Levantamento aponta cenário de esgotamento emocional e burnout dos médicos que atuam nas UTIs no Brasil

Quase metade (48,5%) dos médicos que trabalham nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) apresenta nível elevado de esgotamento mental e emocional. Além do estresse acumulado, parcela significativa desses profissionais (46,4%) relata baixo grau de satisfação com suas atividades. Esses dados fazem parte do Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras, conduzido pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).

A divulgação do capítulo sobre saúde mental dos médicos que atuam em medicina intensiva no Brasil aconteceu na terça-feira, 15 de setembro, na sede da AMIB, em São Paulo. Além da presença dos principais veículos de imprensa, o evento contou com a participação do presidente da AMIB, Cristiano Franke; Flávia Machado, diretora presidente futura; Patrícia Mello, diretora presidente passada; Ederlon Rezende, diretor presidente do Conselho Consultivo; e Marcelo Maia, diretor presidente da Comissão de Ética e Defesa do Exercício Profissional. Representando o CFM, estiveram presentes a 2ª vice-presidente, Rosylane Rocha, e o diretor, Estevam Rivello. Já a AMB foi representada por José Eduardo Lutaif Dolci.

Os achados dessa investigação, que ouviu 2.338 profissionais em 26 estados e Distrito Federal, sugerem um quadro de grande vulnerabilidade dos médicos que atuam nas UTIs brasileiras à síndrome de Burnout, fenômeno caracterizado pela exaustão emocional, distanciamento afetivo e sensação de baixa realização pessoal.

“Um sistema de saúde só é resiliente se cuida também de quem sustenta o cuidado. Os dados desse Inquérito mostram que a saúde mental dos médicos das UTIs não pode ser tratada como pauta secundária. Ela é questão prioritária para políticas públicas, que exige mobilização de gestores, instituições e autoridades de saúde. Seguiremos empenhados em transformar esse diagnóstico em ação concreta”, afirma Cristiano Franke, presidente da AMIB.

A investigação mostra que quatro em cada cinco (79,7%) médicos que atuam em UTIs requerem atenção e cuidado com a saúde emocional. Enquanto 31,2% indicaram um esgotamento moderado, a maioria (48,5%) sinalizou um alto nível de desgaste. Do total de entrevistados, apenas 20,3% relataram baixos níveis de esgotamento emocional.

Na avaliação da AMIB, que acompanha a atuação dos médicos das UTIs de forma rotineira, esse quadro decorre, possivelmente, da carga horária de trabalho elevada, da exposição constante às situações críticas, como a precariedade da infraestrutura e a demanda crescente da população por cuidados diante de uma rede de cobertura limitada. Também são apontados como fatores potenciais para essa situação o confronto diário dos profissionais com situações limite (dor, sofrimento e morte) e a exigência de tomadas de decisões necessariamente ágeis e precisas.

A situação de desgaste emocional verificada no inquérito parece guardar estreita relação com a quantidade de profissionais que indicaram algum grau de frustração no exercício da função. A satisfação baixa com a atividade desempenhada, apontada por 46,4%, segue o mesmo patamar proporcional daqueles que indicaram altos níveis de esgotamento mental. Quando inseridos aqueles com grau moderado de satisfação – o que também demanda atenção –, 84,5% da força de trabalho médica demonstra não estar totalmente satisfeita com o próprio exercício da medicina nas UTIs.

A tríade que contribui para o surgimento da síndrome do Burnout se fecha com a detecção de que 45,6% dos respondentes afirmam ter algum grau de despersonalização, fenômeno caracterizado pelo distanciamento emocional e pela adoção de atitudes classificadas como frias, apáticas ou até mesmo cínicas com relação a pacientes e colegas de trabalho. Esse comportamento prejudicial ao ambiente assistencial compromete a qualidade do atendimento, afeta a dinâmica de comunicação nas equipes e se contrapõe à humanização do cuidado. Enquanto 29,6% dos médicos responderam por um nível moderado de despersonalização, 16% reportaram níveis elevados desta percepção.

Apesar de não se aprofundar no tema, o estudo sugere que a qualificação dos especialistas é fator protetor contra esse cenário de esgotamento emocional, afastamento afetivo e baixo nível de realização profissional. Os dados mostram que, quanto maior o grau de especialização do médico que trabalha no ambiente intensivo, menor o nível de esgotamento mental, menor a referência a comportamentos de distanciamento afetivo e maior o grau de realização pessoal com o exercício da profissão.

