A Nota Técnica 02/2026 ABENTI em parceria com a AMIB, foi publicada no dia 31 de março de 2026 e tem como tema: Complicações da Hemodiálise na UTI.
Acesse a Nota Técnica clicando aqui.
A Nota Técnica 02/2026 ABENTI em parceria com a AMIB, foi publicada no dia 31 de março de 2026 e tem como tema: Complicações da Hemodiálise na UTI.
Acesse a Nota Técnica clicando aqui.
06/04/2026
O médico pediatra e intensivista Cláudio Flauzino de Oliveira (SP), doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e integrante do painel internacional da Surviving Sepsis Campaign, participou do Critical Care Congress 2026, em Chicago (EUA). O evento, promovido pela Society of Critical Care Medicine (SCCM), é um dos mais importantes da terapia intensiva no mundo.
Na ocasião, Flauzino, que é membro do Comitê Choque e Monitorização Hemodinâmica, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e do Instituto Latino Americano da Sepse (ILAS), participou de uma sessão dedicada às novas diretrizes internacionais para o manejo da sepse e do choque séptico em crianças. A apresentação do brasileiro abordou especificamente o que há de novo no reconhecimento da sepse, no manejo da infecção e na ressuscitação hemodinâmica, que são pilares fundamentais do cuidado inicial desses pacientes.
Em entrevista à AMIB, o especialista detalha as principais mudanças na prática clínica e analisa os impactos dessas diretrizes para a melhoria do cuidado e da sobrevida de crianças com sepse. Confira!
AMIB – Quais foram suas principais contribuições para a elaboração das diretrizes?
Cláudio Flauzino – Participei, representando AMIB e ILAS, como membro do painel internacional de especialistas contribuindo na análise crítica das evidências científicas e na formulação das recomendações. As principais contribuições envolvem principalmente: Discussão e interpretação de evidências, especialmente em cenários pediátricos; Avaliação da aplicabilidade das recomendações em diferentes contextos, incluindo países de média e baixa renda; Construção de recomendações mais flexíveis e adaptáveis à realidade dos sistemas de saúde.
AMIB – De modo geral, o que mudou?
Cláudio Flauzino -A principal mudança foi conceitual, mas ela se traduz em alterações práticas importantes em vários pontos do cuidado.
De forma mais detalhada, as diretrizes de 2026 trouxeram as seguintes mudanças relevantes, nas áreas de reconhecimento e tratamento da infecção, fluido terapia, terapia vasoativa e monitorização hemodinâmica:
Reconhecimento da sepse: Não houve recomendação para uso rotineiro de ferramentas de triagem sistemática isoladamente. O foco passou a ser menos em checklists e mais em sistemas de cuidado bem estruturados, com protocolos, treinamento e monitoramento de desempenho.
Programas institucionais: Houve um reforço importante, com recomendação forte, para implementação de programas de melhoria de qualidade em sepse, incluindo protocolos assistenciais e auditoria de resultados — reconhecendo que organização do sistema impacta diretamente nos desfechos.
Uso do lactato: Foi mantida e reforçada a recomendação de dosar lactato precocemente, mas com uma visão mais clara de que ele é um marcador de risco e perfusão, e não um critério diagnóstico isolado nem um alvo único de ressuscitação.
Antibioticoterapia: O conceito ficou mais equilibrado.
Continua sendo essencial iniciar antibiótico rapidamente no choque séptico (idealmente em até 1 hora), mas, nos casos sem choque, as diretrizes passam a permitir um curto período de avaliação clínica, evitando uso excessivo e reforçando o papel do stewardship.
Testes diagnósticos: Apesar do avanço dos testes moleculares, não houve recomendação para uso rotineiro, destacando a necessidade de avaliar custo, disponibilidade e impacto real em desfechos.
Fluidoterapia: As recomendações passaram a enfatizar ainda mais o contexto clínico e estrutural. Por exemplo, em locais sem acesso a terapia intensiva, recomenda-se evitar bolus de fluidos em crianças sem hipotensão, o que representa uma mudança importante em relação a abordagens mais padronizadas do passado.
