AMIB recebe prêmio Embaixadores de Curitiba pela realização do CBMI 2025

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) foi destaque na última quarta-feira (29) ao receber o Prêmio Embaixadores de Curitiba 2026, reconhecimento é concedido a eventos que geram impacto, relevância estratégica e contribuição para o desenvolvimento da capital paranaense. A premiação foi concedida ao XXX Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva (CBMI 2025), realizado em novembro pela entidade.

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O CBMI venceu a categoria “Evento Técnico-Científico de 3.001 a 5.000 participantes”. A AMIB foi representada na cerimônia pela médica intensivista Mirella Cristine Oliveira, presidente do congresso, que destacou o caráter coletivo da conquista. “Este reconhecimento reflete o compromisso coletivo com a excelência científica e o fortalecimento da medicina intensiva no Brasil”, afirmou.

PREMIAÇÃO – O prêmio integra a programação do 11º Prêmio Embaixadores de Curitiba e do 2º Prêmio Capivara, iniciativas promovidas pelo Curitiba Convention & Visitors Bureau, que reconhecem eventos e empresas com atuação relevante no turismo de negócios e eventos.

As premiações têm como objetivo valorizar iniciativas que movimentam a economia local, estimulam a inovação e seguem boas práticas de sustentabilidade e governança (ESG). Além disso, destacam o papel estratégico dos chamados “conventions”, entidades responsáveis por fomentar o turismo de negócios ao conectar organizadores de eventos com o setor produtivo das cidades.



Pesquisa revela: pacientes do SUS demoram cinco vezes mais para ter acesso a uma UTI do que quem usa planos de saúde

O Brasil ampliou em 67% o número de leitos de UTI na última década e hoje está entre os países com maior oferta desse tipo de atendimento no mundo. Apesar do avanço, o acesso ao cuidado intensivo ainda é desigual. É o que mostra levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Pelos dados, quem tem plano de saúde pode ter até cinco vezes mais chances de conseguir um leito do que quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa diferença pode ainda ser maior, dependendo do Estado ou da região geográfica.

Entre 2016 e 2025, o país passou de cerca de 28 mil para mais de 47 mil leitos de terapia intensiva para adultos nas redes pública e privada. O índice nacional chegou a 22,3 leitos por 100 mil habitantes, acima da média global, estimada em 8,7, e dentro da faixa considerada adequada por organismos internacionais. O crescimento foi impulsionado sobretudo durante a pandemia de covid-19 e, em grande parte, se manteve nos anos seguintes, consolidando uma expansão estrutural da capacidade hospitalar. No entanto, o aumento de tamanho da rede não significa que os problemas acabaram.

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O presidente da AMIB, Cristiano Franke, afirma que, no SUS, é urgente melhorar a organização do cuidado e a gestão dos leitos para ampliar o acesso à terapia intensiva. Para ele, em muitos casos, é possível obter ganhos sem a necessidade imediata de expansão do número de leitos. Franke afirma que o caminho para a equidade passa pela combinação de investimentos e, principalmente, aprimoramento da gestão e organização dos recursos existentes.

Apesar da expansão em nível nacional, os dados consolidados pela AMIB indicam ainda que em determinadas regiões permanece a necessidade de ampliação da disponibilidade de leitos, sobretudo na rede pública. Para a Associação, considerada referência no tema, o fato de o país apresentar uma taxa relativamente elevada não significa que se instalou um cenário de acesso equitativo. Ao contrário, as desigualdades observadas impactam diretamente a chance de sobrevivência dos pacientes dentro do sistema de saúde.

A média global de disponibilidade de leitos de UTI, considerando 87 países com dados disponíveis, é de 8,7 por 100 mil habitantes. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a faixa entre 10 e 30 leitos por 100 mil como referência a ser perseguida pelas nações. No Brasil, se em termos gerais, houve uma evolução importante na cobertura, esse movimento alcançou um estágio de maior conforto no segmento privado e suplementar da assistência.

Os números descrevem uma evolução semelhante entre os leitos do SUS (13.869, em 2016, para 23.218, em 2025) e do setor privado (14.572, em 2016, para 24.426, em 2025), porém a rede formada por serviços particulares e operadoras de planos de saúde atingiu um patamar de taxas próximas de 69 leitos por 100 mil habitantes ao longo da década, o que a coloca em pé de igualdade com cenários de países desenvolvidos. Já no SUS, o índice passou de 7,5 por 100 mil, em 2016, para 13 por 100 mil, em 2025, praticamente dobrando.

Com esse cenário, velhos problemas permanecem, como um acesso ao cuidado intensivo no Brasil marcado por desigualdades relevantes entre regiões e, sobretudo, entre quem tem ou não plano de saúde. Em 2025, a população brasileira foi estimada em 213,4 milhões de habitantes. Desse total, 35,5 milhões eram atendidos por planos de saúde e 177,9 milhões exclusivamente pelo SUS. Na prática, isso significa que 16,6% da população concentra 24.426 leitos de UTI adulto, enquanto 83,4% compartilham 23.218 leitos, pouco menos da metade dos 47.644 disponíveis no país.

