AMIB-PB realiza Assembleia e define diretoria para o biênio 2026–2027

A Associação de Medicina Intensiva da Paraíba (AMIB-PB) realizou, no dia 19 de março, Assembleia Geral Extraordinária, nas dependências do Conselho Regional de Medicina da Paraíba, com convocação de associados adimplentes para deliberação de pautas institucionais.

Durante o encontro, foram aprovadas por unanimidade a atualização da denominação da entidade, com a transição de SOPAMI para AMIB-PB, a adoção de nova identidade visual e a aprovação de um novo Estatuto Social. O estatuto estabelece a reestruturação da Diretoria Executiva, com a presidência do Dr. Paulo César Gottardo e a vice-presidência da Dra. Maria do Socorro.

A diretoria passa a ser composta por:

Diretoria Científica (Adulto): Dr. Igor Mendonça do Nascimento

Diretoria Científica (Pediátrica e Neonatal): Dra. Sheila Serpa Leal

Diretoria de Comunicação, Marketing e TI: Dr. Alexandre Maheler

Diretoria de Defesa Profissional: Dr. Caio Quintas

Diretoria Emérita: Dr. Alexandre Negri

Diretoria de Interiorização e Relações Regionais: Dr. Jorismar De Oliveira Costa

Diretoria Secretária: Dr. Thiago Catão

Diretoria de Tesouraria: Dra. Waneska Lucena

Também foram instituídos o Núcleo de Médicos Residentes, coordenado pela especializanda Lívia Lima, e o Núcleo Acadêmico (LIGAMI-PB), coordenado por Alexandre Negri Júnior. Foram criados, ainda, os Departamentos Multiprofissionais, com representantes nas áreas de Nutrição (Ângela Gadelha), Fonoaudiologia (Deyverson da Silva), Fisioterapia (Diego Tavares), Odontologia (Maria Elizabete) e Enfermagem (Ana Caroline Escarião).

Ao final da Assembleia, foi anunciado o I Simpósio de Ultrassonografia do Intensivista, previsto para os dias 22 e 23 de maio, em João Pessoa, com participação de Daniel Lichtenstein e Filipe Gonzalez.

Mais de 330 hospitais são premiados por UTIs de excelência; UTIs públicas ampliam presença entre as melhores

Avaliação da AMIB e da Epimed Solutions aponta crescimento de quase 30% na participação de unidades do SUS entre as melhores do país

As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do sistema público brasileiro vêm ampliando sua presença entre os serviços de melhor desempenho do país. Levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e da Epimed Solutions mostra que mais de 330 hospitais foram certificados em 2026, com destaque para o avanço das unidades vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao longo de 2025, cerca de 800 hospitais, responsáveis por aproximadamente 25 mil leitos de UTI no país, foram monitorados pelo programa UTIs Brasileiras. Desses, 630 atenderam aos critérios técnicos da avaliação e 332 alcançaram os melhores resultados, recebendo certificações de desempenho clínico e eficiência no cuidado a pacientes críticos. 

O dado que mais chama atenção é o crescimento proporcional de 29,3% na participação de UTIs públicas entre as unidades certificadas, em comparação à edição anterior. Na prática, 75 hospitais públicos passaram a integrar o grupo de unidades reconhecidas, frente a 58 no ciclo anterior. 

Certificação de UTIs no Brasil (2025 – 2026)

Tipo de hospital20262025Variação (n)Variação (%)
Privado257246+11+4,5%
Público7558+17+29,3%
Total332304+28+9,2%

 

Classificação por Desempenho (2025 – 2026)

Categoria20262025Variação (n)Variação (%)
UTI Top Performer217189+28+14,8%
UTI Eficiente11511500%
Total332304+28+9,2%

 

Entre as certificações concedidas, 217 hospitais receberam o selo UTI Top Performer, destinado às unidades com melhor desempenho global, enquanto 115 foram classificados como UTI Eficiente, categoria que reconhece boas práticas assistenciais aliadas ao uso adequado de recursos. 

