AMIB avança na capacitação para doação e transplantes e leva formação a Macapá

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) realizou, em Macapá (AP), mais uma etapa do programa nacional de capacitação voltado a médicos e profissionais de saúde envolvidos no processo de doação e transplante de órgãos. A iniciativa é conduzida pela Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde (CGSNT/DAET/SAES), em parceria com a AMIB e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

A meta é capacitar 2 mil profissionais em todo o país até o fim das ações. Na capital do Amapá, os cursos reuniram 118 participantes, distribuídos entre as formações de Comunicação em Situações Críticas (CSC, 31 participantes; Gerenciamento no Processo de Doação e Transplante (GPDT), 67; e Determinação de Morte Encefálica (DME), 20. As capacitações ocorreram nos dias 27 e 28 de fevereiro. Até o momento foram capacitados 1.005 profissionais, sendo 180 em DME, 280 em CSC e 545 em GPOT.

Atualmente, o Amapá ainda não realiza transplantes, embora faça a notificação de potenciais doadores, assim como Roraima. O estado, no entanto, busca avançar nesse cenário, inclusive por meio de iniciativas como a capacitação realizada no último fim de semana. Quando há oferta de órgãos, um comunicado é emitido ao sistema nacional, responsável por avaliar a logística e a melhor destinação conforme critérios técnicos e de compatibilidade.

O médico intensivista Joel de Andrade, membro do Comitê de Doação e Transplantes da AMIB, que atuou como instrutor nas capacitações ao lado do presidente da associação, Cristiano Franke, destaca o impacto da qualificação profissional para fortalecer o sistema. “De todas as medidas necessárias para que o transplante possa ser feito, a educação é a mais importante, pois é ação de maior impacto”, avalia.

Andrade observa a importância de cada etapa do processo, que vai desde o acolhimento adequado às famílias até a segurança técnica na realização do diagnóstico de morte encefálica, etapa essencial e altamente criteriosa dentro do protocolo.

Os cursos de capacitação, iniciados em 2025, já aconteceram em 11 capitais brasileiras: Porto Velho (RO), Palmas (TO), Cuiabá (MT), Brasília (DF), Goiânia (GO), Aracaju (SE), Natal (RN), Belém (PA), Manaus (AM), Teresina (PI) e, agora, Macapá (AP). Em todas as etapas, segundo a AMIB, os coordenadores locais relataram avaliações positivas.

Resultados imediatos

Consultora técnica da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (FIOTEC), Cláudia Cristina Rodrigues destaca que as centrais mais ativas têm apresentado retornos positivos quanto à mobilização local dos profissionais.

“Em Macapá, ainda não temos habilitação para transplantes de órgãos, mas há uma articulação para aumentar as notificações de morte encefálica. Já no domingo, um dos médicos informou uma notificação no sistema do SNT”, exemplifica a consultora, que esteve em Macapá e participa da organização e realização do projeto junto ao Ministério da Saúde e à OPAS.

O relato foi confirmado pelo médico Carlos Leão, que descreveu a experiência logo após a capacitação. Segundo ele, poucas horas depois do curso, conduziu um protocolo completo de diagnóstico de morte encefálica no Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima, cumprindo todas as etapas exigidas, incluindo exames clínicos e teste de apneia, com apoio da equipe local.

Embora o paciente não pudesse ser considerado potencial doador, devido à contraindicação, o médico destacou a importância do diagnóstico correto. “Tudo isso para que se cumpra o nosso dever ético e humano no diagnóstico de morte encefálica. A doação é consequência de um diagnóstico correto e seguro”, afirmou.

Formação contribui para a segurança das equipes

Sobre a capacitação, o médico Carlos Leão avalia de forma positiva. “Os cursos foram excelentes do ponto de vista técnico e didático. O curso de Comunicação em Situações Críticas nos ofereceu ferramentas essenciais para o fortalecimento do vínculo profissional–paciente/família, com uma teoria muito bem fundamentada e uma prática consistente, baseada em simulações reais. Compreendemos que uma boa comunicação é parte fundamental do processo de doação e transplante”, ressaltou.

Ainda segundo ele, a formação em Determinação de Morte Encefálica também foi decisiva para a segurança das equipes. “O curso nos prepara para os cenários da emergência e da UTI, deixando-nos aptos a realizar os exames com segurança, por meio de uma base teórica sólida e de uma prática extremamente relevante, conduzida por excelentes profissionais”, completou.