A desigualdade se acentua quando se observa a oferta proporcional. Entre beneficiários de planos de saúde, são 69 leitos por 100 mil habitantes. Já entre usuários do SUS, a taxa é de 13 por 100 mil. Em termos concretos, quem possui plano tem cerca de cinco vezes mais chance de acessar um leito de UTI do que quem depende exclusivamente da rede pública.

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Sob outra perspectiva, ao combinar a dependência exclusiva do SUS com o local de residência, o contraste no acesso à UTI se intensifica. Um morador do Espírito Santo que dependa do sistema público (22,8 leitos SUS por 100 mil habitantes) tem cerca de seis vezes mais chance de acessar um leito de terapia intensiva do que alguém no Amapá (3,6 por 100 mil).

Em números absolutos, o Sudeste concentra 10.616 leitos de UTI pelo SUS, seguido do Nordeste (5.361), Sul (3.908), Centro-Oeste (1.886) e Norte (1.447). Quando se observa a oferta proporcional, o Sudeste também lidera, com 15 leitos por 100 mil habitantes, seguido do Sul (14), Centro-Oeste (13), Nordeste (11) e Norte (8), este último abaixo do patamar mínimo recomendado internacionalmente, de 10 leitos por 100 mil habitantes.

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* média de leitos UTI Adulto SUS + Não SUS

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Segundo o presidente do Conselho Consultivo da AMIB, Ederlon Rezende, o crescimento do número de leitos de UTI ao longo dos anos representa um avanço importante, especialmente pela capacidade de resposta construída durante a pandemia e que acabou sendo incorporada de forma estrutural ao sistema de saúde.

“O principal desafio está na distribuição e na capacidade de resposta do sistema. A forma como os leitos estão organizados e integrados à rede de atenção ainda limita o acesso em diversas regiões do país, sobretudo para a população que depende exclusivamente do SUS”, comentou,

Rezende destaca ainda ser necessário avançar na construção de redes regionais mais articuladas, com maior capacidade de coordenação entre os serviços, de modo a reduzir vazios assistenciais e desigualdades territoriais. Segundo ele, o momento exige menos foco isolado na expansão e mais atenção à forma como os recursos existentes são distribuídos e utilizados.

Distribuição de leitos SUS e Não SUS por Unidade da Federação

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* IBGE/ANS/CNES: dezembro de 2025

Estatuto assegura prioridade formal à vontade do paciente nas decisões clínicas

Publicação: 05/05/2026

A entrada em vigor da Lei nº 15.378/2026 inaugura um novo marco regulatório na relação entre pacientes e profissionais de saúde no Brasil. O Estatuto dos Direitos do Paciente estabelece, em âmbito nacional, diretrizes que organizam direitos e deveres na assistência e introduz parâmetros que impactam a prática médica, em especial, de alta complexidade, como a medicina intensiva.

Na avaliação do presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), o médico intensivista Cristiano Franke, a nova legislação consolida princípios inerentes à rotina das unidades de terapia intensiva (UTIs), como o respeito à autonomia, à dignidade e à proporcionalidade dos tratamentos. “Ao transformar esses fundamentos em lei, o Estatuto garante ao paciente protagonismo para tomar decisões clínicas delicadas, comuns no ambiente intensivo”, comenta.

Em suas disposições gerais, o documento ressalta que a vontade do paciente passa a ter prioridade formal e obrigatória, especialmente por meio das diretivas antecipadas ou de um representante designado. Antes, esses princípios já eram discutidos na ética médica, mas não tinham a mesma força legal nem uma organização clara.

Com o Estatuto do Paciente, por exemplo, o artigo 2º, traz algumas especificações, como a autodeterminação, que é a capacidade do paciente de autodeterminar-se segundo sua vontade e suas escolhas, livre de coerção externa ou de influência subjugante. Outro ponto importante nesse capítulo trata das diretivas antecipadas de vontade (DAV), que, na prática, é uma declaração de vontade escrita sobre os cuidados, os procedimentos e os tratamentos que o paciente aceita ou recusa.

Ainda sobre a autonomia do paciente, recebe espaço a figura do representante do paciente, que é a pessoa designada pelo próprio paciente, em suas DAVs ou em qualquer outro registro escrito, para decidir por ele sobre os cuidados relativos à sua saúde, quando não puder expressar livre e autonomamente a sua vontade. Apenas na ausência dessas referências, a decisão passa a considerar a família, sempre com foco no paciente.

