AMIB e Fundação Dom Cabral celebram 15 anos da parceria que transformou a gestão em saúde

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) realizou nesta sexta-feira (5) uma cerimônia especial para celebrar os 15 anos de parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), uma das escolas de negócios mais respeitadas da América Latina. Desde o primeiro Planejamento Estratégico conjunto, essa aliança tem exercido papel decisivo na profissionalização da gestão, no fortalecimento da governança, no desenvolvimento de lideranças e na elevação da qualidade da medicina intensiva brasileira.

Para a atual presidente da AMIB, Patrícia Mello, a consolidação dessa parceria foi um divisor de águas para a gestão da entidade. “Celebrar 15 anos ao lado da Fundação Dom Cabral significa reconhecer uma das decisões mais importantes da nossa história. Essa parceria foi decisiva para profissionalizar a gestão, expandir nossas iniciativas e preparar a sociedade para desafios crescentes”, destacou.

Desde as primeiras ações, como os cursos de Gestão em Saúde realizados em 2011 e 2012, até os ciclos atualizados de planejamento estratégico e monitorias frequentes, estima-se que cerca de 500 participações de intensivistas e dirigentes tenham ocorrido em atividades conjuntas AMIB–FDC ao longo dessa década e meia.

Segundo Patrícia Mello, a medicina intensiva exige liderança, processos bem definidos e decisões rápidas e embasadas. “Gestão qualificada salva vidas, e essa parceria contribui diretamente para a qualidade das UTIs brasileiras. Além disso, dobramos o número de associados, fortalecemos nossa presença nacional e internacional e estruturamos uma gestão orientada por dados.”

O encontro comemorativo ocorreu na sede da FDC, em São Paulo, e reuniu a Diretoria Ampliada da AMIB. A programação incluiu duas sessões conduzidas pelos professores Luís Fernando Vieira Joaquim e Luna Gutiérres, com foco em Inovação na Gestão e Comunicação em Saúde.

Na abertura, Luís Joaquim, head de Saúde da Deloitte, usou sua experiência em consultoria para grandes players do setor para conectar cenários macroeconômicos, movimentos de mercado e transformações tecnológicas às decisões de carreira, gestão e posicionamento institucional dos intensivistas e da AMIB. A mensagem de encerramento foi um convite à ação estratégica: diante de um setor em rápida transformação, ou se “senta à mesa” para influenciar o jogo, ou se torna “menu” das decisões de outros atores. Para a parceria AMIB/FDC, o encontro reforçou exatamente esse propósito: oferecer espaço estruturado de reflexão e formação executiva para que líderes da medicina intensiva consigam definir “where to play” e “how to win” nos próximos anos, articulando decisões de curto prazo (5 dias, 5 semanas, 5 meses) com uma visão de futuro para 2030–2040.

Surgimento da parceria

Também esteve presente o presidente do Conselho Consultivo da AMIB, Ederlon Rezende, que relembrou como a parceria surgiu de uma necessidade clara.

“A AMIB precisava crescer, mas para isso era fundamental profissionalizar a gestão. Como médicos, percebemos que precisávamos buscar conhecimento e adotar ferramentas modernas para estruturar a associação. A Fundação Dom Cabral teve papel decisivo nessa jornada, tanto na formação de lideranças quanto na implementação de processos que conduziram o crescimento da entidade.”

Ederlon recorda que o primeiro Planejamento Estratégico foi realizado em 2011, em duas etapas, reunindo diretores, presidentes de regionais, comitês científicos e convidados. Desde então, reuniões de acompanhamento passaram a ocorrer de forma mensal e, depois, bimestral, criando um ciclo contínuo de planejamento, avaliação e ajustes.

Excelência – Com o apoio do Programa Parceiros para Excelência da Fundação Dom Cabral (PAEX), a AMIB ampliou suas fontes de receita, estabilizou suas finanças e expandiu seus projetos educacionais, científicos e estratégicos. A parceria permitiu a profissionalização da gestão, a implementação de um modelo estruturado de governança e a revisão de processos internos, com monitoramento contínuo de indicadores de desempenho.

Também fortaleceu a integração entre a AMIB nacional e suas regionais, estimulando iniciativas como o Fórum de Regionais de 2018, além de impulsionar a Educação Continuada, que mantém salas de aula permanentemente ocupadas na sede da Associação.

Ao longo dessa trajetória, a AMIB viu crescer o número de intensivistas formados anualmente, ampliou seus comitês científicos e consolidou sua relevância. As edições do Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva (CBMI) também se tornaram mais robustas e abrangentes, evoluções que contribuiram diretamente para a melhoria da qualidade das UTIs brasileiras.