Por outro lado, quanto menos especializado o médico, maiores os níveis de esgotamento, de distanciamento e menor a satisfação com o próprio desempenho. “O inquérito mostra como a qualidade da formação dos médicos em Medicina Intensiva vai além dos títulos. Ela impacta na saúde mental e física dos médicos e, por conseguinte, na qualidade da assistência que é destinada ao paciente crítico”, conclui Franke.

Entre os médicos intensivistas, 44,5% relataram alto nível de esgotamento emocional, 12,7% alto grau de “despersonalização” e 39,8% baixo nível de satisfação com o próprio desempenho. Em contraste, entre os médicos generalistas que trabalham nas UTIs, os percentuais foram 52,3%, 20,1% e 50,7%, respectivamente.

Alta especialização – A UTI é um dos ambientes mais exigentes da medicina. Quem trabalha com pacientes críticos precisa de alta especialização técnica, saber tomar decisões sob pressão e ter discernimento para enfrentar dilemas éticos. Tudo isso em um contexto de proximidade com a dor, o sofrimento e o risco de morte entre os pacientes.

Essa combinação explosiva é reconhecida internacionalmente como fator para o desgaste emocional. Em todo o mundo, diferentes estudos apontam que a prevalência de burnout entre médicos que atuam em serviços de UTI pode ultrapassar os 50%, sendo a exaustão emocional o componente mais presente. Entender como esse fenômeno se materializa no Brasil foi o que levou a AMIB a propor o desenvolvimento desse Inquérito, cujos resultados poderão auxiliar os especialistas e os gestores públicos e privados a combater os contextos negativos.

Sem esse enfrentamento, a situação tende a piorar por conta da série de problemas gerados, calcula a Associação de Medicina Intensiva, para quem o desgaste dos médicos e das equipes compromete o desempenho clínico e a qualidade de vida dos profissionais, o que reverbera na assistência aos pacientes. Para a AMIB, médicos exaustos, sem estímulos profissionais e submetidos à pressão de pacientes e familiares devido à falta de infraestrutura ficam suscetíveis a perda de foco na condução de suas rotinas.

“Quem trabalha em uma UTI vê a vida de seus pacientes por um fio. Se o médico está esgotado, sua atuação pode ser menos consistente do que o desejado. Por isso, é preciso inverter a lógica desse jogo e também cuidar daqueles que cuidam para sustentar a qualidade da assistência ao paciente crítico no Brasil”, ressaltou Franke.

Diagnóstico para autoridades – Segundo ele, com os resultados do Inquérito, a AMIB pretende levar esse diagnóstico às autoridades e pressionar por medidas que podem mudar esse cenário. Serão destinatários desse documento, políticos, gestores e membros dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como o Ministério Público, entidades médicas nacionais e outros órgãos de fiscalização e controle.

Franke ressalta que a intenção da AMIB é “criar uma grande rede de apoio à medicina intensiva no país que reivindique a adoção de políticas públicas que ajudem a combater os cenários desfavoráveis para as UTIs”. Os insights que o levantamento traz delineiam de modo concreto, por exemplo, os fatores que comprometem a qualidade de vida dos médicos desses serviços e, por consequência, impactam negativamente em sua rotina de trabalho

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CNRM aprova Cardiointensivismo e R4 opcional em Medicina Intensiva

Decisões representam avanços na formação médica e ampliam as possibilidades de qualificação de especialistas em Medicina Intensiva

A Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) aprovou, na última plenária, realizada em 26 de agosto, duas medidas importantes para a formação em Medicina Intensiva. A primeira é a criação da área de atuação em Cardiointensivismo, com duração de um ano, destinada a intensivistas e cardiologistas. A segunda é o quarto ano opcional de formação em Medicina Intensiva (R4), que permitirá ao especialista ampliar sua qualificação por mais um ano, com foco no aprimoramento de competências avançadas específicas da área. O Cardiointensivismo será destinado a médicos com formação em Medicina Intensiva ou Cardiologia.

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB avalia as medidas como avanços importantes para a especialidade e respondem à crescente complexidade do atendimento ao paciente cardiovascular crítico. “É uma grande conquista para a nossa especialidade, essa aprovação do cardiointensivismo, que já tinha aprovação prévia pelo Conselho Federal de Medicina, da Associação Médica Brasileira (AMB), e agora a CNRM. É importante lembrar que é uma área de atuação construída junto da Sociedade Brasileira de Cardiologia”, ressalta o presidente da AMIB, Cristiano Franke.