Na avaliação da médica intensivista Cristiane Monte, que integra a diretoria ampliada da AMIB e preside o Comitê de Comunicação, apesar desse avanço normativo, a aplicação das DAVs ainda enfrenta desafios, uma vez que o uso desse instrumento ainda é incipiente, embora haja um crescente reconhecimento de sua importância. “O Estatuto, nesse sentido, poderá funcionar como um indutor para que hospitais e serviços de terapia intensiva aprimorem mecanismos de registro, acesso e validação dessas informações”, comenta.

A legislação também traz diretrizes para situações de conflito, como em casos em que há divergência entre a vontade previamente expressa pelo paciente e a posição de familiares. Nesses casos, o Estatuto deixa claro que deve prevalecer a decisão do paciente, desde que devidamente registrada. No entanto, cabe ao médico intensivista conduzir o processo com comunicação qualificada, empatia e acolhimento, envolvendo equipes multidisciplinares, como psicologia, além de comitês de ética e assessoramento jurídico quando necessário.

CUIDADOS PALIATIVOS – Outro avanço, de acordo com a AMIB, é o reforço do direito à recusa de tratamentos. Na prática da medicina intensiva, esse princípio dialoga diretamente com decisões de limitação de suporte de vida. Também reconhece que a não adoção ou a suspensão de intervenções consideradas fúteis ou desproporcionais não configura omissão, mas sim cuidado adequado, alinhado ao melhor interesse do paciente.

Nesse cenário, a medicina intensiva também assume papel estratégico na consolidação dos cuidados paliativos dentro do ambiente hospitalar. Com isso, as UTIs passam a ser vistas não apenas como espaços de suporte avançado à vida, mas também como locais de integração de cuidados voltados ao controle de sintomas, planejamento terapêutico e garantia de morte digna quando não há possibilidade de reversão do quadro clínico.

A presidente do Comitê de Cuidados Paliativos, a médica intensivista Rachel Duarte Moritz, chama a atenção para o conteúdo do artigo 2º, inciso V, do Estatuto do Paciente, onde consta o direito do paciente receber cuidados paliativos.  “O Estatuto do Paciente caminha junto com os Cuidados Paliativos, inclusive estabelecendo o direito dos pacientes e de seus familiares receberem esses cuidados. Essa lei gerou um enorme avanço dos cuidados humanizados e multiprofissionais aos pacientes vítimas de doenças ameaçadoras da vida”, comenta.

Ela observa ainda que o conceito de cuidados paliativos adotado pelo Estatuto do Paciente segue a mesma linha empregada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – de 2002 e reafirmado em 2020 -, que já definia Cuidados Paliativos como uma abordagem multiprofissional que visa a qualidade de vida dos pacientes (adultos e crianças) e de seus familiares, que enfrentam doenças ameaçadoras da vida. Esses cuidados atuam através da prevenção e alívio do sofrimento por meio da identificação precoce, avaliação e tratamento impecável da dor e outros problemas psicossociais e espirituais.

“O tripé que sustenta os Cuidados Paliativos é o respeito à autonomia do paciente com o estímulo à boa comunicação, o tratamento adequado dos sintomas e o não prolongamento do morrer, o que exige um conhecimento adequado da avaliação prognóstica”, destaca a presidente do Comitê de Cuidados Paliativos, da AMIB.

INFORMAÇÃO ACESSÍVEL – O Estatuto do Paciente, de acordo com a médica intensivista Cristiane Monte, prevê ainda o direito à informação clara e acessível, o que impõe às equipes de UTI o desafio de traduzir conteúdos técnicos em linguagem compreensível. “A recomendação é estruturar momentos específicos para diálogo com familiares, registrar adequadamente as decisões e envolver todos os profissionais participantes do cuidado”, diz.

Porém, a efetiva incorporação do Estatuto à rotina das UTIs, na avaliação de Cristiane Monte, ainda depende de superar desafios estruturais e culturais, como a baixa familiaridade com diretivas antecipadas.

Nesse contexto, segundo ela, a AMIB tem atuado na elaboração de diretrizes, na formação de profissionais e no apoio técnico a serviços públicos e privados, com o objetivo de viabilizar a implementação prática da lei.

AMIB e ESICM avançam na elaboração de documento inédito sobre doença hepática

Publicação: 04/05/2026

Médicos intensivistas da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e a European Society of Intensive Care Medicine (ESICM) deram um importante passo na construção de um documento inédito voltado ao manejo de pacientes com doença hepática em estágio avançado. A iniciativa reúne especialistas do Brasil e da Europa, que buscam consolidar diretrizes que auxiliem na tomada de decisão em cenários críticos.

“Grande parte das recomendações disponíveis encontra-se fragmentada por especialidades. Nossa proposta foi reunir esse conhecimento em um documento único, construído por intensivistas e especialistas convidados, com foco no cuidado real do paciente crítico à beira do leito”, explica Ederlon Rezende, presidente do Conselho Consultivo da AMIB.

