Avaliação da AMIB e da Epimed Solutions aponta crescimento de quase 30% na participação de unidades do SUS entre as melhores do país
As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do sistema público brasileiro vêm ampliando sua presença entre os serviços de melhor desempenho do país. Levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e da Epimed Solutions mostra que mais de 330 hospitais foram certificados em 2026, com destaque para o avanço das unidades vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao longo de 2025, cerca de 800 hospitais, responsáveis por aproximadamente 25 mil leitos de UTI no país, foram monitorados pelo programa UTIs Brasileiras. Desses, 630 atenderam aos critérios técnicos da avaliação e 332 alcançaram os melhores resultados, recebendo certificações de desempenho clínico e eficiência no cuidado a pacientes críticos.
O dado que mais chama atenção é o crescimento proporcional de 29,3% na participação de UTIs públicas entre as unidades certificadas, em comparação à edição anterior. Na prática, 75 hospitais públicos passaram a integrar o grupo de unidades reconhecidas, frente a 58 no ciclo anterior.
Certificação de UTIs no Brasil (2025 – 2026)
| Tipo de hospital | 2026 | 2025 | Variação (n) | Variação (%) |
| Privado | 257 | 246 | +11 | +4,5% |
| Público | 75 | 58 | +17 | +29,3% |
| Total | 332 | 304 | +28 | +9,2% |
Classificação por Desempenho (2025 – 2026)
| Categoria | 2026 | 2025 | Variação (n) | Variação (%) |
| UTI Top Performer | 217 | 189 | +28 | +14,8% |
| UTI Eficiente | 115 | 115 | 0 | 0% |
| Total | 332 | 304 | +28 | +9,2% |
Entre as certificações concedidas, 217 hospitais receberam o selo UTI Top Performer, destinado às unidades com melhor desempenho global, enquanto 115 foram classificados como UTI Eficiente, categoria que reconhece boas práticas assistenciais aliadas ao uso adequado de recursos.
Embora os hospitais privados ainda concentrem a maior parte das unidades com selo máximo, o avanço do setor público indica uma mudança de cenário. “A ampliação da participação de UTIs públicas no sistema de monitoramento e certificação demonstra um movimento crescente de qualificação da assistência intensiva também no SUS”, afirma o presidente da AMIB, Cristiano Franke.
O desempenho das UTIs públicas também evoluiu entre as melhores do país. O número de unidades com selo Top Performer cresceu 44%, passando de 25 para 36 hospitais. Já na rede privada, o aumento foi de 10,4%, com crescimento de 164 para 181 unidades nessa categoria. No total, mais da metade das unidades certificadas atingiu algum nível de distinção. O número de hospitais reconhecidos subiu de 304 para 332 em um ano, crescimento de 9,2%.
Distribuição por Tipo de Hospital (2026)
| Categoria | Privado | Público | Total |
| UTI Top Performer | 181 | 36 | 217 |
| UTI Eficiente | 76 | 39 | 115 |
BOAS PRÁTICAS – Segundo a AMIB, a certificação tem como objetivo reconhecer as unidades que alcançam melhores resultados assistenciais e, principalmente, estimular a melhoria contínua da qualidade da terapia intensiva no país. “O monitoramento sistemático dos indicadores permite identificar oportunidades de melhoria e disseminar boas práticas entre os serviços, contribuindo para aumentar a segurança e a qualidade do cuidado prestado aos pacientes críticos”, afirma Franke.
Os dados divulgados, após amplo monitoramento das UTIs em 2025, também reforçam a importância do Programa UTIs Brasileiras, que completou 10 anos em setembro do ano passado. Criado em 2016, o programa é reconhecido como maior banco de dados epidemiológicos de leitos de UTIs do mundo. O monitoramento contínuo permite reunir informações, por exemplo, sobre taxas de ocupação, número de leitos, desfechos clínicos e evolução na recuperação de pacientes.
A partir desse acervo é possível traçar um panorama preciso da assistência prestada nas UTIs brasileiras, capaz de subsidiar gestores públicos e privados na tomada de decisões sobre investimentos e organização dos serviços. Além disso, os profissionais que atuam nas instituições monitoradas passam a contar com informações qualificadas que favorecem decisões mais rápidas e assertivas no que diz respeito à gestão do cuidado, à alocação de recursos e ao aprimoramento dos processos assistenciais.
CRITÉRIOS – A avaliação das UTIs considera simultaneamente dois aspectos da assistência intensiva: qualidade clínica e eficiência operacional. Para isso, a análise adota como principais indicadores a mortalidade ajustada ao risco dos pacientes atendidos, parâmetro que permite mensurar o desempenho clínico das unidades, e a utilização de recursos assistenciais, com destaque para o tempo de permanência na UTI ajustado à gravidade dos casos.
Além disso, só são avaliadas UTIs que usam o sistema de monitoramento durante todo o ano de análise, com volume mínimo de internações e preenchimento confiável dos dados clínicos. As UTIs ainda são avaliadas de acordo com o perfil dos pacientes que atendem. Por isso, há distinção entre UTIs cardiológicas (com maioria de pacientes com problemas do coração) e UTIs gerais (com pacientes de diferentes perfis clínicos ou cirúrgicos).
A cada edição, é esperado que haja entradas e saídas na lista de hospitais certificados, como resultado de um processo técnico, transparente e orientado por evidências. O mais relevante, no entanto, é o compromisso comum das instituições com a melhoria contínua da medicina intensiva”, afirma Carlos Reis, CEO da Epimed.
Segundo ele, a certificação vai além do reconhecimento. “Trata-se de uma ferramenta de qualificação. Em um ambiente de alta complexidade e recursos limitados, como o das UTIs, medir resultados com precisão permite aprimorar o cuidado, otimizar o uso de recursos e fortalecer a confiança entre equipes, gestores, pacientes e a sociedade.”