Sobre o quarto ano opcional, Franke destaca a possibilidade de ampliar a formação e qualificação dos especialistas durante a residência. “O quarto ano adicional, o R4 de Medicina Intensiva, é uma grande oportunidade de atender os profissionais que têm interesse em desenvolver uma formação adicional e voltada para aprimorar o conhecimento de gestão, preceptoria, comunicação, pesquisa e/ou outras áreas da Medicina Intensiva”, comenta.

Na avaliação do presidente da AMIB, as duas medidas dialogam com um movimento de qualificação contínua da Medicina Intensiva brasileira. “A própria AMIB vem ampliando iniciativas voltadas à formação e à avaliação de competências dos especialistas, incluindo o Teste de Progresso para residentes e especializandos, o FormAMIB”, exemplifica. Também em iniciativa inédita com a CNRM em parceria para contribuir nas avaliações dos programas de residência existentes e de novos credenciamentos.

Estas novidades terão início já em 2027.

Com a capacitação de mais de 2 mil profissionais pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira, o País quer reduzir a resistência à doação de órgãos

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) capacitou 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos entre setembro de 2025 e agosto de 2026. Até o momento, o resultado, que já superou em 25% a meta inicial desse projeto de 2 mil participantes capacitados, faz parte do esforço para reduzir a resistência das famílias em autorizarem a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica.

A formação busca qualificar as diferentes etapas que antecedem uma doação. Isso inclui a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica, a manutenção clínica do potencial doador e a comunicação com os familiares. Um dos objetivos é ampliar o número de profissionais preparados para conduzir esse processo e contribuir para a redução da não autorização familiar para a doação.

“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família”, afirma o presidente da AMIB, Cristiano Franke. Segundo ele, equipes preparadas tornam o processo mais seguro, padronizado e confiável, desde a identificação do potencial doador até a abordagem dos familiares.

Transplantes no Brasil – Esse problema ainda tem peso expressivo no funcionamento desse tipo de assistência no Brasil. Dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), mostram que, em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas.

No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024. Apesar do avanço, a distância em relação às principais referências internacionais permanece elevada. Na Espanha, país que há décadas apresenta resultados de destaque na área, a taxa chegou a 51,9 doadores falecidos por milhão de habitantes em 2025. Foram 2.547 doadores falecidos e 6.335 transplantes realizados naquele ano.

Os números ajudam a dimensionar o potencial de crescimento brasileiro. A taxa espanhola de doadores por milhão é cerca de 2,6 vezes a registrada no Brasil. Ao mesmo tempo, mais de 80 mil pessoas aguardavam por um transplante no país em 2025, segundo o Ministério da Saúde.

Setembro Verde – A divulgação dos dados ocorre durante o Setembro Verde, período em que instituições de saúde, entidades médicas e órgãos públicos intensificam as ações de conscientização e incentivo a este tipo de assistência de alta complexidade. Até agosto, já haviam sido realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos e com atividades em 25 estados brasileiros.

No entanto, os números devem melhorar ainda mais, pois ainda estão previstas pelo menos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto. Neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC). Esse treinamento realizado pela AMIB resulta de uma parceria da entidade com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos para Transplantes (PRODOT), e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Entre os participantes capacitados, até agosto, estão 933 médicos. Dentre eles, 473 receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. Todos os outros, bem como profissionais de outras áreas, tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC). Esse grupo inclui 1215 enfermeiros, 139 psicólogos, 124 assistentes sociais, 48 técnicos de enfermagem, 27 fisioterapeutas, 18 administradores, 14 farmacêuticos, 11 odontólogos, 2 biólogos, 1 nutricionista e 1 pedagogo.

Comunicação com as famílias – A legislação brasileira estabelece que a retirada de órgãos de uma pessoa falecida depende da autorização da família. Por isso, a entrevista familiar é uma etapa decisiva do processo, sendo que as situações de negativa à autorização para doação se relacionam a diferentes fatores.

Estudos apontam dificuldades para compreender ou aceitar o diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar.