Embora os hospitais privados ainda concentrem a maior parte das unidades com selo máximo, o avanço do setor público indica uma mudança de cenário. “A ampliação da participação de UTIs públicas no sistema de monitoramento e certificação demonstra um movimento crescente de qualificação da assistência intensiva também no SUS”, afirma o presidente da AMIB, Cristiano Franke. 

O desempenho das UTIs públicas também evoluiu entre as melhores do país. O número de unidades com selo Top Performer cresceu 44%, passando de 25 para 36 hospitais. Já na rede privada, o aumento foi de 10,4%, com crescimento de 164 para 181 unidades nessa categoria. No total, mais da metade das unidades certificadas atingiu algum nível de distinção. O número de hospitais reconhecidos subiu de 304 para 332 em um ano, crescimento de 9,2%. 

Distribuição por Tipo de Hospital (2026)

CategoriaPrivadoPúblicoTotal
UTI Top Performer18136217
UTI Eficiente7639115

BOAS PRÁTICAS – Segundo a AMIB, a certificação tem como objetivo reconhecer as unidades que alcançam melhores resultados assistenciais e, principalmente, estimular a melhoria contínua da qualidade da terapia intensiva no país. “O monitoramento sistemático dos indicadores permite identificar oportunidades de melhoria e disseminar boas práticas entre os serviços, contribuindo para aumentar a segurança e a qualidade do cuidado prestado aos pacientes críticos”, afirma Franke.

Os dados divulgados, após amplo monitoramento das UTIs em 2025, também reforçam a importância do Programa UTIs Brasileiras, que completou 10 anos em setembro do ano passado. Criado em 2016, o programa é reconhecido como maior banco de dados epidemiológicos de leitos de UTIs do mundo. O monitoramento contínuo permite reunir informações, por exemplo, sobre taxas de ocupação, número de leitos, desfechos clínicos e evolução na recuperação de pacientes.

A partir desse acervo é possível traçar um panorama preciso da assistência prestada nas UTIs brasileiras, capaz de subsidiar gestores públicos e privados na tomada de decisões sobre investimentos e organização dos serviços. Além disso, os profissionais que atuam nas instituições monitoradas passam a contar com informações qualificadas que favorecem decisões mais rápidas e assertivas no que diz respeito à gestão do cuidado, à alocação de recursos e ao aprimoramento dos processos assistenciais.

CRITÉRIOS – A avaliação das UTIs considera simultaneamente dois aspectos da assistência intensiva: qualidade clínica e eficiência operacional. Para isso, a análise adota como principais indicadores a mortalidade ajustada ao risco dos pacientes atendidos, parâmetro que permite mensurar o desempenho clínico das unidades, e a utilização de recursos assistenciais, com destaque para o tempo de permanência na UTI ajustado à gravidade dos casos.

Além disso, só são avaliadas UTIs que usam o sistema de monitoramento durante todo o ano de análise, com volume mínimo de internações e preenchimento confiável dos dados clínicos. As UTIs ainda são avaliadas de acordo com o perfil dos pacientes que atendem. Por isso, há distinção entre UTIs cardiológicas (com maioria de pacientes com problemas do coração) e UTIs gerais (com pacientes de diferentes perfis clínicos ou cirúrgicos).

A cada edição, é esperado que haja entradas e saídas na lista de hospitais certificados, como resultado de um processo técnico, transparente e orientado por evidências. O mais relevante, no entanto, é o compromisso comum das instituições com a melhoria contínua da medicina intensiva”, afirma Carlos Reis, CEO da Epimed.

Segundo ele, a certificação vai além do reconhecimento. “Trata-se de uma ferramenta de qualificação. Em um ambiente de alta complexidade e recursos limitados, como o das UTIs, medir resultados com precisão permite aprimorar o cuidado, otimizar o uso de recursos e fortalecer a confiança entre equipes, gestores, pacientes e a sociedade.”

AMIB apresenta campanha Orgulho de Ser Intensivista e contribui com estudo sobre sepse no congresso da SCCM

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) participará de dois momentos especiais do Critical Care Congress 2026, promovido pela Society of Critical Care Medicine (SCCM), entre os dias 22 e 24 de março, em Chicago, nos Estados Unidos. Considerado um dos principais eventos internacionais da área, o encontro reunirá mais de 5 mil profissionais de saúde de diferentes países para discutir avanços científicos, diretrizes clínicas e inovações tecnológicas na terapia intensiva. A SCCM tem como membros profissionais de cuidados intensivos de mais de 80 países.

