação da assistência:
“A presença de profissionais especializados, a adequada organização das equipes, a definição clara de responsabilidades e a existência de processos assistenciais bem estruturados têm impacto direto sobre a qualidade do cuidado e sobre a redução de riscos e eventos adversos.”
A AMIB seguirá atuando institucionalmente para fortalecer a Medicina Intensiva, defender condições adequadas para o exercício da especialidade e contribuir para uma assistência cada vez mais segura e qualificada nas UTIs.

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB, em parceria com a Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT), do Ministério da Saúde, promove o Curso de Doppler Transcraniano (DTC) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A iniciativa integra o Programa de Capacitação e Atualização da AMIB e tem como objetivo qualificar médicos para a realização e interpretação do exame, especialmente em situações relacionadas à lesão cerebral aguda grave e à determinação de morte encefálica.
Com duração de 16 horas, distribuídas em dois dias, o curso combina conteúdo teórico, discussão de casos clínicos e atividades práticas com voluntários e pacientes críticos. A programação aborda aplicações do DTC em situações como acidente vascular cerebral, traumatismo cranioencefálico, hipertensão intracraniana e determinação de morte encefálica.
A formação é destinada a médicos com especialização ou atuação preferencial em Medicina Intensiva, Cardiologia, Neurologia, Radiologia e Medicina de Emergência. Entre os critérios está a disponibilidade de equipamento de Doppler Transcraniano na instituição ou rede em que o profissional atua, permitindo a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos. Experiência prévia com exames ultrassonográficos também é recomendada.
As vagas são limitadas e a seleção dos participantes é realizada a partir de direcionamento do Ministério da Saúde. Por meio das Centrais Estaduais de Transplantes, são indicados os profissionais e as instituições participantes, de acordo com o planejamento estabelecido para cada região. Cabe à AMIB organizar e executar os cursos, com instrutores especializados e atividades teóricas e práticas. Cada turma será composta por 24 médicos.
CRONOGRAMA – As capacitações serão realizadas em Fortaleza (CE), nos dias 11 e 12 de setembro; Goiânia (GO), em 1º e 2 de outubro; e Belém (PA), em 6 e 7 de novembro.
Para o presidente da AMIB, Cristiano Franke, a parceria com o Ministério da Saúde dá continuidade às ações desenvolvidas pela entidade para qualificar profissionais envolvidos no processo de doação e transplantes de órgãos, especialmente em etapas relacionadas à determinação de morte encefálica.
“Essa é mais uma parceria com o Ministério da Saúde voltada à capacitação e à qualificação dos profissionais que atuam no processo de doação e transplantes de órgãos. No ano passado, iniciamos um trabalho nessa área que já capacitou mais de 2 mil profissionais da rede, entre eles 785 médicos. Agora, damos continuidade a essa atuação, ampliando a formação de profissionais para uma etapa que exige conhecimento técnico e critérios rigorosos”, afirma.