Ressuscitação hemodinâmica: Há uma tendência para priorizar reavaliação contínua à beira do leito, com base em sinais clínicos de perfusão, em vez de metas rígidas.
Monitorização: Foi reforçada a importância da avaliação clínica seriada como base da ressuscitação. Métodos mais avançados continuam sem evidência suficiente para uso rotineiro, mas o uso de ultrassom à beira do leito (POCUS) ganhou espaço como ferramenta complementar.
Vasoativos: As diretrizes reconhecem a falta de evidência para definir momentos rígidos de início ou escolha de droga. Destaca-se a possibilidade de iniciar vasoativos precocemente e, quando necessário, até mesmo por acesso periférico, o que facilita o manejo inicial. De forma geral, as mudanças refletem uma evolução importante, porque saímos de uma abordagem mais padronizada para um modelo mais individualizado, baseado em fisiologia e adaptado à realidade de cada serviço de saúde.
AMIB – Qual a sua avaliação sobre essas mudanças?
Cláudio Flauzino – A avaliação é positiva. Essas diretrizes refletem uma evolução importante no entendimento da sepse pediátrica, reconhecendo as limitações das evidências atuais e incorporando maior flexibilidade na tomada de decisão clínica. Refletem também um amadurecimento das diretrizes e maior grau de certeza em algumas evidências, resultado da realização e publicação de estudos mais recentes.
AMIB- Como essas mudanças vão contribuir para as crianças sobreviverem à sepse?
Cláudio Flauzino – Essas mudanças têm potencial de melhorar o cuidado das crianças com sepse, dependendo – é claro – da difusão do conhecimento e dos treinamentos que deverão ser aplicados, em especial nas localidades que apresentam maior impacto da sepse, em termos de morbi-mortalidade. A expectativa é que a nova versão do guideline favoreça o diagnóstico mais precoce, evite intervenções desnecessárias ou potencialmente prejudiciais, promova decisões mais individualizadas e incentive organização do cuidado por meio de protocolos e programas de qualidade. No conjunto, isso tende a melhorar não apenas a sobrevida, mas também a qualidade do cuidado oferecido às crianças com sepse.
Publicado em 21/03/2026
A articulação de uma agenda internacional que reforça a presença do país nos debates sobre terapia intensiva em nível global marcou a participação da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) no Critical Care Congress 2026, em Chicago (EUA), entre 22 e 24 de março. Alguns encontros foram decisivos para que bons resultados fossem alcançados.
Reunião com a Society of Critical Care Medicine (SCCM), anfitriã do evento, mostrou alinhamento entre as instituições. Também houve rodada de entendimentos com a Neurocritical Care Society (NCS). Para o presidente da AMIB, Cristiano Franke, essa participação foi assertiva. “Estivemos nos espaços certos, junto a quem define os rumos da terapia intensiva global. Isso demonstra que a AMIB não apenas participa, mas contribui com a agenda da especialidade no mundo”, sublinhou.
Além de Franke, estavam na comitiva da AMIB: Patrícia Mello (presidente passada), Leandro Carvalho (diretor secretário-geral) e Ederlon Rezende (presidente do Conselho Consultivo). Para ele, a atenção dispensada à Associação, num Congresso que reuniu mais de 5 mil profissionais de 80 países, confirma o nível do reconhecimento internacional ao trabalho desenvolvido no Brasil.
Reuniões estratégicas – “Temos ativos relevantes a oferecer à colaboração internacional em medicina intensiva, como uma rede estruturada de pesquisa, uma base robusta de dados assistenciais e uma experiência consolidada em benchmarking e certificação de desempenho. Isso nos coloca em posição ativa nas grandes colaborações internacionais”, destacou Ederlon Rezende.
Pelo que foi acertado nos encontros, o próximo passo será avançar rumo a uma agenda operacional, envolvendo equipes técnicas e científicas na construção de redes colaborativas e de uso estratégico de dados. Cristiano Franke explicou ainda que foi iniciada uma aproximação estruturada com a NCS, com foco em educação continuada, pesquisa e no cuidado ao paciente neurocrítico. “Estamos criando oportunidades concretas de cooperação para qualificar ainda mais a assistência no Brasil”, disse
Diretrizes internacionais – A ciência brasileira, por meio da AMIB, também esteve presente na atualização das diretrizes da Surviving Sepsis Campaign para o manejo de sepse e de choque séptico em adultos. O documento contou com a contribuição dos intensivistas Flávia Machado, Marcelo Maia, Luciano Azevedo e Régis Rosa. Outro destaque foi a apresentação de Cláudio Flauzino, que apresentou o novo guideline pediátrico sobre sepse.