A comitiva brasileira foi formada pelo presidente da AMIB, Cristiano Franke; pela diretora e presidente passada Patrícia Mello; pelo diretor secretário-geral Leandro Braz, e pelo presidente do Conselho Consultivo, Ederlon Rezende.

A AMIB esteve presente no Critical Care Congress 2026, promovido pela Society of Critical Care Medicine (SCCM), em Chicago, entre os dias 22 e 24 de março.

A comitiva brasileira participou do Congresso e também de encontros institucionais com lideranças da SCCM, fortalecendo parcerias internacionais e ampliando a cooperação científica.

Na programação, a médica intensivista Patrícia Mello, presidente passada da AMIB, realizou a apresentação “From behind the scenes to center stage: promoting de role of intensivists in Brazil”, na qual apresentou ações para o fortalecimento do intensivista e também a campanha AMIB “Orgulho de ser intensivista”.

Na sessão Novidades e Diferenciais na Campanha de Sobrevivência à Sepse, moderada pelo Dr. Craig Coopersmith, MCCM, e pelo Dr. Daniel Backer, PhD, foram abordados elementos das novas diretrizes de 2026 da Campanha de Sobrevivência à Sepse (Surviving Sepsis Campaign) para o manejo de sepse e choque séptico em adultos.

“Espero que possamos colocar isso em prática amanhã”, comentou Leandro Carvalho, diretor secretário-geral da AMIB.

Outro destaque do Congresso foi a participação do Dr. Cláudio Flauzino, que apresentou o novo guideline pediátrico sobre sepse.


Surviving Sepsis Campaign

A Surviving Sepsis Campaign, que em português pode ser traduzido para Campanha Sobrevivendo à Sepse, também contou com contribuição científica dos médicos intensivistas Flávia Machado, Marcelo Maia, Luciano Azevedo e Régis Rosa. Esse documento foi construído em parceria com sociedades médicas de todo o mundo.


Critical Care Congress

Considerado um dos maiores e mais importantes congressos sobre cuidados críticos do mundo, o Critical Care Congress 2026 contou com mais de 100 sessões, que serão conduzidas por especialistas. Entre os temas, pesquisas clínicas recentes, tecnologias emergentes e melhores práticas assistenciais. A programação inclui ainda atividades práticas, oportunidades de networking e sessões voltadas à educação continuada, o que contribui para o aprimoramento profissional e a troca de experiências entre os participantes.

AMIB marca presença em evento sobre conscientização da disfagia na ALESP

O Departamento de Fonoaudiologia da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) participou de evento voltado à conscientização da disfagia, realizado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, na última terça-feira (17). Durante o encontro, especialistas de diversas entidades cientificas discutiram a importância de medidas interdisciplinares e de políticas públicas voltadas à prevenção e ao tratamento da condição, caracterizada pela dificuldade de engolir alimentos, líquidos e até a própria saliva.

Na ocasião, também foi apresentado o Projeto de Lei nº 1366/2025, que institui março como o “Mês de Conscientização da Disfagia no Estado de São Paulo”. A iniciativa tem como objetivo ampliar as ações educativas, preventivas e de diagnóstico precoce dos distúrbios da deglutição, não ficando mais restrita ao Dia Nacional de Atenção à Disfagia, celebrado em 20 de março.

O presidente do Departamento de Fonoaudiologia, da AMIB, José Ribamar do Nascimento Júnior, foi convidado pela Academia Brasileira de Disfagia (ABD) para compor a mesa de debates. Na oportunidade, ele destacou a importância da atuação fonoaudiológica nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e a necessidade de ampliar o acesso a esse cuidado no Brasil.

“Pude apresentar o panorama da disfagia na Unidade de Terapia Intensiva e reforçar a necessidade de políticas públicas mais ativas, principalmente para garantir maior acesso e equidade na oferta do serviço do fonoaudiólogo dentro das UTIs”, afirmou.

