29/05/2026

O Ministério da Saúde e a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) assinaram na abertura do XIII Congresso Luso-Brasileiro de Medicina Intensiva (LUSO 2026), que ocorreu na última quinta-feira (28), em Fortaleza (CE), um acordo de cooperação focado no fortalecimento da Medicina Intensiva no Sistema Único de Saúde (SUS). O diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Urgência e Domiciliar (DAHUD/SAES/MS), Fernando Augusto Figueira, esteve no evento representando o MS e ratificou a parceria. 

A iniciativa prevê ações para ampliar a formação de especialistas, qualificar residências médicas, fortalecer as Unidades de Terapia Intensivas (UTIs) e produzir dados técnicos que auxiliem na formulação de políticas públicas para a assistência ao paciente crítico. A parceria tem vigência de cinco anos, sem transferência de recursos financeiros entre as partes e estabelece uma agenda de cooperação técnica para dimensionar a necessidade de médicos intensivistas no Brasil, especialmente em regiões com vazios assistenciais e formativos.

Para o presidente da AMIB, Cristiano Augusto Franke, o acordo representa uma oportunidade de colaboração ampla entre a sociedade científica e os gestores públicos. “Entendo este acordo como um marco, tanto por tornar mais evidente a credibilidade da nossa sociedade quanto por proporcionar oportunidades para uma grande colaboração com foco na qualificação da assistência ao paciente grave e na formação de profissionais intensivistas”, afirmou.

Ainda segundo ele, o objetivo é proporcionar cuidado de excelência para o paciente grave, onde ele estiver. “Esta solução tem maior probabilidade de chegar num melhor resultado com participação conjunta de todos os gestores e a sociedade científica”, avaliou.

Já o representante do MS, Fernando Augusto Figueira, destacou que o acordo nasce para enfrentar desafios históricos da Medicina Intensiva no país, como a distribuição desigual de especialistas e a insuficiência de vagas formativas, além de ressaltar a importância da aproximação do ministério das sociedades científicas. “É uma grande satisfação representar o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, neste importante momento de assinatura do Acordo de Cooperação entre o MS e AMIB. Gostaria, antes de tudo, de agradecer à diretoria da AMIB pela abertura ao diálogo, pela agilidade na construção deste instrumento e pela disposição em colaborar com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde”, disse.

“Este acordo simboliza algo que consideramos fundamental: a reconstrução e o fortalecimento das pontes entre o Ministério da Saúde e as sociedades científicas brasileiras. Nenhuma política pública de saúde alcança excelência quando construída de forma isolada. Precisamos da experiência de quem está na assistência, da capacidade técnica de quem produz conhecimento e da legitimidade de instituições que ajudam a desenvolver suas especialidades há décadas”, complementou o diretor do DAHU.

Em sua fala, Figueira relembrou o papel da medicina intensiva durante a pandemia de convid-19. “A pandemia nos ensinou o valor estratégico da medicina intensiva. Avançamos na ampliação da infraestrutura, mas sabemos que o maior patrimônio de uma UTI continua sendo a qualificação das pessoas que nela trabalham. Por isso, investir em formação, qualificação profissional e melhoria contínua da assistência é investir diretamente na segurança e na vida dos pacientes brasileiros”, concluiu.