No campo da valorização profissional, Patrícia Mello apresentou a palestra “From Behind the Scenes to Center Stage”, na qual destacou um conjunto de ações voltadas à defesa e valorização do intensivista, que incluiu iniciativas institucionais, políticas e educacionais, além da campanha “Orgulho de Ser Intensivista”.
“Quando falamos em valorização do intensivista, estamos tratando de uma agenda ampla, que passa por diferentes frentes e exige atuação coordenada”, afirmou. Segundo ela, a campanha promovida pela AMIB faz a integração desses pontos numa estratégia para dar maior visibilidade ao especialista, reforçando seu papel no cuidado ao paciente crítico.
Ocupação de espaços de liderança – Outro resultado positivo obtido pelo Brasil veio por meio da nomeação de Leandro Carvalho para a Cordenação do Comitê do FCCS (Fundamental Critical Care Support), ligado à SCCM. Essa decisão amplia a presença nacional em funções de liderança dentro da principal sociedade de terapia intensiva do mundo, colocando a AMIB em destaque.
A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) passa a ter representação no Comitê de Cursos Fundamentais (FCC) da Society of Critical Care Medicine (SCCM). O médico intensivista Leandro Braz de Carvalho assumiu a presidência do grupo responsável pela coordenação internacional dos cursos de Suporte Fundamental em Cuidados Críticos. O anúncio ocorreu durante o Congresso de Cuidados Críticos, realizado de 22 a 24 de março, em Chicago, nos Estados Unidos.
Para o presidente da AMIB, Cristiano Franke, a presença de um representante brasileiro em um comitê da SCCM reflete a qualidade da participação da medicina intensiva nacional em espaços internacionais da especialidade. “A escolha de um médico intensivista, da AMIB, demonstra protagonismo de nossa sociedade em um dos maiores espaços da área no mundo”, avalia.
Leandro de Carvalho, que é diretor e secretário-geral na AMIB, tem uma trajetória de mais de dez anos na Society of Critical Care Medicine. Em 2015, ele começou como instrutor dos cursos FCCS no Brasil, resultado de uma parceria entre a AMIB e a SCCM. O mandato à frente do comitê da SCCM será de dois anos.
“Ao longo dos anos, tive o privilégio de me envolver de forma mais profunda, participando de novas publicações e atualizações de cursos, contribuindo para diretrizes e colaborando com iniciativas que refletem a força desta organização. Essas experiências foram extremamente significativas, tanto do ponto de vista profissional quanto pessoal, e me conduziram à honra de integrar este comitê”, disse durante o evento de posse da SCCM, em Chicago.
O comitê sob a responsabilidade de Leandro de Carvalho coordena diferentes programas de capacitação, incluindo formações em cuidados intensivos para adultos, pediatria, obstetrícia, cirurgia, gestão de crises e contextos com recursos limitados. Esses cursos são utilizados como base para treinamento de profissionais de saúde em diversos países, com foco na padronização de condutas na área.
Durante a posse, o atual presidente do FCC destacou a importância da continuidade do trabalho já desenvolvido pelo comitê e o papel coletivo dos profissionais envolvidos nas atividades. Em sua fala, também ressaltou a relevância dos cursos na ampliação do acesso à formação em cuidados críticos e a necessidade de atualização constante dos conteúdos.
A atuação no comitê envolve ainda a supervisão de publicações, revisões periódicas de materiais didáticos e articulação com instrutores e coordenadores responsáveis pela implementação dos programas em diferentes contextos.
A Associação de Medicina Intensiva da Paraíba (AMIB-PB) realizou, no dia 19 de março, Assembleia Geral Extraordinária, nas dependências do Conselho Regional de Medicina da Paraíba, com convocação de associados adimplentes para deliberação de pautas institucionais.