Na avaliação do especialista, o evento contribuiu para dar visibilidade a uma condição frequentemente subdiagnosticada. “É um evento muito positivo, pois fortalece a atenção à disfagia, que muitas vezes não é diagnosticada nem tratada adequadamente ao longo da jornada assistencial do paciente. Ainda vemos muita fragmentação do cuidado no país, tanto no sistema público quanto no privado”, completou.

Outro ponto debatido foi o Projeto de Lei 182/2026, que prevê o fornecimento gratuito de espessantes alimentares a pacientes com disfagia. A medida busca ampliar o acesso ao tratamento e reduzir complicações clínicas, especialmente entre populações em situação de vulnerabilidade.

O encontro reuniu representantes de diversas entidades científicas e conselhos profissionais.

A convite do CFM, AMIB adere a diálogo com parlamentares em prol da medicina em Brasília

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) participou, no último dia 18, do 2º Café da Manhã com Parlamentares, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em sua sede, em Brasília (DF). O encontro reuniu senadores, deputados federais, sociedades de especialidades e autoridades médicas, com o objetivo de ampliar o diálogo entre as entidades da medicina e o Congresso Nacional.

Representando a AMIB, o médico intensivista e ex-presidente da entidade, Marcelo Maia, participou das discussões e destacou a importância da aproximação institucional para o fortalecimento da saúde no país. O evento foi considerado estratégico para alinhar pautas de interesse da classe médica e contribuir com a construção de políticas públicas mais eficazes.

Durante o encontro, Maia teve a oportunidade de dialogar com importantes lideranças nacionais, entre elas o senador Hiran Gonçalves, o presidente do CFM, Hiran Gallo, o deputado federal Ismael Alexandrino e com a 2ª vice-presidente do Conselho, Rosylane Rocha.

AMIB participa de Fórum em defesa do Ato Médico promovido pelo CFM

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) marcou presença no IV Fórum do Ato Médico, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), realizado em Florianópolis (SC), na quarta-feira (11). O encontro reuniu lideranças médicas, especialistas e representantes de instituições da área da saúde para discutir estratégias voltadas ao fortalecimento da prática médica e à proteção da sociedade diante do exercício irregular da profissão.

Cristiano Franke, presidente da AMIB, que esteve presente no evento, destacou a importância do debate e parabenizou o CFM pela realização do encontro. “O IV Fórum do Ato Médico foi extremamente relevante, uma vez que contou com contribuição de representantes de entidades médicas, gestores, agências de reguladoras e fiscalizadoras, representantes do Judiciário, entre outras instituições”, avaliou. Ele ressaltou ainda que a discussão é fundamental para evitar danos aos pacientes e fortalecer a confiança da população no sistema de saúde.

Durante o encontro, em conversa com diretores do CFM, Franke também chamou atenção para a atuação de profissionais sem formação adequada em unidades de terapia intensiva (UTIs), o que pode comprometer a qualidade da assistência. “Nós, da Associação de Medicina Intensiva, temos grande preocupação com profissionais não qualificados atuando nas UTIs, muitas vezes médicos sem formação adequada para o cuidado do doente grave. As consequências disso podem ser muito sérias para os pacientes”, alertou.

Na oportunidade, ele ressaltou ainda a parceria da Associação com o CFM no debate e construção de soluções para aprimorar a assistência em terapia intensiva no país. “Agradecemos o acolhimento do Conselho Federal de Medicina a essa preocupação e a disposição para trabalharmos juntos na melhoria do atendimento aos doentes graves no Brasil”, disse. De pronto, a coordenadora do Fórum e 2ª vice-presidente do CFM, Rosylane Rocha, se colocou na discussão.

Rosylane ressaltou a preocupação do CFM com a formação do médico. “A residência médica é o padrão-ouro de formação dos especialistas e precisamos valorizar os residentes, garantindo cenários de prática com estrutura adequada para que especialistas em medicina intensiva possam atuar nas UTIs e oferecer a melhor assistência aos pacientes”, afirmou.

Segundo a coordenadora do Fórum, o evento também foi um espaço para avaliar avanços e planejar os próximos passos na defesa do ato médico. Ela destacou que a proteção da população passa necessariamente pela qualificação dos profissionais e pelo fortalecimento da formação médica.