A consolidação da proposta ocorreu durante o EuroBrazil 2026. Em sessão conjunta, especialistas da AMIB e ESICM, de diferentes áreas da terapia intensiva, como neurologia, cardiovascular, respiratória, infecciosa, renal e transplante, submeteram suas análises sobre o tema à discussão coletiva. “O intensivista está habituado a manejar, ao mesmo tempo, choque circulatório, insuficiência renal aguda, encefalopatia, infecções graves e suporte ventilatório. Por isso, faz sentido que a coordenação dessas recomendações parta de uma visão multidisciplinar e centrada na complexidade clínica”, observa Rezende.

Para Viviane Veiga, diretora Científica da AMIB, a construção conjunta do documento representa um avanço relevante para a especialidade. Segundo ela, a iniciativa também fortalece a cooperação internacional e amplia a consistência técnica das recomendações. “Trata-se de um esforço colaborativo que reúne especialistas de diferentes realidades, o que enriquece o conteúdo e amplia sua aplicabilidade”, destaca.

“Mais do que discutir fígado isoladamente, discutimos o paciente com falência hepática e múltiplas disfunções orgânicas. Esse é um cenário clássico da UTI e demanda recomendações práticas, integradas e aplicáveis. Essa iniciativa representa um passo importante para organizar o cuidado de uma população altamente complexa, em que decisões rápidas e coordenadas podem modificar prognóstico”, complementa o presidente do Conselho Consultivo.

A partir das contribuições apresentadas pelos especialistas, tanto da AMIB quanto da ESICM, sugestões foram incorporadas, dando início à fase final de redação do documento. A expectativa, segundo Viviane Veiga, é de que o material, assim que concluído, seja submetido para publicação em periódicos de referência, como a revista da ESICM, Intensive Care Medicine Experimental (ICMx), e a Critical Care Science (CCS), vinculada à AMIB e à SPCIC.

Atividade física e mobilização precoce ajudam a conter a sarcopenia em pacientes críticos, alertam intensivistas

Prevenir a perda de músculos deve fazer parte de uma rotina saudável, mas quando a internação ocorre, a correta realização de protocolo pode ajudar pacientes críticos a ter mais qualidade de vida ou ajudar a melhorar a qualidade de vida de pacientes críticos

Publicação: 30/04/2026

Muito mais do que um dia, uma semana ou um mês, a prevenção da sarcopenia, que é a perda progressiva dos músculos, ganha espaço entre as ações promovidas pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Tradicionalmente iniciada em julho, em referência ao Dia Mundial de Conscientização sobre a condição, celebrado no dia 4, a campanha se estende ao longo de todo o ano, com o objetivo de reforçar a importância do cuidado contínuo, longe de qualquer modismo.

A AMIB, desde 2024, realiza campanhas de conscientização voltadas tanto ao grande público, para conscientizar sobre o tema e estimular suas formas de prevenção, como para a comunidade médica. A ampliação do debate coloca luz sobre um problema silencioso e frequente, especialmente entre pacientes críticos. A perda de massa e força muscular pode atingir até 70% dos internados em unidades de terapia intensiva (UTI) já no momento da admissão, o que evidencia a necessidade de estratégias de prevenção e cuidado contínuo.

Segundo explica a médica intensivista e presidente do Comitê de Comunicação da AMIB, Cristiane Monte, em poucos dias de internação, a perda muscular pode se agravar de forma acelerada. Em entrevista ao portal da AMIB, ela explica como manter uma rotina com mais músculos e também como a mobilização precoce, mesmo durante a internação, pode contribuir para preservar a massa muscular, melhorar desfechos clínicos e garantir melhor qualidade de vida aos pacientes. Confira!

AMIB – Para começar, a sarcopenia, de forma geral, é a perda de músculos. Mas quando de fato a perda de massa muscular deve ser uma preocupação?
Cristiane Monte – A perda de massa muscular deve ser motivo de atenção quando começa a afetar a força, a mobilidade e a autonomia da pessoa. Em outras palavras, não é apenas o “tamanho” do músculo que importa, mas o impacto que essa perda traz para a vida diária. Dificuldade para levantar-se da cadeira, subir escadas, caminhar com segurança ou realizar tarefas simples já pode indicar que a perda muscular deixou de ser apenas um achado fisiológico do envelhecimento e passou a ter relevância clínica.

AMIB – Tem um percentual mínimo?
Cristiane Monte – Não existe um percentual mínimo universal que defina, sozinho, quando a perda muscular é preocupante. Isso porque a sarcopenia não é avaliada apenas pela quantidade de músculo, mas também pela força e pelo desempenho físico. Assim, pequenas perdas podem ser muito importantes em pessoas idosas, frágeis ou com doença crônica, enquanto a mesma redução pode ter menos impacto em um adulto jovem saudável. O que mais importa é o contexto clínico e funcional.