A médica intensivista Ivna Deise da Silva Amanajás, que também participou da formação, ressalta o impacto da capacitação. “Foi uma experiência de grande importância para o estado do Amapá. Gratificante fazer parte desse time e ter contato com professores de excelência”, afirma.

Visitas institucionais – Durante a agenda na capital amapaense, o presidente da AMIB, Cristiano Franke e Joel de Andrade também visitaram o Hospital São Camilo e o Hospital Universitário da Federal do Amapá (Unifap).

AMIB se soma à campanha “Juntos pela Zona da Mata” em apoio às vítimas das chuvas em MG

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) aderiu nesta quinta-feira (26) à campanha “Juntos pela Zona da Mata”, uma mobilização solidária criada para apoiar as cidades da Zona da Mata mineira fortemente atingidas pelas chuvas dos últimos dias. Entre os municípios mais afetados estão Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa.

Centenas de famílias estão desabrigadas e enfrentam perdas materiais, demandando apoio emergencial. A AMIB emitiu nota sobre a situação da Zona da Mata. No documento, a Associação se colocou à disposição para colocar com as autoridades locais. Confira aqui a nota.

Sobre a Campanha, a AMIB avalia que toda ajuda é fundamental para garantir condições básicas de assistência e acolhimento às pessoas afetadas. Porém, neste momento, os itens prioritários, de acordo com informações recebidas de entidades locais, como a Sociedade Mineira de Terapia Intensiva (SOMITI), são água potável e material de higiene.

As doações podem ser entregues e/ou enviadas a diversos postos de coleta em Belo Horizonte, Ubá e Juiz de Fora.

Confira os pontos de arrecadação:

Associação Médica de Minas Gerais (AMMG) – Av. João Pinheiro, 161 Centro – BH

Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed MG) – Av. Contorno, 4999 – Serra -BH

Unimed Ubá – Rua Nossa Senhora da Saúde, 118 – Centro – Ubá e Rua Coronel Júlio Soares, 56 – Centro – Ubá

Sociedade de Medicina e Cirurgia de Juiz de Fora – Rua Braz Bernardino, 59 – Juiz de Fora MG

Sicoob Uni Sudeste – Rua Vinte e Dois de Maio, 57 – Centro – Ubá

Asilo São Vicente de Paulo – Rua Padre Gailhac, 112 -Centro – Ubá

Saiba mais sobre a campanha aqui.

AMIB manifesta solidariedade às vítimas das chuvas em Minas e oferece apoio técnico a gestores

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) divulgou nesta quinta-feira (26) nota de solidariedade às famílias das vítimas e a todos os atingidos pelas fortes chuvas que devastaram os municípios de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, em Minas Gerais.

A Associação também se colocou à disposição dos gestores públicos locais para colaborar com suporte técnico, em especial, ao que tange à organização e a capacidade de resposta da rede hospitalar e das unidades de terapia intensiva.

Na nota, a AMIB, que tem acompanhado a evolução da situação, também orientou os gestores a manterem a estrutura de saúde em pleno funcionamento, para garantir condições adequadas de atendimento, segurança assistencial e apoio às equipes que atuam no local.

Além disso, a Associação reconhece o esforço das equipes de resgate e dos profissionais de saúde que atuam na linha de frente da assistência à população, com destaque para os médicos intensivistas envolvidos no atendimento aos casos de maior gravidade.

E, por fim, reforça a importância da população seguir as orientações da Defesa Civil e das autoridades competentes, evitando áreas interditadas, locais com risco de deslizamento e situações que possam representar perigo.

Leia a nota completa aqui.  

Crédito da foto: Juiz de Fora (MG), 25/02/2026 – Casas são destruídas após fortes chuvas no bairro Cerâmica, na zona sudeste de Juiz de Fora. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

AMIB apoia iniciativas da AMB e CFM em defesa da certificação oficial dos títulos de especialista

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) está entre as sociedades de especialidade que ingressaram como amicus curiae na ação judicial movida pela Associação Médica Brasileira (AMB) contra a Ordem Médica Brasileira. A entidade também vem acompanhando de perto as iniciativas do Conselho Federal de Medicina (CFM) nesse caso, que nesta semana ganhou um novo desdobramento com a decisão da Justiça Federal de Santa Catarina, reafirmando o entendimento de que a concessão de títulos de especialista deve observar o sistema oficialmente reconhecido no Brasil.