Próximos 15 anos 

Para o futuro presidente da AMIB, Cristiano Franke, a continuidade da parceria é fundamental para enfrentar os desafios da próxima década. “Essa parceria nos dá segurança e direcionamento para tomar decisões difíceis e conduzir a sociedade por caminhos de crescimento. O planejamento estratégico desenvolvido com a FDC orienta nossas prioridades, como expansão do número de sócios, fortalecimento das regionais e melhoria das entregas ao intensivista em todo o país. A Fundação Dom Cabral oferece robustez e qualificação para estarmos preparados diante dos desafios previsíveis e imprevisíveis que a medicina intensiva nos impõe.”

AMIB apoia nota oficial da AMB contra práticas irregulares na certificação de especialistas

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) apoia e reforça a Nota Oficial emitida pela Associação Médica Brasileira (AMB), que alerta para uma grave ameaça ao sistema de certificação de especialistas no país.
Segundo a AMB, uma entidade autodenominada “Ordem Médica Brasileira” tem se apresentado como alternativa para conceder “títulos de especialista” sem respaldo técnico, jurídico ou reconhecimento oficial — o que representa risco à segurança dos pacientes e à credibilidade da medicina brasileira.
A AMIB lembra que a certificação médica no Brasil segue critérios rigorosos, definidos em lei e conduzidos pela CNRM e pela AMB, em parceria com as Sociedades de Especialidade, garantindo que apenas médicos devidamente formados, avaliados e certificados possam se apresentar como especialistas.
A AMIB repudia qualquer prática irregular e se une à AMB na defesa da ética, da formação legítima e da qualidade da assistência médica no Brasil.
Confira a nota oficial completa AQUI. Também disponível no perfil da @amb_oficial aqui no Instagram

AMIB lança campanha “Orgulho de Ser Intensivista 2025” e destaca crescimento histórico da especialidade

Com o tema “Intensivista: ASSUME PARA SOMAR!”, campanha celebra o protagonismo do médico intensivista e será exibida na Times Square, em NY 

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) lança a 16ª edição da campanha Orgulho de Ser Intensivista, com o tema “Intensivista: assume pra somar!”, exaltando o papel do médico que atua nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A iniciativa também celebra o crescimento histórico da especialidade e a força de um profissional que une preparo, conhecimento, experiência e liderança para o cuidado de pacientes graves em seus momentos decisivos. 

Com linguagem inspiradora, o vídeo da campanha reforça que “Na medicina, cada especialidade tem seu momento. Mas, na terapia intensiva, é preciso somar”. O mote traduz o espírito colaborativo e tecnológico da medicina intensiva moderna. Nas UTIs, o intensivista é o elo que conecta especialidades, lidera equipes e toma decisões baseadas em evidências, combinando precisão técnica e sensibilidade humana.  

Segundo pesquisas científicas, unidades com equipes multidisciplinares coordenadas por intensivistas apresentam melhores resultados clínicos e uso mais eficiente dos recursos, demonstrando o impacto direto dessa soma de esforços em prol da vida. Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, a atuação do intensivista a frente dos cuidados foi decisiva, melhorando as chances de sobrevivência de pacientes graves.  

Neste ano, a mensagem da campanha também ultrapassará as fronteiras: no Dia do Médico Intensivista (10 de novembro), um teaser da campanha será exibido nos telões de uma das avenidas mais famosas do mundo, a Times Square, em Nova Iorque. 

CONFIRA O VÍDEO NA ÍNTEGRA 

ESPECIALIDADE EM ASCENSÃO – De acordo com a Demografia Médica no Brasil 2025, estudo conduzido pela Associação Médica Brasileira (AMB), a medicina intensiva foi a especialidade médica com maior crescimento proporcional no País, registrando um aumento de 242,7% no número de residentes entre 2018 e 2024. No total, a especialidade alcançou 1.602 médicos residentes em 2024, sendo 610 no primeiro ano de formação. 

O avanço nas residências também é reflexo de uma tendência que vem se consolidando há mais de uma década. Entre 2011 e 2023, o número de médicos especialistas em medicina intensiva cresceu 228%, totalizando mais de 10 mil profissionais registrados. 

Para a presidente da AMIB, Patrícia Mello, os números refletem o impacto da especialidade e o propósito dos novos profissionais. “A tecnologia representa instrumento valioso na assistência à saúde de pacientes graves, mas não substitui o cuidado humano, especialmente dentro de uma UTI.  Esse cuidado humano agrega a multiprofissionalidade e a colaboração entre especialidades e é este capital humano que representa o pilar central da qualidade e segurança dessa assistência”. E a campanha desse ano aborda essa soma de esforços e de competências em prol da vida, que tanto nos orgulha”, comenta.  