Ao abordar as iniciativas conduzidas pelo CFM na defesa do ato médico, Rosylane destacou o avanço das estratégias da instituição voltadas ao tema. “Desde 2024, quando buscamos desenvolver novas estratégias sobre o tema, os conceitos se tornaram mais claros e as estratégias foram aperfeiçoadas. Portas se abriram e percebemos que a mesma ansiedade que afeta a classe médica encontra eco em outros setores da sociedade brasileira”, afirmou.

IV FÓRUM DO ATO MÉDICO – Promovido pelo CFM, o IV Fórum do Ato Médico teve como tema dessa edição “Segurança, Ética e Justiça na Defesa dos Pacientes” e reuniu especialistas para debater aspectos relacionados ao combate ao exercício ilegal da medicina e ao fortalecimento do chamado Pacto pela Medicina Segura, que reúne diferentes entidades médicas em torno da defesa das prerrogativas profissionais.

A programação incluiu conferências e painéis temáticos que abordaram, entre outros aspectos, o uso de tecnologias na fiscalização do exercício ilegal da medicina, o papel das vigilâncias sanitárias e do Procon no enfrentamento desse tipo de irregularidade, a articulação das entidades médicas junto ao Ministério Público e ao Judiciário e a prevenção e combate aos casos de violência contra médicos e equipes em locais de atendimento.

AMIB participa de debate internacional sobre atualização da Declaração de Taipei e o uso ético de dados em saúde

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) participou, em São Paulo, da 2ª Reunião Aberta de Especialistas sobre a revisão da Declaração de Taipei, promovida pela World Medical Association (WMA). O encontro, realizado na sede da Associação Paulista de Medicina (APM) e organizado pela Associação Médica Brasileira (AMB), reuniu especialistas de diferentes países para discutir os desafios éticos e regulatórios relacionados ao uso de dados de saúde e biobancos.

O presidente da AMIB, Cristiano Franke, e a médica intensivista Suzana Lobo, que presidiu a associação na gestão 2020–2021, participaram das discussões sobre o tema. Os representantes da AMIB no evento observam que a declaração, adotada em 2016 pela World Medical Association, foi criada para orientar o uso ético de bancos de dados de saúde e biobancos, complementando os princípios estabelecidos pela Declaração de Helsinque.

Durante a reunião, especialistas destacaram a necessidade de atualizar o documento para acompanhar as transformações tecnológicas e científicas ocorridas nos últimos anos. O avanço dos biobancos, das grandes bases de dados e o uso crescente da inteligência artificial na saúde ampliaram as possibilidades de pesquisa, mas também trouxeram desafios éticos importantes.

Entre os temas discutidos estiveram os modelos de governança de dados, os mecanismos de consentimento para usos futuros das informações e a participação mais ativa dos pacientes nas decisões relacionadas aos seus dados. Também ganharam destaque as discussões sobre o acesso de empresas privadas a bases institucionais e a possível monetização dessas informações, pontos que levantam importantes questões éticas, científicas e de interesse público.

Para a AMIB, acompanhar e contribuir com esse debate internacional sobre ética, pesquisa e governança de dados em saúde, é de extrema importância para garantir que o avanço da ciência ocorra de forma responsável, com respeito aos direitos dos participantes de pesquisa e às boas práticas éticas que orientam a medicina.

AMIB inicia novas turmas do Master Class Pediátrico e Adulto com mais de 600 inscritos na aula magna

Com mais de 600 participantes reunidos na aula magna, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) deu início às novas turmas do Master Class Pediátrico e do Master Class em Medicina Intensiva Adulto nesta semana. Os cursos integram o programa de formação da associação, criada para promover atualização contínua dos profissionais da área.

Na abertura do Master Class em Medicina Intensiva Adulto foram abordados dois temas da prática clínica do intensivista. O médico Pedro Mendes ministrou a aula “Monitorização Hemodinâmica com recursos limitados”, que discutiu estratégias para avaliação hemodinâmica mesmo em cenários com menor disponibilidade tecnológica. Em seguida, Flávio Freitas conduziu a aula sobre “Fluidoterapia”, destacando princípios fundamentais para o manejo adequado de fluidos em pacientes críticos.