Confira o despacho da Justiça de SC AQUI.

Desde o início da controvérsia, a AMIB vinha dialogando com outras entidades médicas e avaliando os desdobramentos do caso. A decisão de participar formalmente do processo não surgiu como um gesto isolado, mas como consequência da preocupação com a coerência do modelo de certificação construído ao longo de décadas e em garantir que a titulação continue sendo resultado de critérios técnicos claros, reconhecidos e auditáveis.

Para o presidente da AMIB, Cristiano Franke, na Medicina Intensiva essa discussão ganha contornos ainda mais sensíveis, porque a formação do especialista está diretamente ligada à segurança de pacientes em situação crítica, em ambientes onde cada conduta tem peso real. “O reconhecimento judicial reforça a lógica que estrutura o atual sistema brasileiro, segundo a qual o título de especialista decorre da certificação pelas sociedades médicas vinculadas à AMB. Com esta titulação ou com conclusão de residência credenciada o profissional está habilitado para o Registro de Qualificação de Especialista nos Conselhos Regionais de Medicina”, destacou.

Ao ingressar como amicus curiae, a AMIB passa a oferecer ao Judiciário elementos técnicos próprios da Medicina Intensiva, contribuindo com informações que ajudam a dimensionar o impacto concreto da discussão. É também uma forma de prestar contas aos seus associados, mostrando que a entidade não está à margem de temas que afetam diretamente o exercício profissional e a credibilidade da titulação.

O processo ainda terá desdobramentos, como é natural em disputas dessa natureza. A AMIB seguirá acompanhando cada etapa, em diálogo com as demais instituições médicas, atenta ao que está em jogo para a Medicina Intensiva e para o sistema de certificação como um todo.

Presidente da AMIB participa de cerimônia da nova gestão da AMIB MA – Sotima

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) foi representada por seu presidente, o médico intensivista Cristiano Franke, na cerimônia de posse da nova gestão (2026/2027) da Sociedade de Terapia Intensiva do Maranhão (Sotima) na última quinta-feira (12). O encontro, em São Luiz (MA), reuniu além dos integrantes da diretoria da AMIB MA/Sotima, médicos associados, residentes e membros da comunidade intensivista do estado.

“Foi uma satisfação participar da posse da nova diretoria da AMIB MA/Sotima. Desejo muito sucesso para a nova gestão, que tem como missão dar continuidade ao grande trabalho que já vinha sendo feito. Parabéns a todos”, disse o presidente da AMIB, que também ministrou uma aula antes do jantar comemorativo, intitulada “UTI do Futuro”.

Durante a programação, o presidente atual da AMIB MA/Sotima, Hiago Bastos, apresentou o projeto para próximo biênio. O foco para os próximos dois anos será a defesa profissional e formação do médico intensivista, que contará com a colaboração de programas de residência e com a retomada da pós-graduação da AMIB no estado. “Temos uma expectativa de muito trabalho para expandir nosso planejamento estratégico, visando melhorar a qualificação dos profissionais com o fortalecimento dos PEMIs e REMIs aliados à pós-graduação”, compartilhou com o público presente.

“Com isso, pretendemos aproximar a graduação e residentes da pesquisa e extensão e trabalhar para aumentar o número de associados qualificados com programa de valorização profissional através de implementação da RDC7 e também do plano de carreira do intensivista. Será um trabalho árduo, mas feito por muitas mãos engajadas e motivadas para a valorização do profissional intensivista no Maranhão”, disse Hiago Bastos.

O presidente passado da AMIB MA/Sotima, Filipe Amado, em sua fala, salientou a evolução da especialidade na região e grande parceria institucional com AMIB.  “Ter a oportunidade de representar toda a comunidade intensiva do Maranhão foi uma honra. Trabalhamos com a interiorização da regional com eventos em cidades diferentes, reforçamos o número de associados e estimulamos a titulação”, observou.

NOVA GESTÃO DA AMIB MA/Sotima (2026/2027)

Presidente – Hiago Sousa Bastos

Vice-presidente – Alzira De Alencar Lima Lins Araújo

1º Secretário – Anselmo Alves de Souza

2º Secretário – Carlos Antônio Coimbra Sousa

1º Tesoureiro – Lucas Akira Costa Hirai

2ª. Tesoureira – Luciana Sousa Silva

Visita a hospitais da capital maranhense

Além da participação no evento de posse da nova diretoria da Sotima, o presidente da AMIB visitou Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de três hospitais em São Luiz (MA). Foram visitados o hospital público Dr. Carlos Macieira, que dispõe de 74 leitos, e também o Hospital Maranhense (28 leitos) e UDI (60 leitos), que atende a rede privada. Também participaram das visitas, Hiago Bastos e Felipe Amado.