AMIB – E por que a massa muscular é tão importante?

Cristiane Monte – A massa muscular é importante porque o músculo não serve apenas para movimento. Ele também participa do metabolismo, ajuda no controle da glicose, funciona como reserva de proteína e contribui para a resposta do organismo em situações de estresse, como infecções, cirurgias e internações. Quando essa reserva é baixa, o corpo tem mais dificuldade para se recuperar e para manter a funcionalidade.

AMIB – Homens têm mais massa muscular, porém estão imunes à sarcopenia? É mais comum em mulheres? Tem um percentual?
Cristiane Monte – Homens não estão imunes à sarcopenia. Embora, em média, tenham mais massa muscular do que as mulheres, eles também podem desenvolver a condição com o envelhecimento, o sedentarismo, a desnutrição e as doenças crônicas. A sarcopenia pode ocorrer em ambos os sexos. O que muda é que as mulheres costumam ter menor massa muscular basal e podem apresentar maior vulnerabilidade em determinadas fases da vida, especialmente após a menopausa. Não há um percentual único que defina a prevalência em todos os contextos, porque isso varia conforme idade, população estudada e método de avaliação.

AMIB – Quando devemos começar a nos preocupar com a sarcopenia? Tem uma idade em que acende a luz amarela?
Cristiane Monte – A preocupação deve começar antes mesmo da velhice avançada. A sarcopenia é um processo progressivo e tende a se acelerar a partir da meia-idade, com maior atenção após os 50 ou 60 anos. A “luz amarela” acende quando surgem sinais como perda de força, redução da velocidade da marcha, maior dificuldade para atividades rotineiras, quedas frequentes ou perda de peso sem explicação. Quanto mais cedo esses sinais forem reconhecidos, melhor a chance de prevenção e intervenção.

AMIB – Como prevenir a sarcopenia?
Cristiane Monte A prevenção da sarcopenia envolve principalmente atividade física regular e alimentação adequada. O exercício mais importante é o treino de força ou resistência, porque ele estimula diretamente a manutenção e o ganho de massa muscular. Caminhadas, bicicleta e outras atividades aeróbicas também ajudam, mas não substituem o fortalecimento muscular. Na alimentação, é essencial garantir ingestão adequada de proteínas ao longo do dia, além de energia suficiente. Em idosos ou pessoas com doenças crônicas, essa orientação precisa ser individualizada.

AMIB – Na velhice, quando é comum ter problemas de deglutição e até de dentição, tem estratégias para driblar essa situação?
Cristiane Monte – Sim. Quando há dificuldade para mastigar ou engolir, é possível adaptar a alimentação para preservar o estado nutricional e evitar perda muscular. Entre as estratégias estão usar preparações mais macias ou pastosas, fracionar as refeições, enriquecer os alimentos com proteína e calorias e, quando necessário, ajustar a consistência dos líquidos. Também é importante envolver equipe de nutrição, odontologia e fonoaudiologia, porque muitas vezes o problema não é apenas alimentar-se menos, mas não conseguir se alimentar de forma segura e suficiente.

AMIB – Qual a importância dos músculos na UTI? Como eles ajudam na recuperação?
Cristiane Monte – Na UTI, músculos mais preservados ajudam porque oferecem melhor reserva funcional para suportar o estresse da doença, da imobilidade e da inflamação. Isso facilita a reabilitação, reduz a fraqueza adquirida na UTI e aumenta a chance de recuperação funcional após a alta. Há estudos que associam melhor preservação muscular e mobilização precoce a melhores desfechos, incluindo menor tempo de ventilação mecânica e, em alguns casos, menor tempo de internação. Porém, não existe um percentual único de dias a menos que sirva para todos os pacientes, porque os resultados dependem da gravidade, da doença de base e das características de cada pessoa.

AMIB – Cada dia internado em uma UTI perde-se quantos por cento de massa muscular?
Cristiane Monte – Não existe um percentual fixo e universal de perda muscular por dia na UTI. A velocidade dessa perda varia muito conforme o quadro clínico, a presença de sepse, a sedação, o grau de imobilidade, a nutrição e as comorbidades. A perda pode ser rápida e clinicamente relevante já nos primeiros dias de internação, motivo pelo qual a prevenção precisa começar cedo.

AMIB – Como a sarcopenia está interligada com a mobilização precoce?
Cristiane Monte – A sarcopenia e a mobilização precoce estão diretamente relacionadas porque a imobilidade acelera a perda muscular. Quanto mais tempo o paciente permanece parado, maior a chance de atrofia, fraqueza e piora funcional. A mobilização precoce atua justamente para interromper esse ciclo, estimulando músculos, circulação, respiração e independência funcional desde o início da internação, sempre que clinicamente seguro.