Já a aula magna do Master Class Pediátrico trouxe discussões focadas em situações críticas do manejo das vias aéreas em pacientes pediátricos. A médica Flávia Foronda apresentou a aula “Intubação na insuficiência respiratória – Até quando esperar?”, abordando critérios clínicos e tomada de decisão em contextos de deterioração respiratória. Na sequência, Vinícius Caldeira Quintão falou sobre “Intubação traqueal difícil – O planejamento que salva”. Na oportunidade, enfatizou a importância da preparação e das estratégias de segurança nesses cenários.

O Master Class Pediátrico, que teve início dia 2 de março e se estende até 5 de outubro de 2026, é um curso online com carga horária de 60 horas, voltado à discussão dos principais cenários clínicos da terapia intensiva pediátrica. Fundamentado em evidências científicas e na experiência dos instrutores, o programa conta com aulas ao vivo, das 20h às 22 horas, e aposta na interação ativa dos participantes, com discussão de casos e aplicação prática do conhecimento. A coordenação é de Tiago Henrique de Souza.

Já o Master Class em Medicina Intensiva Adulto, com início em 3 de março e término em 29 de setembro de 2026, também possui carga horária de 60 horas e formato online. O curso propõe a revisão de conceitos fundamentais da fisiologia e sua aplicabilidade na prática clínica, além de debates e análise de casos reais. A coordenação é de Caio Vinícius Gouvêa Jaoude, e o público-alvo inclui intensivistas formados e médicos que atuam no cuidado ao paciente crítico.

Os Master Classes integram o calendário de formação da AMIB, que oferece ao longo do ano cursos reconhecidos nacionalmente, como o TENUTI (Terapia Nutricional em UTI), o VENTIPed (Ventilação Mecânica Pediátrica e Neonatal) e formações em Hemodinâmica, entre outros programas voltados ao aprimoramento técnico-científico na terapia intensiva.

Para conhecer mais sobre os cursos da AMIB, acesse:

https://amib.entity.itarget.com.br/offers-unique/10

AMIB avança na capacitação para doação e transplantes e leva formação a Macapá

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) realizou, em Macapá (AP), mais uma etapa do programa nacional de capacitação voltado a médicos e profissionais de saúde envolvidos no processo de doação e transplante de órgãos. A iniciativa é conduzida pela Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde (CGSNT/DAET/SAES), em parceria com a AMIB e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

A meta é capacitar 2 mil profissionais em todo o país até o fim das ações. Na capital do Amapá, os cursos reuniram 118 participantes, distribuídos entre as formações de Comunicação em Situações Críticas (CSC, 31 participantes; Gerenciamento no Processo de Doação e Transplante (GPDT), 67; e Determinação de Morte Encefálica (DME), 20. As capacitações ocorreram nos dias 27 e 28 de fevereiro. Até o momento foram capacitados 1.005 profissionais, sendo 180 em DME, 280 em CSC e 545 em GPOT.

Atualmente, o Amapá ainda não realiza transplantes, embora faça a notificação de potenciais doadores, assim como Roraima. O estado, no entanto, busca avançar nesse cenário, inclusive por meio de iniciativas como a capacitação realizada no último fim de semana. Quando há oferta de órgãos, um comunicado é emitido ao sistema nacional, responsável por avaliar a logística e a melhor destinação conforme critérios técnicos e de compatibilidade.

O médico intensivista Joel de Andrade, membro do Comitê de Doação e Transplantes da AMIB, que atuou como instrutor nas capacitações ao lado do presidente da associação, Cristiano Franke, destaca o impacto da qualificação profissional para fortalecer o sistema. “De todas as medidas necessárias para que o transplante possa ser feito, a educação é a mais importante, pois é ação de maior impacto”, avalia.

Andrade observa a importância de cada etapa do processo, que vai desde o acolhimento adequado às famílias até a segurança técnica na realização do diagnóstico de morte encefálica, etapa essencial e altamente criteriosa dentro do protocolo.