“As UTIs de alta complexidade visitadas oferecem tratamento de qualidade para os doentes graves, com destaque para a gestão das unidades com indicadores e participação no Programa UTIs Brasileiras, que proporcionam cuidado humanizado, permitindo a presença de familiares de forma constante nessas unidades. Além disso, essas UTIs estão formando novos intensivistas através da residência, com aplicação do número de vagas para a especialidade e com destaque na aprovação da Prova de Título de 2025 dos egressos desses programas”, comentou Cristiano Franke.

AMIB amplia formação nacional em doação e transplante de órgãos com capacitação em Manaus (AM)

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) iniciou 2026 dando sequência à capacitação de médicos e profissionais da saúde envolvidos no processo de doação e transplante de órgãos. A iniciativa aconteceu em Manaus (AM), nos dias 23 e 24 de janeiro, e foi conduzida pela Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde (CGSNT/DAET/SAES) em parceria com a AMIB e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). O objetivo, ao final da ação, é capacitar 2 mil profissionais.

A capacitação é dividida em três cursos: Gerenciamento no Processo de Doação e Transplante, Determinação de Morte Encefálica e Comunicação em Situações Críticas. O evento em Manaus ocorreu no Quality Hotel e reuniu mais de 100 profissionais da saúde.

A abertura contou com a presença do presidente da AMIB, dr. Cristiano Franke, da coordenadora da Central de Transplantes da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), dra. Isabela Araújo Seffair, e do dr. Marcos Lins de Albuquerque, que também integra a Central de Transplantes.

Assim como nos cursos anteriores, a AMIB foi responsável pela condução técnica das capacitações, reunindo instrutores de referência nacional, como o dr. Cristiano Franke, a dra. Viviane Cordeiro Veiga, o dr. Alexandre Biasi Cavalcanti e o enfermeiro Edvaldo Leal de Moraes.

Na etapa de Manaus, participaram 58 profissionais no curso de Gerenciamento no Processo de Doação e Transplante, 29 em Comunicação em Situações Críticas e 20 em Determinação de Morte Encefálica. O dr. Cristiano Franke, médico intensivista, atuou como instrutor nos cursos de Comunicação e Gerenciamento.

O programa de capacitação, coordenado pela AMIB, prevê a realização de 30 módulos, que foram iniciados no ano passado e tem o encerramento previsto este ano. Ao longo de 2026, estão programados 23 módulos com 69 cursos, sete foram realizados em 2025. “Essa ação de qualificação em doação e transplantes amplia o acesso à capacitação e reforça o papel da educação permanente no fortalecimento da rede de transplantes”, pontua Cristiano Franke.

O presidente da AMIB destaca ainda que a Coordenação Nacional de Transplantes realizou o levantamento dos locais com maior potencial para passar a integrar a rede de doação e transplantes. A partir desse diagnóstico, a equipe do Ministério da Saúde repassa as unidades selecionadas e as capacitações das equipes são organizadas, com o objetivo de qualificar e ampliar a efetivação do processo de doação de órgãos no país.

Entre os estados selecionados para receber os cursos de qualificação até julho deste ano estão Piauí, Amapá, Alagoas, Roraima, Acre, Bahia, Ceará, Espírito santo, maranhão e Rio Grande do Sul. Para o restante do ano de 2026, prevê-se que todos os estados brasileiros serão contemplados com a realização dos cursos.

2025 – Entre setembro e dezembro, 584 profissionais de saúde participaram das capacitações presenciais. Neste período, a AMIB realizou 21 cursos, organizados em sete módulos, realizados nos estados de Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Distrito Federal, Sergipe, Goiás e Rio Grande do Norte.

Ao todo, 101 profissionais participaram do curso de Determinação de Morte Encefálica, 166 de Comunicação em Situações Críticas e 317 de Gerenciamento no Processo de Doação e Transplante.

VISITA A HOSPITAIS DE REFERÊNCIA – Em Manaus, o presidente da AMIB, dr. Cristiano Franke, visitou o Hospital Delphina Rinadi Abdel Aziz, no Complexo Hospitalar Zona Norte (CHZN), e o HPS Dr. João Lúcio Pereira Machado, no Complexo Hospitalar Leste (CHL).