AMIB – A mobilização precoce contribui para evitar o agravamento do paciente grave na UTI?
Cristiane Monte – A mobilização precoce contribui porque reduz os efeitos nocivos do repouso prolongado. Em vez de o paciente ficar completamente imobilizado, ele recebe estímulos motores graduais que ajudam a preservar força, coordenação, resistência e capacidade funcional. Isso diminui a fraqueza adquirida na UTI, favorece a recuperação e pode encurtar o processo de reabilitação. Em termos práticos, ela ajuda a evitar que o paciente saia da UTI ainda mais debilitado do que a doença por si só já o deixou.

AMIB – Por que a mobilização precoce é importante?
Cristiane Monte – Ela é importante porque transforma a internação em uma oportunidade de preservação funcional, e não apenas em um período de espera pela melhora clínica. O objetivo não é só sobreviver à doença aguda, mas sobreviver com menos perda de autonomia e maior chance de retorno às atividades. A mobilização precoce ajuda a reduzir complicações relacionadas à imobilidade, melhora a recuperação muscular e favorece um desfecho mais funcional.

AMIB – Em que a mobilização precoce consiste e como pode ser aplicada como técnica assistencial? E quem pode aplicá-la?
Cristiane Monte – A mobilização precoce consiste em iniciar movimentos e mudanças posturais o quanto antes, conforme a condição clínica do paciente. Isso pode incluir exercícios passivos, ativos ou assistidos, sedestação, ortostatismo, marcha assistida e progressão gradual conforme a tolerância. Como técnica assistencial, ela deve ser aplicada por equipe multiprofissional capacitada, com participação de fisioterapia, enfermagem e medicina, entre outros profissionais conforme a necessidade. O mais importante é que a intervenção seja planejada e segura.

AMIB – É aplicável a todo paciente?
Cristiane Monte – Não. A mobilização precoce não é indicada de forma indiscriminada para todos os pacientes. Ela precisa ser avaliada caso a caso, levando em conta estabilidade hemodinâmica, respiratória, neurológica e o risco de eventos adversos. Em algumas situações, a mobilização pode ser adiada ou adaptada. O princípio é mobilizar cedo, mas sempre com segurança.

AMIB – Ao aplicar a mobilização precoce, aumenta a chance de preservar a funcionalidade global do corpo, aumentando também a possibilidade de voltar para casa andando ou com suporte?
Cristiane Monte – Sim. A mobilização precoce aumenta a chance de preservar a funcionalidade global porque ajuda o paciente a perder menos força, menos equilíbrio e menos capacidade de locomoção durante a internação. Com isso, cresce a probabilidade de ele sair da UTI mais independente, seja andando sozinho, seja com algum suporte. Em outras palavras, ela não atua apenas na sobrevida, mas na qualidade da recuperação.

Livro sobre saúde mental de intensivistas é lançado durante seminário na UEFS

O lançamento do livro “Saúde Mental dos Trabalhadores Intensivistas” marcou o seminário “Saúde Mental dos Trabalhadores de Saúde: Perspectivas Pós-Pandemia da Covid-19”, realizado no último dia 16 de abril, no auditório do Módulo 7 da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia. A obra reúne uma década de produção científica sobre o sofrimento psíquico e a síndrome de burnout entre profissionais da terapia intensiva, consolidando evidências e reflexões sobre um dos temas mais urgentes no cenário pós-pandêmico.

De autoria da enfermeira intensivista e professora doutora, Joselice Almeida Góis e do médico epidemiologista e professor doutor, Carlito Lopes Nascimento Sobrinho, o livro nasce de um amplo projeto de pesquisa desenvolvido no âmbito da Sala de Situação e Análise Epidemiológica e Estatística da UEFS. Ao longo dos anos, o estudo resultou em dissertações, teses e artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, com foco na identificação da ocorrência e dos fatores associados ao sofrimento mental entre trabalhadores de unidades de terapia intensiva.

A publicação sistematiza o conhecimento acumulado ao longo do período de estudos e busca contribuir com profissionais de saúde e gestores, que atuam no contexto da terapia intensiva. A proposta é oferecer subsídios para ações que promovam melhorias nas condições de trabalho, com impactos na qualidade da assistência e na segurança do paciente.

O lançamento do livro, além dos autores, reuniu especialistas da área, como o médico intensivista José Mário Meira Teles, membro do conselho consultivo da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB); o professor Dalton de Souza Barros, da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública; o presidente da Sociedade de Terapia Intensiva da Bahia (SOTIBA), João Gabriel Rosa Ramos, e o médico Lúcio Couto de Oliveira Jr.