Durante o encontro, foram aprovadas por unanimidade a atualização da denominação da entidade, com a transição de SOPAMI para AMIB-PB, a adoção de nova identidade visual e a aprovação de um novo Estatuto Social. O estatuto estabelece a reestruturação da Diretoria Executiva, com a presidência do Dr. Paulo César Gottardo e a vice-presidência da Dra. Maria do Socorro.
A diretoria passa a ser composta por:
Diretoria Científica (Adulto): Dr. Igor Mendonça do Nascimento
Diretoria Científica (Pediátrica e Neonatal): Dra. Sheila Serpa Leal
Diretoria de Comunicação, Marketing e TI: Dr. Alexandre Maheler
Diretoria de Defesa Profissional: Dr. Caio Quintas
Diretoria Emérita: Dr. Alexandre Negri
Diretoria de Interiorização e Relações Regionais: Dr. Jorismar De Oliveira Costa
Diretoria Secretária: Dr. Thiago Catão
Diretoria de Tesouraria: Dra. Waneska Lucena
Também foram instituídos o Núcleo de Médicos Residentes, coordenado pela especializanda Lívia Lima, e o Núcleo Acadêmico (LIGAMI-PB), coordenado por Alexandre Negri Júnior. Foram criados, ainda, os Departamentos Multiprofissionais, com representantes nas áreas de Nutrição (Ângela Gadelha), Fonoaudiologia (Deyverson da Silva), Fisioterapia (Diego Tavares), Odontologia (Maria Elizabete) e Enfermagem (Ana Caroline Escarião).
Ao final da Assembleia, foi anunciado o I Simpósio de Ultrassonografia do Intensivista, previsto para os dias 22 e 23 de maio, em João Pessoa, com participação de Daniel Lichtenstein e Filipe Gonzalez.
Avaliação da AMIB e da Epimed Solutions aponta crescimento de quase 30% na participação de unidades do SUS entre as melhores do país
As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do sistema público brasileiro vêm ampliando sua presença entre os serviços de melhor desempenho do país. Levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e da Epimed Solutions mostra que mais de 330 hospitais foram certificados em 2026, com destaque para o avanço das unidades vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao longo de 2025, cerca de 800 hospitais, responsáveis por aproximadamente 25 mil leitos de UTI no país, foram monitorados pelo programa UTIs Brasileiras. Desses, 630 atenderam aos critérios técnicos da avaliação e 332 alcançaram os melhores resultados, recebendo certificações de desempenho clínico e eficiência no cuidado a pacientes críticos.
O dado que mais chama atenção é o crescimento proporcional de 29,3% na participação de UTIs públicas entre as unidades certificadas, em comparação à edição anterior. Na prática, 75 hospitais públicos passaram a integrar o grupo de unidades reconhecidas, frente a 58 no ciclo anterior.
| Tipo de hospital | 2026 | 2025 | Variação (n) | Variação (%) |
| Privado | 257 | 246 | +11 | +4,5% |
| Público | 75 | 58 | +17 | +29,3% |
| Total | 332 | 304 | +28 | +9,2% |
| Categoria | 2026 | 2025 | Variação (n) | Variação (%) |
| UTI Top Performer | 217 | 189 | +28 | +14,8% |
| UTI Eficiente | 115 | 115 | 0 | 0% |
| Total | 332 | 304 | +28 | +9,2% |
Entre as certificações concedidas, 217 hospitais receberam o selo UTI Top Performer, destinado às unidades com melhor desempenho global, enquanto 115 foram classificados como UTI Eficiente, categoria que reconhece boas práticas assistenciais aliadas ao uso adequado de recursos.
Embora os hospitais privados ainda concentrem a maior parte das unidades com selo máximo, o avanço do setor público indica uma mudança de cenário. “A ampliação da participação de UTIs públicas no sistema de monitoramento e certificação demonstra um movimento crescente de qualificação da assistência intensiva também no SUS”, afirma o presidente da AMIB, Cristiano Franke.
