A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) realizou, em Macapá (AP), mais uma etapa do programa nacional de capacitação voltado a médicos e profissionais de saúde envolvidos no processo de doação e transplante de órgãos. A iniciativa é conduzida pela Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde (CGSNT/DAET/SAES), em parceria com a AMIB e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
A meta é capacitar 2 mil profissionais em todo o país até o fim das ações. Na capital do Amapá, os cursos reuniram 118 participantes, distribuídos entre as formações de Comunicação em Situações Críticas (CSC, 31 participantes; Gerenciamento no Processo de Doação e Transplante (GPDT), 67; e Determinação de Morte Encefálica (DME), 20. As capacitações ocorreram nos dias 27 e 28 de fevereiro. Até o momento foram capacitados 1.005 profissionais, sendo 180 em DME, 280 em CSC e 545 em GPOT.
Atualmente, o Amapá ainda não realiza transplantes, embora faça a notificação de potenciais doadores, assim como Roraima. O estado, no entanto, busca avançar nesse cenário, inclusive por meio de iniciativas como a capacitação realizada no último fim de semana. Quando há oferta de órgãos, um comunicado é emitido ao sistema nacional, responsável por avaliar a logística e a melhor destinação conforme critérios técnicos e de compatibilidade.
O médico intensivista Joel de Andrade, membro do Comitê de Doação e Transplantes da AMIB, que atuou como instrutor nas capacitações ao lado do presidente da associação, Cristiano Franke, destaca o impacto da qualificação profissional para fortalecer o sistema. “De todas as medidas necessárias para que o transplante possa ser feito, a educação é a mais importante, pois é ação de maior impacto”, avalia.
Andrade observa a importância de cada etapa do processo, que vai desde o acolhimento adequado às famílias até a segurança técnica na realização do diagnóstico de morte encefálica, etapa essencial e altamente criteriosa dentro do protocolo.
Os cursos de capacitação, iniciados em 2025, já aconteceram em 11 capitais brasileiras: Porto Velho (RO), Palmas (TO), Cuiabá (MT), Brasília (DF), Goiânia (GO), Aracaju (SE), Natal (RN), Belém (PA), Manaus (AM), Teresina (PI) e, agora, Macapá (AP). Em todas as etapas, segundo a AMIB, os coordenadores locais relataram avaliações positivas.
Resultados imediatos
Consultora técnica da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (FIOTEC), Cláudia Cristina Rodrigues destaca que as centrais mais ativas têm apresentado retornos positivos quanto à mobilização local dos profissionais.
“Em Macapá, ainda não temos habilitação para transplantes de órgãos, mas há uma articulação para aumentar as notificações de morte encefálica. Já no domingo, um dos médicos informou uma notificação no sistema do SNT”, exemplifica a consultora, que esteve em Macapá e participa da organização e realização do projeto junto ao Ministério da Saúde e à OPAS.
O relato foi confirmado pelo médico Carlos Leão, que descreveu a experiência logo após a capacitação. Segundo ele, poucas horas depois do curso, conduziu um protocolo completo de diagnóstico de morte encefálica no Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima, cumprindo todas as etapas exigidas, incluindo exames clínicos e teste de apneia, com apoio da equipe local.
Embora o paciente não pudesse ser considerado potencial doador, devido à contraindicação, o médico destacou a importância do diagnóstico correto. “Tudo isso para que se cumpra o nosso dever ético e humano no diagnóstico de morte encefálica. A doação é consequência de um diagnóstico correto e seguro”, afirmou.
Formação contribui para a segurança das equipes
Sobre a capacitação, o médico Carlos Leão avalia de forma positiva. “Os cursos foram excelentes do ponto de vista técnico e didático. O curso de Comunicação em Situações Críticas nos ofereceu ferramentas essenciais para o fortalecimento do vínculo profissional–paciente/família, com uma teoria muito bem fundamentada e uma prática consistente, baseada em simulações reais. Compreendemos que uma boa comunicação é parte fundamental do processo de doação e transplante”, ressaltou.
Ainda segundo ele, a formação em Determinação de Morte Encefálica também foi decisiva para a segurança das equipes. “O curso nos prepara para os cenários da emergência e da UTI, deixando-nos aptos a realizar os exames com segurança, por meio de uma base teórica sólida e de uma prática extremamente relevante, conduzida por excelentes profissionais”, completou.
A médica intensivista Ivna Deise da Silva Amanajás, que também participou da formação, ressalta o impacto da capacitação. “Foi uma experiência de grande importância para o estado do Amapá. Gratificante fazer parte desse time e ter contato com professores de excelência”, afirma.
Visitas institucionais – Durante a agenda na capital amapaense, o presidente da AMIB, Cristiano Franke e Joel de Andrade também visitaram o Hospital São Camilo e o Hospital Universitário da Federal do Amapá (Unifap).
