A forma como a notícia da morte é comunicada também influencia esse momento. Pesquisadores indicam a percepção nas famílias entrevistadas para doação de problemas como dificuldade de compreensão da morte encefálica e percepção de preparo insuficiente das equipes. Parte delas também considerou inadequado o tempo disponível para assimilar a perda e decidir sobre a doação.

Diante desse cenário, a AMIB promove uma capacitação que não se limite aos aspectos técnicos. O treinamento busca preparar os profissionais para uma comunicação clara e respeitosa. A estratégia inclui acolher a família, explicar o significado da morte encefálica em linguagem compreensível, esclarecer dúvidas e oferecer condições para que a decisão seja tomada de forma informada e sem pressão.

Para a coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Patrícia Freire, a qualificação permite identificar potenciais doadores, conduzir adequadamente o diagnóstico de morte encefálica, manter sua estabilidade clínica e acolher as famílias com segurança, sensibilidade e respeito. O resultado esperado é aumentar o número de órgãos doados e contribuir para a redução das listas de espera.

Mudanças que chegam às UTIs – Os efeitos da formação já são relatados nos estados onde os cursos foram realizados. Em Macapá, a médica intensivista Ivna Amanajás, responsável técnica pela UTI do Hospital Oswaldo Cruz, afirma que a capacitação modificou a rotina relacionada à identificação e à notificação de casos de morte encefálica.

Segundo ela, que também é coordenadora da Câmara Técnica de Medicina Intensiva do Conselho Federal de Medicina (CFM), as equipes passaram a compreender melhor o fluxo e a importância do diagnóstico, da notificação e do registro. O treinamento também estimulou profissionais a buscar formação complementar. Em uma das equipes em que atua, três dos oito médicos participaram posteriormente de capacitação em ultrassom Doppler transcraniano.

No Maranhão, o médico intensivista Hiago Bastos, presidente da Sociedade de Terapia Intensiva do Maranhão, também relata repercussões práticas. Ele afirma que a capacitação aumentou a segurança na identificação e na manutenção de potenciais doadores e na condução dos protocolos de morte encefálica.

O treinamento também contribuiu para aprimorar a comunicação com as famílias e a integração das equipes assistenciais com a Central Estadual de Transplantes. Para Bastos, a educação continuada e a padronização das condutas integram o processo que tem acompanhado o crescimento das notificações de potenciais doadores, das doações efetivas e dos transplantes no estado.

“Nestes 21 anos em trabalho com o Sistema Nacional de Transplantes, tenho testemunhado o enorme impacto da educação no processo de doação de órgãos e realização de procedimentos. Não há outra intervenção tão poderosa para alterar os desfechos das diversas etapas e do resultado global deste processo”, compartilhou Joel de Andrade, membro do Comitê de Doação e Transplantes da AMIB, coordenador Estadual de Transplantes de Santa Catarina e responsável Técnico pela Coordenação Geral do Sistema Nacional de Transplantes

Interesse da AMIB – A experiência dos primeiros meses e a procura pelas capacitações reforçam o interesse da AMIB em dar continuidade à iniciativa nos próximos anos. O presidente da Associação acredita ser possível ampliar ainda mais o número de profissionais preparados e consolidar uma rede de especialistas capaz de disseminar protocolos e boas práticas nos serviços de saúde.

Com estratégia alinhada à Política Nacional de Doação e Transplantes e com o apoio do Ministério da Saúde e de outros parceiros institucionais, Cristiano Franke espera dar continuidade à participação da AMIB dentro Programa, permitindo levar a capacitação a mais equipes e serviços, com atenção especial às UTIs, onde ocorre parte importante da identificação e manutenção dos potenciais doadores. “O desafio é transformar a expansão do conhecimento técnico em melhoria dos processos de doação e, consequentemente, em maior disponibilidade de órgãos para transplante no país”, concluiu.

AMIB e CREMESP avançam em ações conjuntas para fortalecer a Medicina Intensiva e a assistência nas UTIs

Representantes da AMIB participaram de reunião no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) para discutir a qualificação das UTIs, a precarização dos vínculos dos profissionais intensivistas, a fiscalização das unidades e o cumprimento das normas técnicas e regulamentações relacionadas à atuação desses profissionais.

Segundo o presidente da AMIB, Dr. Cristiano Franke, o encontro resultou na articulação de ações junto às direções técnicas dos hospitais para verificar a composição das equipes das UTIs. Também foi discutida a organização de um fluxo para encaminhamento de denúncias, com a colaboração da AMIB, e a elaboração de material educativo para ampliar a divulgação das atribuições dos profissionais intensivistas previstas nas normas do CFM.