O desempenho das UTIs públicas também evoluiu entre as melhores do país. O número de unidades com selo Top Performer cresceu 44%, passando de 25 para 36 hospitais. Já na rede privada, o aumento foi de 10,4%, com crescimento de 164 para 181 unidades nessa categoria. No total, mais da metade das unidades certificadas atingiu algum nível de distinção. O número de hospitais reconhecidos subiu de 304 para 332 em um ano, crescimento de 9,2%.
| Categoria | Privado | Público | Total |
| UTI Top Performer | 181 | 36 | 217 |
| UTI Eficiente | 76 | 39 | 115 |
BOAS PRÁTICAS – Segundo a AMIB, a certificação tem como objetivo reconhecer as unidades que alcançam melhores resultados assistenciais e, principalmente, estimular a melhoria contínua da qualidade da terapia intensiva no país. “O monitoramento sistemático dos indicadores permite identificar oportunidades de melhoria e disseminar boas práticas entre os serviços, contribuindo para aumentar a segurança e a qualidade do cuidado prestado aos pacientes críticos”, afirma Franke.
Os dados divulgados, após amplo monitoramento das UTIs em 2025, também reforçam a importância do Programa UTIs Brasileiras, que completou 10 anos em setembro do ano passado. Criado em 2016, o programa é reconhecido como maior banco de dados epidemiológicos de leitos de UTIs do mundo. O monitoramento contínuo permite reunir informações, por exemplo, sobre taxas de ocupação, número de leitos, desfechos clínicos e evolução na recuperação de pacientes.
A partir desse acervo é possível traçar um panorama preciso da assistência prestada nas UTIs brasileiras, capaz de subsidiar gestores públicos e privados na tomada de decisões sobre investimentos e organização dos serviços. Além disso, os profissionais que atuam nas instituições monitoradas passam a contar com informações qualificadas que favorecem decisões mais rápidas e assertivas no que diz respeito à gestão do cuidado, à alocação de recursos e ao aprimoramento dos processos assistenciais.
CRITÉRIOS – A avaliação das UTIs considera simultaneamente dois aspectos da assistência intensiva: qualidade clínica e eficiência operacional. Para isso, a análise adota como principais indicadores a mortalidade ajustada ao risco dos pacientes atendidos, parâmetro que permite mensurar o desempenho clínico das unidades, e a utilização de recursos assistenciais, com destaque para o tempo de permanência na UTI ajustado à gravidade dos casos.
Além disso, só são avaliadas UTIs que usam o sistema de monitoramento durante todo o ano de análise, com volume mínimo de internações e preenchimento confiável dos dados clínicos. As UTIs ainda são avaliadas de acordo com o perfil dos pacientes que atendem. Por isso, há distinção entre UTIs cardiológicas (com maioria de pacientes com problemas do coração) e UTIs gerais (com pacientes de diferentes perfis clínicos ou cirúrgicos).
A cada edição, é esperado que haja entradas e saídas na lista de hospitais certificados, como resultado de um processo técnico, transparente e orientado por evidências. O mais relevante, no entanto, é o compromisso comum das instituições com a melhoria contínua da medicina intensiva”, afirma Carlos Reis, CEO da Epimed.
Segundo ele, a certificação vai além do reconhecimento. “Trata-se de uma ferramenta de qualificação. Em um ambiente de alta complexidade e recursos limitados, como o das UTIs, medir resultados com precisão permite aprimorar o cuidado, otimizar o uso de recursos e fortalecer a confiança entre equipes, gestores, pacientes e a sociedade.”
A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) participará de dois momentos especiais do Critical Care Congress 2026, promovido pela Society of Critical Care Medicine (SCCM), entre os dias 22 e 24 de março, em Chicago, nos Estados Unidos. Considerado um dos principais eventos internacionais da área, o encontro reunirá mais de 5 mil profissionais de saúde de diferentes países para discutir avanços científicos, diretrizes clínicas e inovações tecnológicas na terapia intensiva. A SCCM tem como membros profissionais de cuidados intensivos de mais de 80 países.
A comitiva brasileira foi formada pelo presidente da AMIB, Cristiano Franke; pela diretora e presidente passada Patrícia Mello; pelo diretor secretário-geral Leandro Braz, e pelo presidente do Conselho Consultivo, Ederlon Rezende.
