Publicação: 04/05/2026
Médicos intensivistas da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e a European Society of Intensive Care Medicine (ESICM) deram um importante passo na construção de um documento inédito voltado ao manejo de pacientes com doença hepática em estágio avançado. A iniciativa reúne especialistas do Brasil e da Europa, que buscam consolidar diretrizes que auxiliem na tomada de decisão em cenários críticos.
“Grande parte das recomendações disponíveis encontra-se fragmentada por especialidades. Nossa proposta foi reunir esse conhecimento em um documento único, construído por intensivistas e especialistas convidados, com foco no cuidado real do paciente crítico à beira do leito”, explica Ederlon Rezende, presidente do Conselho Consultivo da AMIB.
A consolidação da proposta ocorreu durante o EuroBrazil 2026. Em sessão conjunta, especialistas da AMIB e ESICM, de diferentes áreas da terapia intensiva, como neurologia, cardiovascular, respiratória, infecciosa, renal e transplante, submeteram suas análises sobre o tema à discussão coletiva. “O intensivista está habituado a manejar, ao mesmo tempo, choque circulatório, insuficiência renal aguda, encefalopatia, infecções graves e suporte ventilatório. Por isso, faz sentido que a coordenação dessas recomendações parta de uma visão multidisciplinar e centrada na complexidade clínica”, observa Rezende.
Para Viviane Veiga, diretora Científica da AMIB, a construção conjunta do documento representa um avanço relevante para a especialidade. Segundo ela, a iniciativa também fortalece a cooperação internacional e amplia a consistência técnica das recomendações. “Trata-se de um esforço colaborativo que reúne especialistas de diferentes realidades, o que enriquece o conteúdo e amplia sua aplicabilidade”, destaca.
“Mais do que discutir fígado isoladamente, discutimos o paciente com falência hepática e múltiplas disfunções orgânicas. Esse é um cenário clássico da UTI e demanda recomendações práticas, integradas e aplicáveis. Essa iniciativa representa um passo importante para organizar o cuidado de uma população altamente complexa, em que decisões rápidas e coordenadas podem modificar prognóstico”, complementa o presidente do Conselho Consultivo.
A partir das contribuições apresentadas pelos especialistas, tanto da AMIB quanto da ESICM, sugestões foram incorporadas, dando início à fase final de redação do documento. A expectativa, segundo Viviane Veiga, é de que o material, assim que concluído, seja submetido para publicação em periódicos de referência, como a revista da ESICM, Intensive Care Medicine Experimental (ICMx), e a Critical Care Science (CCS), vinculada à AMIB e à SPCIC.