Para Dr. Marcelo Moock, membro do Comitê de Defesa Profissional da AMIB, o cumprimento da legislação está diretamente relacionado à qualidade da assistência:

“Cumprir a legislação sanitária não deve ser entendido apenas como uma obrigação administrativa ou regulatória. Trata-se de uma medida concreta de segurança do paciente. A adequada composição das equipes, associada à qualificação e à capacitação permanente dos profissionais, permite que a UTI esteja preparada para reconhecer precocemente as situações de deterioração clínica e atuar de forma rápida, coordenada e tecnicamente qualificada.”

Dr. João Manoel Silva Junior, membro do Comitê de Farmacologia Aplicada, Toxicologia e Farmacovigilância da AMIB, destacou também a importância da iniciativa para a valorização profissional:

“Valorizar o intensivista passa, antes de tudo, por garantir o cumprimento das normas já existentes e condições adequadas para o exercício da especialidade. A reunião no CREMESP foi um importante passo nesse caminho, buscando fortalecer a Medicina Intensiva e assegurar uma atuação profissional segura, sempre em benefício do paciente.”

Cristina Prata, Conselheira do CREMESP, ressaltou que os principais desafios estão relacionados à transformação das normas que regulamentam o funcionamento das UTIs em medidas efetivas de qualidade assistencial e segurança para o paciente.

“CREMESP e AMIB compartilham objetivos fundamentais: a valorização e a defesa do exercício médico qualificado e a busca permanente pela melhor assistência ao paciente crítico. Nesse sentido, a atuação conjunta pode contribuir para que as UTIs disponham de profissionais habilitados e adequadamente capacitados, além de estruturas, processos de trabalho e equipes compatíveis com a complexidade da terapia intensiva”, afirmou.

A representante também destacou a importância de uma atuação que vá além do cumprimento formal das normas, com foco na segurança do paciente e na qualificação da assistência:

“A presença de profissionais especializados, a adequada organização das equipes, a definição clara de responsabilidades e a existência de processos assistenciais bem estruturados têm impacto direto sobre a qualidade do cuidado e sobre a redução de riscos e eventos adversos.”

A AMIB seguirá atuando institucionalmente para fortalecer a Medicina Intensiva, defender condições adequadas para o exercício da especialidade e contribuir para uma assistência cada vez mais segura e qualificada nas UTIs.

AMIB promove capacitação em Doppler Transcraniano em parceria com o Ministério da Saúde

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB, em parceria com a Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT), do Ministério da Saúde, promove o Curso de Doppler Transcraniano (DTC) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A iniciativa integra o Programa de Capacitação e Atualização da AMIB e tem como objetivo qualificar médicos para a realização e interpretação do exame, especialmente em situações relacionadas à lesão cerebral aguda grave e à determinação de morte encefálica.

Com duração de 16 horas, distribuídas em dois dias, o curso combina conteúdo teórico, discussão de casos clínicos e atividades práticas com voluntários e pacientes críticos. A programação aborda aplicações do DTC em situações como acidente vascular cerebral, traumatismo cranioencefálico, hipertensão intracraniana e determinação de morte encefálica.

A formação é destinada a médicos com especialização ou atuação preferencial em Medicina Intensiva, Cardiologia, Neurologia, Radiologia e Medicina de Emergência. Entre os critérios está a disponibilidade de equipamento de Doppler Transcraniano na instituição ou rede em que o profissional atua, permitindo a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos. Experiência prévia com exames ultrassonográficos também é recomendada.

As vagas são limitadas e a seleção dos participantes é realizada a partir de direcionamento do Ministério da Saúde. Por meio das Centrais Estaduais de Transplantes, são indicados os profissionais e as instituições participantes, de acordo com o planejamento estabelecido para cada região. Cabe à AMIB organizar e executar os cursos, com instrutores especializados e atividades teóricas e práticas. Cada turma será composta por 24 médicos.

CRONOGRAMA – As capacitações serão realizadas em Fortaleza (CE), nos dias 11 e 12 de setembro; Goiânia (GO), em 1º e 2 de outubro; e Belém (PA), em 6 e 7 de novembro.