Os cursos de capacitação, iniciados em 2025, já aconteceram em 11 capitais brasileiras: Porto Velho (RO), Palmas (TO), Cuiabá (MT), Brasília (DF), Goiânia (GO), Aracaju (SE), Natal (RN), Belém (PA), Manaus (AM), Teresina (PI) e, agora, Macapá (AP). Em todas as etapas, segundo a AMIB, os coordenadores locais relataram avaliações positivas.

Resultados imediatos

Consultora técnica da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (FIOTEC), Cláudia Cristina Rodrigues destaca que as centrais mais ativas têm apresentado retornos positivos quanto à mobilização local dos profissionais.

“Em Macapá, ainda não temos habilitação para transplantes de órgãos, mas há uma articulação para aumentar as notificações de morte encefálica. Já no domingo, um dos médicos informou uma notificação no sistema do SNT”, exemplifica a consultora, que esteve em Macapá e participa da organização e realização do projeto junto ao Ministério da Saúde e à OPAS.

O relato foi confirmado pelo médico Carlos Leão, que descreveu a experiência logo após a capacitação. Segundo ele, poucas horas depois do curso, conduziu um protocolo completo de diagnóstico de morte encefálica no Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima, cumprindo todas as etapas exigidas, incluindo exames clínicos e teste de apneia, com apoio da equipe local.

Embora o paciente não pudesse ser considerado potencial doador, devido à contraindicação, o médico destacou a importância do diagnóstico correto. “Tudo isso para que se cumpra o nosso dever ético e humano no diagnóstico de morte encefálica. A doação é consequência de um diagnóstico correto e seguro”, afirmou.

Formação contribui para a segurança das equipes

Sobre a capacitação, o médico Carlos Leão avalia de forma positiva. “Os cursos foram excelentes do ponto de vista técnico e didático. O curso de Comunicação em Situações Críticas nos ofereceu ferramentas essenciais para o fortalecimento do vínculo profissional–paciente/família, com uma teoria muito bem fundamentada e uma prática consistente, baseada em simulações reais. Compreendemos que uma boa comunicação é parte fundamental do processo de doação e transplante”, ressaltou.

Ainda segundo ele, a formação em Determinação de Morte Encefálica também foi decisiva para a segurança das equipes. “O curso nos prepara para os cenários da emergência e da UTI, deixando-nos aptos a realizar os exames com segurança, por meio de uma base teórica sólida e de uma prática extremamente relevante, conduzida por excelentes profissionais”, completou.

A médica intensivista Ivna Deise da Silva Amanajás, que também participou da formação, ressalta o impacto da capacitação. “Foi uma experiência de grande importância para o estado do Amapá. Gratificante fazer parte desse time e ter contato com professores de excelência”, afirma.

Visitas institucionais – Durante a agenda na capital amapaense, o presidente da AMIB, Cristiano Franke e Joel de Andrade também visitaram o Hospital São Camilo e o Hospital Universitário da Federal do Amapá (Unifap).

Últimos dias para submissão de trabalhos científicos ao EuroBrazil 2026

Inscrições terminam em 15 março. Congresso acontece em abril, na capital paulista, e reunirá especialistas do Brasil e da Europa

Médicos e pesquisadores da terapia intensiva têm até 15 de março de 2026 para submeter trabalhos científicos ao EuroBrazil Congress 2026, que será realizado nos dias 10 e 11 de abril, em São Paulo. O prazo é improrrogável, valerá a data de envio do formulário eletrônico e a submissão não está vinculada à inscrição no congresso.

A edição deste ano reunirá grandes nomes da especialidade na capital paulista e contará com 12 convidados internacionais, o dobro do ano anterior, com representantes de países como França, Suíça, Itália, Inglaterra, Holanda e Bélgica. A programação prevê debates sobre temas importantes da prática intensiva, além de uma sessão conjunta entre AMIB e European Society of Intensive Care Medicine (ESICM) para apresentação de um documento inédito, fruto da cooperação entre as entidades.

As inscrições e a submissão de trabalhos podem ser feitas pelo site oficial. No portal, também estão disponíveis as normas para envio dos resumos, que devem seguir as orientações da comissão científica. A avaliação ficará a cargo dos pareceristas do congresso, que definirão o formato de apresentação dos trabalhos aprovados.