No Delphina Aziz, o presidente da AMIB conheceu a estrutura da unidade, que é referência em transplante e pôde conferir o padrão de qualidade do atendimento, que levou o hospital a integrar o projeto UTIs Inteligentes do Ministério da Saúde.

No HPS Dr. João Lúcio, referência urgência e cuidados neurocríticos, o dr. Cristiano visitou a UTI, reconhecendo a expertise da equipe de assistência intensiva de alta complexidade da unidade.

AMIB discute cooperação técnica com o Ministério da Saúde para fortalecer qualificação e formação médica

13.01.2026

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) iniciou 2026 dando sequência à sua agenda institucional com uma reunião estratégica no Ministério da Saúde (MS), em Brasília. A agenda na Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES) teve como pauta central a discussão para a assinatura de um acordo de cooperação técnica, com foco na qualificação profissional e no aprimoramento da formação médica em todo o território nacional.

O encontro, na sede do Ministério da Saúde, contou com a participação do presidente da AMIB, Cristiano Franke, e do diretor Marcelo Maia, que foram recebidos por dirigentes e assessores da SAES e da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES).

Pela SAES, participou Fernando Augusto Figueira, diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência (DAHU), e pela SGTES, esteve presente Rodrigo Cariri, diretor de Programa da secretaria, além de Felipe Augusto Reque, coordenador-geral de Urgência, da SAES. Assessores técnicos de ambos os departamentos também participaram da reunião.

Na avaliação do dr. Cristiano Franke, o encontro reforça o papel da AMIB como interlocutora técnica junto ao Ministério da Saúde e demonstra a disposição da entidade em seguir construindo parcerias para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à qualificação da assistência ao paciente crítico.

O diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência (DAHU), do SAES, Fernando Augusto Figueira, observa que, no âmbito do acordo de cooperação técnica em discussão, a contribuição da AMIB se dá principalmente no apoio à identificação de critérios técnicos, assistenciais e formativos que permitam qualificar de forma mais homogênea os serviços e os profissionais de terapia intensiva em todo o país.

“Para o Ministério da Saúde, essa cooperação é estratégica porque fortalece a capacidade do SUS (Sistema Único de Saúde) de induzir qualidade, segurança do cuidado e equidade territorial. A partir desse diálogo com as sociedades científicas, como a AMIB, é possível avançar na construção de novos elementos qualificadores dos serviços, alinhando formação profissional, organização da assistência e, futuramente, mecanismos de reconhecimento e indução, inclusive no campo do financiamento”, comenta Figueira.

Nova gestão da AMIB projeta valorização do intensivista, fortalecimento da especialidade e diálogo com gestores públicos e privados

A nova gestão da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) inicia 2026 com metas claras e estratégicas voltadas para o fortalecimento da terapia intensiva em todas as regiões do Brasil. Entre as prioridades estão a valorização do médico intensivista, a defesa profissional da especialidade, o fortalecimento da formação médica contínua, através do modelo consolidado de residência e especialização com acesso direto, e incentivo à produção científica.

Em um cenário de expansão dos leitos de UTI, mas ainda marcado por desigualdades regionais, que envolve tanto a disponibilização de leitos quanto a fixação de profissionais, a nova diretoria aposta no uso de dados técnicos, na articulação com gestores públicos e privados e na atuação institucional junto aos poderes públicos como caminhos para enfrentar gargalos históricos do setor.

Ao longo da nova gestão, a AMIB pretende ampliar sua representatividade, fortalecer parcerias estratégicas e consolidar seu papel como referência técnica na organização do cuidado ao paciente grave. A sustentabilidade das UTIs, a melhoria da gestão dos recursos e a preparação do sistema de saúde para futuras emergências sanitárias também integram a agenda de prioridades do novo grupo gestor. Na entrevista a seguir, o presidente da AMIB, o médico intensivista Cristiano Franke, detalha os compromissos que vão nortear a atuação da entidade nos próximos anos. Confira!

Quais são as prioridades da nova gestão para a Medicina Intensiva Brasileira?

Cristiano Franke – Estamos muito motivados a fortalecer a defesa profissional, a formação do intensivista, bem como a educação continuada e a pesquisa em medicina intensiva. Faremos esforços concentrados no reconhecimento e na valorização desse profissional, que faz a diferença no cuidado ao paciente grave.