Para o presidente da AMIB, Cristiano Franke, a parceria com o Ministério da Saúde dá continuidade às ações desenvolvidas pela entidade para qualificar profissionais envolvidos no processo de doação e transplantes de órgãos, especialmente em etapas relacionadas à determinação de morte encefálica.

“Essa é mais uma parceria com o Ministério da Saúde voltada à capacitação e à qualificação dos profissionais que atuam no processo de doação e transplantes de órgãos. No ano passado, iniciamos um trabalho nessa área que já capacitou mais de 2 mil profissionais da rede, entre eles 785 médicos. Agora, damos continuidade a essa atuação, ampliando a formação de profissionais para uma etapa que exige conhecimento técnico e critérios rigorosos”, afirma.

AMIB manifesta solidariedade e adere à campanha da Associação de Medicina Intensiva da Colômbia

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) manifestou solidariedade à Associação Colombiana de Medicina Crítica e Cuidado Intensivo (AMCI), às equipes assistenciais, aos pacientes e aos familiares afetados pelo recente terremoto que atingiu a Colômbia, principalmente a região oeste do país. Em carta encaminhada à entidade brasileira, a AMCI relatou as dificuldades enfrentadas pelos profissionais e serviços de saúde e sinalizou a necessidade de apoio, inclusive financeiro, para fazer frente à situação de emergência.

A AMIB aderiu à campanha e convida a comunidade de médicos e profissionais intensivistas, que acompanham a situação, a apoiarem a campanha de arrecadação promovida pela AMCI. As doações serão usadas para levar assistência humanitária às pessoas atingidas. As contribuições podem ser feitas neste endereço: https://sites.placetopay.com/amci.

A entidade brasileira também avalia formas de contribuir com os serviços de saúde do país vizinho.  “A intenção é somar esforços, dentro de nossas possibilidades, e contribuir para que nossos colegas colombianos saibam que não estão sozinhos. A solidariedade entre aqueles que compartilham o compromisso com a vida e com o cuidado dos pacientes críticos transcende fronteiras”, afirma Cristiano Franke, presidente da AMIB.

No documento, a AMIB destaca também a importância da união e da cooperação entre as sociedades de Medicina Intensiva, especialmente em situações de emergência. A entidade reitera sua solidariedade às pessoas afetadas pelo terremoto e reconhece o trabalho dos profissionais que permanecem dedicados à assistência aos pacientes em circunstâncias adversas.

AMIB presente no IV CIETI: valorizando a Enfermagem Intensiva

O Departamento de Enfermagem da AMIB esteve no IV Congresso Internacional de Enfermagem e Terapia Intensiva (IV CIETI), realizado pela ABENTI em São Paulo. Além de participar como palestrantes, levando conhecimento e experiência para o público presente, o Departamento prestigiou o evento de perto, reforçando o compromisso da AMIB com a valorização da Enfermagem em Terapia Intensiva.
Um orgulho especial: o Dr Júlio Eduvirgem, membro do Departamento de Enfermagem da AMIB, esteve à frente do congresso como Presidente do IV CIETI 2026!

Como parte dessa parceria, o Departamento de Enfermagem da AMIB garantiu condições especiais:
– Desconto exclusivo na inscrição para sócios AMIB
– Gratuidade no evento para os presidentes das regionais AMIB


Esse encontro também não seria possível sem o apoio institucional de importantes parceiros: AMIB, AMIB CE, AMIB DF, SOPATI e SOTIRGS. Seguimos juntos, por uma Terapia Intensiva cada vez mais forte, humana e sem fronteiras.


Na imagem, da esquerda para direita os membros do departamento AMIB: Dra Edna Lopes (Acre), Dr Clayton Mello (MG), Dra Renata Pietro (SP), Dr Júlio Eduvirgem (PR) e Jennifer Leocardio – Membro Inova (SC)

AMIB capacita mais de 2 mil profissionais para atuar em doação e transplantes de órgãos

Meta prevista para novembro foi superada quatro meses antes do encerramento do projeto realizado em parceria com a OPAS

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB já capacitou 2.107 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos entre 2025 e julho de 2026. A marca foi alcançada quatro meses antes do encerramento do projeto, previsto para novembro, e supera a meta inicial de 2 mil profissionais.

A capacitação é realizada em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), no âmbito do Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos para Transplantes (PRODOT), do Ministério da Saúde. Desde o início do acordo de cooperação, em setembro de 2025, foram realizados 69 cursos, distribuídos em 23 módulos, com atividades em 23 estados brasileiros.