AMIB promove curso de imersão para qualificar elaboração de diretrizes clínicas

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) realizou, recentemente, o curso “Como Elaborar Diretrizes”. A iniciativa, conduzida pelo metodologista Wanderley Bernardi, teve por finalidade capacitar profissionais envolvidos na elaboração de recomendações clínicas na entidade. Ao longo de dois dias, os participantes discutiram aspectos metodológicos para a construção de diretrizes sólidas.

De acordo com a coordenadora do evento e integrante do Conselho Consultivo da AMIB, Suzana Lobo, o curso integra uma etapa preparatória estratégica. “Realizamos um treinamento envolvendo diversos comitês científicos, alinhando conceitos e metodologias para consolidar uma diretriz em fase final e dar início a outras duas frentes prioritárias. É importante frisar ainda que tivemos uma excelente adesão e avançamos na discussão de pontos fundamentais e aspectos metodológicos relevantes para a construção de diretrizes de alta qualidade”, afirmou.

Para a vice-presidente da AMIB e presidente da Medicina Intensiva Pediátrica, Kathia Harada, a iniciativa exterioriza o compromisso com o rigor técnico e científico. “O Curso de imersão em diretrizes da AMIB transforma ciência em ação. Dominar essa metodologia permite entregar orientações precisas, encurtando prazos sem abrir mão do rigor técnico e científico”, avaliou.

“Essa imersão ganha ainda mais relevância com a participação da Terapia Intensiva Pediátrica e Neonatal. Integrar esse olhar garante que as diretrizes não sejam meras adaptações, mas protocolos que respeitam a fisiologia única de quem é o nosso futuro”, acrescentou.

Para finalizar, a presidente da Medicina Intensiva Pediátrica elogia a iniciativa e destaca seus impactos para a prática médica. “Parabéns à AMIB por essa iniciativa, que pode ser considerado um ganho para o profissional, um salto para a especialidade e a garantia de um cuidado seguro para pacientes de todas as idades”.

Também participaram da imersão especialistas envolvidos na elaboração da diretriz de choque, bem como os elaboradores da futura diretriz de procalcitonina e membros da pediatria que irão compor o board da diretriz de Ventilação Mecânica em Pediatria.

ClinicalKey: AMIB garante acesso gratuito a associados a uma das mais completas plataformas de conteúdo médico do mundo

Publicação: 20/04/2026

Mais de 29 mil acessos em pouco mais de um ano indicam como médicos intensivistas têm recorrido a ferramentas digitais para apoiar decisões clínicas. O dado faz parte de um levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) sobre o uso do ClinicalKey, plataforma de conteúdo médico disponibilizada gratuitamente aos associados da entidade.

Entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, a média mensal superou 2 mil utilizações, reforçando o papel do acesso rápido à informação baseada em evidências na prática assistencial. O conteúdo disponível abrange diversas especialidades, com destaque para terapia intensiva, medicina de emergência, infectologia, clínica médica e anestesiologia.

Ao todo, nove pacotes de conteúdo são disponibilizados aos associados, reunindo livros, periódicos científicos e materiais voltados à prática clínica. A qualidade e a aplicabilidade do conteúdo também chamam atenção. Os jornais científicos lideram o ranking de acessos, representando cerca de 39% da utilização, seguidos pelos livros, com 36,4%. Já os conteúdos voltados à prática “à beira leito”, como guidelines, calculadoras clínicas e resumos objetivos, respondem por 23% do uso, demonstrando a importância da plataforma tanto para atualização quanto para suporte imediato na assistência ao paciente.

Outro diferencial está nas funcionalidades que ampliam a experiência do usuário. Recursos como leitura em formato EPUB, personalização do conteúdo, leitura em voz alta e geração automática de referências bibliográficas tornam o aprendizado mais acessível, dinâmico e inclusivo.

Além disso, o benefício representa uma economia significativa. Apenas os 15 títulos mais consultados em 2025 corresponderiam a um investimento individual superior a US$ 2.260 em livros e mais de US$ 35 mil em assinaturas de periódicos. Como associado da AMIB, todo esse conteúdo está disponível sem custo adicional.

Confira abaixo os livros mais lidos pelos médicos intensivistas no último ano.

Nova diretoria da AMIB-PI toma posse com foco em qualidade assistencial e inovação

(Publicação 17/04/2026)

A AMIB Piauí deu início ao biênio 2026–2027 com a posse de sua nova diretoria. A cerimônia ocorreu na última quarta-feira, dia 15 de abril, na sede do Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI). O evento marcou o início de uma gestão com foco na qualificação da assistência ao paciente crítico e na valorização dos médicos intensivistas.

Ao assumir a presidência, o médico Caubi de Araújo Medeiros destacou o papel estratégico da especialidade dentro do sistema de saúde. Em seu discurso, enfatizou que a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) representa um dos ambientes mais desafiadores da prática médica, onde ciência, precisão técnica e cuidado humanizado se encontram de forma intensa no atendimento ao paciente crítico.