A AMIB esteve presente no Critical Care Congress 2026, promovido pela Society of Critical Care Medicine (SCCM), em Chicago, entre os dias 22 e 24 de março.
A comitiva brasileira participou do Congresso e também de encontros institucionais com lideranças da SCCM, fortalecendo parcerias internacionais e ampliando a cooperação científica.
Na programação, a médica intensivista Patrícia Mello, presidente passada da AMIB, realizou a apresentação “From behind the scenes to center stage: promoting de role of intensivists in Brazil”, na qual apresentou ações para o fortalecimento do intensivista e também a campanha AMIB “Orgulho de ser intensivista”.
Na sessão Novidades e Diferenciais na Campanha de Sobrevivência à Sepse, moderada pelo Dr. Craig Coopersmith, MCCM, e pelo Dr. Daniel Backer, PhD, foram abordados elementos das novas diretrizes de 2026 da Campanha de Sobrevivência à Sepse (Surviving Sepsis Campaign) para o manejo de sepse e choque séptico em adultos.
“Espero que possamos colocar isso em prática amanhã”, comentou Leandro Carvalho, diretor secretário-geral da AMIB.
Outro destaque do Congresso foi a participação do Dr. Cláudio Flauzino, que apresentou o novo guideline pediátrico sobre sepse.
Surviving Sepsis Campaign
A Surviving Sepsis Campaign, que em português pode ser traduzido para Campanha Sobrevivendo à Sepse, também contou com contribuição científica dos médicos intensivistas Flávia Machado, Marcelo Maia, Luciano Azevedo e Régis Rosa. Esse documento foi construído em parceria com sociedades médicas de todo o mundo.
Critical Care Congress
Considerado um dos maiores e mais importantes congressos sobre cuidados críticos do mundo, o Critical Care Congress 2026 contou com mais de 100 sessões, que serão conduzidas por especialistas. Entre os temas, pesquisas clínicas recentes, tecnologias emergentes e melhores práticas assistenciais. A programação inclui ainda atividades práticas, oportunidades de networking e sessões voltadas à educação continuada, o que contribui para o aprimoramento profissional e a troca de experiências entre os participantes.
A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) participou, no último dia 18, do 2º Café da Manhã com Parlamentares, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em sua sede, em Brasília (DF). O encontro reuniu senadores, deputados federais, sociedades de especialidades e autoridades médicas, com o objetivo de ampliar o diálogo entre as entidades da medicina e o Congresso Nacional.
Representando a AMIB, o médico intensivista e ex-presidente da entidade, Marcelo Maia, participou das discussões e destacou a importância da aproximação institucional para o fortalecimento da saúde no país. O evento foi considerado estratégico para alinhar pautas de interesse da classe médica e contribuir com a construção de políticas públicas mais eficazes.
Durante o encontro, Maia teve a oportunidade de dialogar com importantes lideranças nacionais, entre elas o senador Hiran Gonçalves, o presidente do CFM, Hiran Gallo, o deputado federal Ismael Alexandrino e com a 2ª vice-presidente do Conselho, Rosylane Rocha.
A Nota Técnica 01/2026 ABENTI em parceria com a AMIB, foi publicada no dia 27 de fevereiro de 2026 e tem como tema: Manejo do acesso venoso central.
Acesse a Nota Técnica clicando no botão abaixo.

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) realizou, em Macapá (AP), mais uma etapa do programa nacional de capacitação voltado a médicos e profissionais de saúde envolvidos no processo de doação e transplante de órgãos. A iniciativa é conduzida pela Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde (CGSNT/DAET/SAES), em parceria com a AMIB e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
A meta é capacitar 2 mil profissionais em todo o país até o fim das ações. Na capital do Amapá, os cursos reuniram 118 participantes, distribuídos entre as formações de Comunicação em Situações Críticas (CSC, 31 participantes; Gerenciamento no Processo de Doação e Transplante (GPDT), 67; e Determinação de Morte Encefálica (DME), 20. As capacitações ocorreram nos dias 27 e 28 de fevereiro. Até o momento foram capacitados 1.005 profissionais, sendo 180 em DME, 280 em CSC e 545 em GPOT.