Entre os profissionais capacitados estão 785 médicos, que participaram de cursos voltados à determinação de morte encefálica, além de 989 enfermeiros, 37 técnicos de enfermagem, 14 farmacêuticos, 110 assistentes sociais e 118 psicólogos, entre outros profissionais.

Na avaliação da AMIB, a qualificação das equipes que atuam nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) contribui para a segurança e a qualidade das diferentes etapas do processo de doação e transplantes de órgãos. O presidente da Associação, Cristiano Franke, destaca o papel desses profissionais na identificação de potenciais doadores, na aplicação do protocolo de morte encefálica, na manutenção clínica do potencial doador e na comunicação com os familiares.

“Atingir mais de 2 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família. Quando as equipes estão preparadas, todo o processo se torna mais seguro, padronizado e confiável, ampliando as condições para que a doação aconteça e um órgão possa chegar a quem espera por um transplante”, avalia Cristiano Franke.

AVANÇO – Para a coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Patrícia Freire, a marca representa um avanço para a política de doação de órgãos no país. “Profissionais qualificados estão mais preparados para identificar potenciais doadores, conduzir adequadamente o diagnóstico de morte encefálica, manter a estabilidade clínica do potencial doador e acolher as famílias com segurança, sensibilidade e respeito, resultando em mais órgãos doados e, consequentemente, na redução das listas de espera”, afirma.

Patrícia Freire também destaca a participação da AMIB no processo. “A reconhecida expertise da Associação, sua capilaridade e a seriedade de sua atuação conferem elevada qualidade técnica às capacitações e contribuem para que o conhecimento alcance profissionais de diferentes regiões do país. Essa parceria fortalece a integração entre a política pública e a prática assistencial, aproximando as diretrizes do Sistema Nacional de Transplantes da realidade cotidiana das unidades de terapia intensiva”, afirma.

MUDANÇAS PRÁTICAS – A médica Ivna Deise da Silva Amanajás, responsável técnica pela UTI do Hospital Oswaldo Cruz, em Macapá (AP), participou da capacitação promovida pela AMIB no estado e relata mudanças na rotina dos serviços a partir da formação.

Segundo ela, a capacitação ajudou os profissionais a compreender melhor a importância do diagnóstico e da notificação de morte encefálica e a reconhecer mais rapidamente casos suspeitos. “Sem o curso, nós estaríamos ainda no zero. A capacitação trouxe uma reestruturação do entendimento e da necessidade de fazer o diagnóstico, a notificação e o registro. A equipe passou a compreender melhor o fluxo e a importância de gerar esses dados. Isso já começou a produzir impacto dentro da UTI”, relata.

De acordo com Ivna, a formação também despertou o interesse dos profissionais por outras ferramentas relacionadas ao atendimento do paciente neurocrítico. Em uma das equipes em que atua, três dos oito médicos participaram também de treinamento em ultrassom Doppler transcraniano.

Outro exemplo vem do Maranhão. Segundo o médico intensivista Hiago Bastos, presidente da Sociedade de Terapia Intensiva do Maranhão, a capacitação trouxe ganhos para diferentes etapas do processo de doação.

“A qualificação dos profissionais de terapia intensiva contribuiu para maior segurança na identificação e manutenção do potencial doador e para a melhor condução do protocolo de morte encefálica, além de aprimorar a comunicação com as famílias e a integração entre as equipes assistenciais e a Central Estadual de Transplantes, dentro do nosso Plano de Aceleração de Transplantes”, afirma.

Ainda de acordo com Hiago, a mudança de cultura, baseada em educação continuada e padronização de condutas, foi um dos pilares para a evolução dos indicadores no estado. “Nos últimos anos, o Maranhão apresentou crescimento expressivo no número de notificações de potenciais doadores, de doadores efetivos e também de transplantes e captação de córneas. Esse resultado demonstra que investir na formação das equipes multiprofissionais se traduz em mais oportunidades de doação e, consequentemente, em mais vidas salvas”, avalia.

CONFIRA IMAGENS DAS TURMAS CAPACITADAS NAS CINCO REGIÕES DO PAÍS:

AMIB atualiza critérios de certificação do Programa UTIs Brasileiras

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB atualizou os critérios de certificação do Programa UTIs Brasileiras, iniciativa que há mais de uma década estimula a melhoria da qualidade assistencial nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). As mudanças, oficializadas por meio da Nota Técnica nº 01/2026, têm como objetivo manter a consistência científica da certificação, alinhando o programa às evidências mais recentes da Medicina Intensiva e às melhores práticas internacionais.