Segundo ele, a nova gestão será conduzida com base em três pilares principais: a busca pela excelência assistencial, com ênfase na segurança e qualidade do cuidado; o fortalecimento da educação continuada, acompanhando os avanços científicos e tecnológicos; e a valorização profissional, reconhecendo a importância do intensivista na estrutura hospitalar.

Durante a solenidade, também foram abordados desafios contemporâneos da área, como a incorporação da inteligência artificial na prática médica. Sobre esse assunto, o novo presidente ressaltou que, embora a tecnologia represente um avanço significativo, seu uso deve estar sempre alinhado ao julgamento clínico e à manutenção de uma abordagem humanizada no cuidado.

A proposta da diretoria também inclui ampliar a integração entre profissionais e serviços, consolidando a medicina intensiva como área estratégica dentro da rede de saúde do Piauí. Em seu discurso de posse, Caubi Medeiros fez questão de reconhecer o trabalho das gestões anteriores e destacou o papel do trabalho multiprofissional como elemento essencial para a qualidade assistencial.

HOMENAGEM – A cerimônia também foi marcada por uma homenagem à médica Patrícia Mello, diretora-presidente passada da AMIB e integrante do Conselho Consultivo. O momento teve por objetivo reconhecer a trajetória e a contribuição de Patrícia Mello para o desenvolvimento da medicina intensiva no estado e também no Brasil.

A diretoria eleita para o biênio 2026–2027:

Presidente
Dr. Caubi de Araújo Medeiros

Vice-Presidente
Dra. Loyana Teresa Teófilo Lima Silva

Secretário
Dr. Francisco César de Oliveira Gonçalves

Tesoureiro
Dr. Itapuan Damásio de Sousa

Comissão Científica

Presidente: Dra. Lina Madeira
1º Membro: Dr. Felipe Veiga de Carvalho
2º Membro: Dra. Marciana Gomes Sandes

AMIB adere à mobilização do CFM em defesa da auditoria médica autônoma e assistência segura aos pacientes

(Publicação 17/04/2026)

Entidades médicas aprovam manifesto no qual expõem sua contrariedade à decisão judicial que suspendeu trechos da Resolução CFM nº 2.448/2025. O documento prejudicado reforça que a auditoria é um ato privativo de médicos, devendo ser exercida com autonomia, responsabilidade técnica e compromisso com a qualidade da assistência.

Representantes da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) participaram da reunião, durante a qual o manifesto foi proposto e aprovado. Segundo o texto, a suspensão desses dispositivos representa risco à qualidade da assistência, podendo comprometer a autonomia médica, favorecer conflitos de interesse e dificultar o acesso dos pacientes a diagnósticos e tratamentos adequados.

Pela AMIB, participaram o presidente Cristiano Franke, Marcelo Maia e Marcelo Mock, respectivamente, membros do Conselho Consultivo e da Comissão de Defesa Profissional da Associação. Ao todo, 35 sociedades de especialidade enviaram representantes ao encontro e todas foram unânimes na defesa da norma do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Repetidas recusas – O presidente do CFM, José Hiran Gallo, comemorou a adesão das entidades, o que, na sua opinião, confirma o impacto negativo das repetidas recusas (glosas) feitas pelas operadoras de saúde a procedimentos médicos. “É muito importante que estejamos unidos nesta pauta. A situação atual é insustentável, com procedimentos médicos sendo recusados por profissionais não-médicos e até de forma automatizada. Temos de nos unir contra essa situação”, afirmou.

Diante desse cenário, o CFM e a Associação Médica Brasileira (AMB) afirmaram que adotarão medidas para restabelecer a eficácia da Resolução nº 2.448/2025, reforçando seu compromisso com a ética médica, segurança do paciente e valorização da prática profissional.

Entre os principais pontos destacados pelas entidades no manifesto estão a defesa da autonomia do médico assistente e do auditor, a proibição de vínculos entre remuneração e número de glosas (recusas), medida considerada essencial para evitar conflitos de interesse e garantir a imparcialidade da auditoria. Além disso, proibição de recusar procedimentos previamente autorizados e realizados.

Avaliação presencial – O texto ainda ressalta a necessidade de avaliação presencial do paciente pelo médico auditor, impedindo decisões baseadas exclusivamente em análise documental, e preconiza o respeito a protocolos clínicos reconhecidos, bem como aqueles constantes no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar e do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o presidente da AMIB, Cristiano Franke, a suspensão desses dispositivos da Resolução abre espaço para distorções que podem comprometer tanto a prática médica quanto o acesso adequado ao cuidado.

“O posicionamento das entidades médicas é fundamental neste momento, uma vez que a auditoria médica precisa ser compreendida como um ato técnico, exercido por médicos, com autonomia e responsabilidade, sempre voltado à qualidade da assistência e à segurança do paciente”, avalia.