Sabemos que, muitas vezes, é necessário utilizar diferentes ferramentas para deixar clara essa importância para gestores de saúde, gestores hospitalares e para a sociedade como um todo. No cuidado ao paciente grave, seja na atuação diária, na coordenação da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou durante um plantão noturno de fim de semana, com múltiplos pacientes sob sua responsabilidade, o intensivista qualificado faz toda a diferença.

Esse impacto não se restringe apenas ao paciente, mas também se reflete no acolhimento e no cuidado com os familiares, na organização da assistência aos demais pacientes da UTI e do hospital e em todo o sistema de saúde. Teremos um foco importante na ampliação e qualificação da formação do intensivista, por meio do modelo consolidado de residência médica e especialização com acesso direto. É fundamental manter atualizadas as normativas de formação em uma área que passa por mudanças significativas em curtos períodos de tempo.

Além disso, vamos trabalhar intensamente para oferecer informação científica de qualidade em diversos formatos, acessíveis a todos os intensivistas brasileiros, seja por meio de eventos presenciais, congressos, cursos ou atividades online.

Qual a sua avaliação, como atual presidente da AMIB, sobre o atual cenário da terapia intensiva no Brasil, tanto no setor público quanto no privado?

Cristiano Franke – Estamos vivendo um momento de grande expansão dos leitos de UTI no país. O Censo AMIB demonstrou um crescimento de cerca de 50% nos últimos dez anos, e seguimos ampliando esse número. Esse cenário gera uma demanda crescente por profissionais qualificados em todas as regiões do Brasil, ao mesmo tempo em que observamos um aumento proporcional na procura pela especialização em medicina intensiva.

O número de residentes na área cresce ano após ano, fazendo da medicina intensiva uma das especialidades que mais se expandiram recentemente. Da mesma forma, o número de candidatos à prova de título de especialista aumenta a cada edição. Em 2025, superamos a marca expressiva de mil médicos inscritos, com um contingente cada vez maior de novos especialistas ingressando na área.

Quais são os principais gargalos enfrentados pelas UTIs brasileiras?

Cristiano Franke – Entendo que um dos principais gargalos está no financiamento das UTIs, especialmente no setor público, que responde por aproximadamente 50% dos leitos do país e atende cerca de 75% da população brasileira, o que representa aproximadamente 150 milhões de pessoas.

O sistema suplementar concentra os outros 50% dos leitos e atende cerca de 25% da população. Essa distribuição acaba gerando desigualdades importantes no acesso, sobretudo em algumas regiões do país, onde há menor proporção de leitos de UTI e, principalmente, de médicos especialistas. Esses desafios envolvem tanto o financiamento quanto a gestão adequada dos recursos pelas diferentes esferas de governo, refletindo desigualdades regionais e também entre capitais e municípios do interior.

Há projetos em desenvolvimento que poderiam reduzir ou até mesmo sanar esses gargalos?

Cristiano Franke – O primeiro passo é a correta identificação e avaliação desses gargalos. Nesse sentido, a AMIB tem atuado de forma exemplar por meio dos dados do Programa UTIs Brasileiras e do Censo AMIB, que oferecem informações precisas e relevantes para embasar essa discussão. Essas ferramentas nos permitem avançar para os próximos passos, que envolvem articulação institucional e diálogo com gestores públicos e privados, com o objetivo de construir estratégias eficazes para o enfrentamento desses desafios.

Qual deve ser o papel da AMIB no diálogo com gestores públicos e privados?

Cristiano Franke – O papel da AMIB deve ser sempre colaborativo, com o objetivo de unir forças e ações em prol do desenvolvimento e da qualificação da terapia intensiva brasileira. Temos exemplos concretos de parcerias bem-sucedidas com gestores públicos, que resultaram em impactos positivos e duradouros para todo o sistema de saúde.

A AMIB pretende ampliar sua atuação junto ao Ministério da Saúde e ao Congresso Nacional?

Cristiano Franke – A AMIB deve atuar de forma permanente junto ao Ministério da Saúde e ao Parlamento para promover e ampliar o cuidado de excelência ao paciente grave em todo o país. A manutenção e a ampliação dos canais de diálogo construídos em gestões anteriores são fundamentais para alcançar esses objetivos. O fortalecimento de ações nessas esferas, inclusive em articulação com outras entidades representativas da classe médica, é um ponto importante e estratégico na agenda dessa gestão.