Entre as principais atualizações está a realização de dupla conferência da Titulação em Medicina Intensiva do Responsável Técnico da unidade. A AMIB promove assim maior segurança e credibilidade no processo de certificação. Anova exigência passa a valer para as certificações referentes ao desempenho de 2026, que serão concedidas em 2027. Outra novidade é a atualização dos modelos prognósticos utilizados no ajuste de risco dos indicadores que compõem a avaliação das unidades.

A partir da certificação referente ao desempenho de 2027, com reconhecimento em 2028, o programa passará a adotar dois modelos prognósticos oficiais para ajuste de risco: o SAPS 3 Customizado, versão adaptada para a população brasileira do modelo utilizado para estimar a gravidade dos pacientes internados em UTIs, e o Epimed Prediction Model (EPM). Ambos serão utilizados no cálculo da Taxa de Mortalidade Padronizada (TMP) e da Taxa de Utilização Padronizada de Recursos (TURP), tornando as comparações entre as unidades mais precisas e representativas.

A AMIB destaca que a implementação das mudanças ocorrerá de forma gradual, permitindo que as unidades se adaptem ao novo cronograma sem comprometer a continuidade do processo de avaliação. A entidade ressalta, ainda, que a essência da certificação permanece inalterada.

O programa mantém seu caráter voluntário e não substitui os processos de habilitação, licenciamento ou fiscalização conduzidos por órgãos reguladores, como a Anvisa, o Ministério da Saúde e os Conselhos de Medicina. Trata-se de uma avaliação independente, baseada em critérios científicos e comparativos de desempenho.

As UTIs continuam classificadas em duas categorias, Gerais e Cardiológicas, podendo receber o reconhecimento como UTI Top Performer ou UTI Eficiente, conforme seu desempenho em relação aos indicadores nacionais.

A íntegra da Nota Técnica nº 01/2026 e do White Paper Atualização dos Critérios para Certificação do Programa UTIs Brasileiras está disponível AQUI .

Programa UTIs Inteligentes e valorização do médico intensivista pautam reunião entre AMIB e Ministério da Saúde

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB esteve reunida na última terça-feira (28), com a coordenadora-geral de Atenção Hospitalar (DAHUD), do Ministério da Saúde, Luísa Bezerra Frazão, e sua equipe técnica para discutir os próximos passos do Programa UTIs Inteligentes. Pela AMIB, participaram o presidente Cristiano Franke; a presidente futura, Flávia Ribeiro Machado, além do presidente do Conselho Consultivo, Ederlon Rozende.

A reunião, realizada na sede do Ministério da Saúde, em Brasília (DF), deu continuidade ao diálogo entre as instituições sobre a implementação do UTIs Inteligentes, iniciativa que busca qualificar a assistência nas UTIs públicas por meio do monitoramento de indicadores, do uso de dados e da governança clínica. A AMIB participa do projeto como parceira técnica e científica, contribuindo com a experiência acumulada ao longo de mais de dez anos do UTIs Brasileiras, considerado o maior banco de dados epidemiológicos de terapia intensiva do mundo.

Durante o encontro, Cristiano Franke destacou que a experiência do UTIs Brasileiras demonstra o papel estratégico do monitoramento para conhecer a realidade das unidades de terapia intensiva e subsidiar ações de melhoria da assistência. “O monitoramento contínuo é uma ferramenta indispensável para reunir informações sobre taxas de ocupação, número de leitos, desfechos clínicos e evolução na recuperação de pacientes”, afirmou.

VALORIZAÇÃO – A reunião também foi marcada pela entrega de um ofício que integra a agenda institucional da AMIB em defesa da valorização da Medicina Intensiva e da assistência ao paciente crítico. Entre os temas apresentados estiveram a qualificação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), a formação de especialistas e as condições de trabalho dos médicos intensivistas.

Na ocasião, a entidade também entregou o relatório de uma pesquisa inédita realizada em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). O estudo, que será divulgado em breve, traça um panorama nacional da atuação dos médicos intensivistas e deverá subsidiar novas iniciativas voltadas ao fortalecimento da especialidade.