Atualmente, o Amapá ainda não realiza transplantes, embora faça a notificação de potenciais doadores, assim como Roraima. O estado, no entanto, busca avançar nesse cenário, inclusive por meio de iniciativas como a capacitação realizada no último fim de semana. Quando há oferta de órgãos, um comunicado é emitido ao sistema nacional, responsável por avaliar a logística e a melhor destinação conforme critérios técnicos e de compatibilidade.
O médico intensivista Joel de Andrade, membro do Comitê de Doação e Transplantes da AMIB, que atuou como instrutor nas capacitações ao lado do presidente da associação, Cristiano Franke, destaca o impacto da qualificação profissional para fortalecer o sistema. “De todas as medidas necessárias para que o transplante possa ser feito, a educação é a mais importante, pois é ação de maior impacto”, avalia.
Andrade observa a importância de cada etapa do processo, que vai desde o acolhimento adequado às famílias até a segurança técnica na realização do diagnóstico de morte encefálica, etapa essencial e altamente criteriosa dentro do protocolo.
Os cursos de capacitação, iniciados em 2025, já aconteceram em 11 capitais brasileiras: Porto Velho (RO), Palmas (TO), Cuiabá (MT), Brasília (DF), Goiânia (GO), Aracaju (SE), Natal (RN), Belém (PA), Manaus (AM), Teresina (PI) e, agora, Macapá (AP). Em todas as etapas, segundo a AMIB, os coordenadores locais relataram avaliações positivas.
Resultados imediatos
Consultora técnica da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (FIOTEC), Cláudia Cristina Rodrigues destaca que as centrais mais ativas têm apresentado retornos positivos quanto à mobilização local dos profissionais.
“Em Macapá, ainda não temos habilitação para transplantes de órgãos, mas há uma articulação para aumentar as notificações de morte encefálica. Já no domingo, um dos médicos informou uma notificação no sistema do SNT”, exemplifica a consultora, que esteve em Macapá e participa da organização e realização do projeto junto ao Ministério da Saúde e à OPAS.
O relato foi confirmado pelo médico Carlos Leão, que descreveu a experiência logo após a capacitação. Segundo ele, poucas horas depois do curso, conduziu um protocolo completo de diagnóstico de morte encefálica no Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima, cumprindo todas as etapas exigidas, incluindo exames clínicos e teste de apneia, com apoio da equipe local.
Embora o paciente não pudesse ser considerado potencial doador, devido à contraindicação, o médico destacou a importância do diagnóstico correto. “Tudo isso para que se cumpra o nosso dever ético e humano no diagnóstico de morte encefálica. A doação é consequência de um diagnóstico correto e seguro”, afirmou.
Formação contribui para a segurança das equipes
Sobre a capacitação, o médico Carlos Leão avalia de forma positiva. “Os cursos foram excelentes do ponto de vista técnico e didático. O curso de Comunicação em Situações Críticas nos ofereceu ferramentas essenciais para o fortalecimento do vínculo profissional–paciente/família, com uma teoria muito bem fundamentada e uma prática consistente, baseada em simulações reais. Compreendemos que uma boa comunicação é parte fundamental do processo de doação e transplante”, ressaltou.
Ainda segundo ele, a formação em Determinação de Morte Encefálica também foi decisiva para a segurança das equipes. “O curso nos prepara para os cenários da emergência e da UTI, deixando-nos aptos a realizar os exames com segurança, por meio de uma base teórica sólida e de uma prática extremamente relevante, conduzida por excelentes profissionais”, completou.
A médica intensivista Ivna Deise da Silva Amanajás, que também participou da formação, ressalta o impacto da capacitação. “Foi uma experiência de grande importância para o estado do Amapá. Gratificante fazer parte desse time e ter contato com professores de excelência”, afirma.
Visitas institucionais – Durante a agenda na capital amapaense, o presidente da AMIB, Cristiano Franke e Joel de Andrade também visitaram o Hospital São Camilo e o Hospital Universitário da Federal do Amapá (Unifap).
