A pandemia deixou lições importantes. Hoje, o Brasil está melhor preparado para uma nova emergência sanitária?

Cristiano Franke – Houve uma evolução importante após a pandemia. Atualmente, contamos com mais leitos de UTI em funcionamento, maior disponibilidade de recursos e suprimentos e menor dependência de fornecedores, uma vez que esse número foi ampliado. Ainda assim, há amplo espaço para avançarmos, especialmente no que diz respeito à organização dos gestores do sistema de saúde e das instituições para o planejamento e a gestão da resposta a situações de crise. Outro grande desafio é a disponibilidade de profissionais qualificados nas UTIs, considerando que muitos deixaram ou estão deixando a área em função da estafa e do burnout.

Como valorizar o trabalho realizado pelos médicos intensivistas, que foi crucial inclusive durante a pandemia de Covid-19?

Cristiano Franke – Esse é um tema extremamente relevante. O intensivista tem a habilidade e a capacidade de cuidar integralmente do paciente grave, sempre em conjunto com uma equipe multiprofissional qualificada. É esse profissional que toma decisões em poucos segundos, muitas vezes determinantes para a sobrevivência do paciente. O reconhecimento permanente da importância desse especialista para a qualidade do cuidado na UTI deve ser o caminho, mesmo diante das dificuldades estruturais existentes em algumas regiões do país.

Que mensagem o senhor gostaria de deixar aos intensivistas brasileiros neste início de gestão?

Cristiano Franke – Queremos, primeiramente, escutar os intensivistas e fazer com que eles se sintam pertencentes à nossa sociedade. Uma sociedade que valoriza seu trabalho, apoia seu crescimento profissional e está atenta às dificuldades e aos desafios enfrentados no dia a dia dos plantões. Também estamos comprometidos em oferecer recursos para atualização científica e em fomentar ativamente a produção de conhecimento na área da medicina intensiva.

O que a sociedade brasileira pode esperar da AMIB nos próximos anos?

Cristiano Franke – Para os próximos anos, trabalharemos para construir uma sociedade ainda mais forte, com ampliação do número de associados, representando todas as regiões do país, sempre em parceria com as regionais e valorizando a diversidade. Queremos uma AMIB sustentável, comprometida com a sustentabilidade das UTIs e dos hospitais, e que esteja ao lado dos intensivistas brasileiros em todos os momentos.

AMIB, OPAS e o Sistema Nacional de Transplantes concluem sete módulos presenciais em 2025, totalizando 21 cursos

Entre os meses de setembro e dezembro de 2025, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) promoveu uma importante ação de fortalecimento da rede de transplantes no país, capacitando cerca de 584 profissionais de saúde por meio de cursos presenciais.

A iniciativa foi viabilizada pela parceria da  AMIB com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde (CGSNT/DAET/SAES) e marcou a conclusão de 7 módulos – 21 cursos presenciais realizados nos estados de Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Distrito Federal, Sergipe, Goiás e Rio Grande do Norte.

Ao longo desse período, foram capacitados profissionais nos seguintes cursos:

  • Determinação de Morte Encefálica (CDME): 101 profissionais capacitados
  • Comunicação em Situações Críticas (CSC): 166 profissionais capacitados
  • Gerenciamento no Processo de Doação e Transplante (GPDT): 317 profissionais capacitados

A programação foi cuidadosamente estruturada para atender às principais demandas das equipes de saúde envolvidas no processo de doação e transplante de órgãos e tecidos. Os conteúdos abordaram temas essenciais como diagnóstico médico, comunicação em momentos críticos e gestão dos processos de doação e transplante, pilares fundamentais para o bom funcionamento da rede de transplantes no Brasil.

Para a AMIB, investir na formação continuada das equipes é uma ação estratégica e necessária. O aprimoramento técnico e humano dos profissionais impacta diretamente no aumento das notificações, na efetivação de doadores de órgãos e córneas e, consequentemente, na qualidade de vida das pessoas que aguardam por um transplante.

Dando continuidade a esse compromisso, a expectativa para 2026 é a realização de em média mais 23 módulos e 69 cursos, alcançando outros estados brasileiros e expandindo ainda mais o acesso à capacitação qualificada. Essa expansão reforça o papel da educação permanente como eixo central para o fortalecimento do Sistema Nacional de Transplantes e para a consolidação de uma assistência cada vez mais eficiente, integrada e humanizada.