“A escolha da medicina intensiva como especialidade exige vocação e propósito. Esses profissionais se caracterizam pela vocação para o trabalho em equipe, pela busca contínua do rigor técnico e pela vontade de fazer diferença no cuidado de pacientes graves”, acrescenta a presidente da AMIB. 

EXIBIÇÃO NA TIMES SQUARE
A AMIB também levou sua mensagem aos intensivistas para as telas de Nova York, em uma ação inédita que reforça a força da nossa especialidade no cenário mundial.

No coração de Manhattan, exibimos um vídeo especial do “Orgulho de Ser Intensivista” em inglês, especialmente preparado para o público internacional.

Aqui, compartilhamos uma versão em português, narrada pelo Dr. Elias Knobel, referência do Hospital Israelita Albert Einstein — para que todos possam sentir a emoção e o propósito dessa campanha.

Neste 10 de novembro de 2025, o “Orgulho de Ser Intensivista” ultrapassou fronteiras e mostrou ao mundo o valor de quem dedica a vida a cuidar de outras vidas. CONFIRA ESSA AÇÃO

Após 30 anos, método mundial para avaliar pacientes graves é atualizado — e chega ao Brasil no CBMI 2025

SOFA 2.0 é utilizado para avaliar e quantificar condições clínicas do paciente em UTIs

Um dos instrumentos mais utilizados no mundo para avaliar a gravidade e a disfunção orgânica em pacientes críticos acaba de ganhar uma atualização histórica. O SOFA 2.0, nova versão do Sequential Organ Failure Assessment, foi publicado em 29 de outubro no Journal of the American Medical Association (JAMA), marcando a primeira revisão do escore em mais de três décadas.
O novo modelo preserva a filosofia do escore original, amplamente utilizado em UTIs e pesquisas clínicas, mas incorpora critérios revisados, maior aplicabilidade global e padronização internacional — respondendo à necessidade de atualização após anos de adaptações locais e centenas de versões não padronizadas.
Na prática, o SOFA 2.0 traz uma forma mais precisa e atual de identificar, graduar e monitorar falências orgânicas, permitindo o acompanhamento diário mais consistente de pacientes graves e a detecção precoce de disfunções.
Apresentado oficialmente no congresso europeu ESICM 2025, o estudo chega agora ao Brasil e será discutido pela primeira vez no Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva (CBMI), que acontece em Curitiba entre os dias 6 e 8 de novembro, reunindo especialistas de todo o país para debater os impactos clínicos e científicos dessa atualização.
“O SOFA é uma das ferramentas mais importantes da medicina intensiva. Sua revisão traz uma padronização há muito esperada, que certamente influenciará a prática assistencial e a pesquisa no mundo todo”, destaca o médico intensivista, Dr. Jorge Salluh, um dos autores do estudo.
Leia o estudo completo aqui: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2840822

AMIB participa de sessão especial no Senado em homenagem ao Dia do Médico

O Senado Federal realizou, no dia 14 de outubro de 2025, uma sessão especial em homenagem ao Dia do Médico (celebrado em todo país no dia 18 de outubro), destacando o papel fundamental desses profissionais para a saúde da população brasileira.

A homenagem foi proposta pelo senador Dr. Hiran (PP–RR) e reuniu representantes de diversas entidades médicas nacionais. A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) foi representada pelos Doutores Cristiano Franke e Marcelo Maia, que participaram da solenidade em nome da entidade.

Durante o evento, o Dr. Cristiano Franke destacou a importância do momento para a categoria:

“Esta é uma sessão muito importante, com a presença de vários representantes das nossas entidades médicas, discutindo questões fundamentais do nosso dia a dia e as dificuldades enfrentadas pelos profissionais em todo o país. Estamos aqui representando a nossa sociedade e todos os médicos intensivistas do Brasil”, afirmou.

O Dr. Marcelo Maia, presidente passado da AMIB, reforçou o compromisso da entidade com a valorização da medicina intensiva:

“Nós, médicos, passamos por muitos momentos difíceis, e a valorização da profissão é essencial. Como intensivistas, essa valorização é ainda mais importante. Estamos aqui para prestigiar este evento e reafirmar que a AMIB é uma sociedade presente, atuante e em defesa dos direitos profissionais de todos os intensivistas”, disse.

Também esteve presente à cerimônia a presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), Dra. Camila Lunardi, reforçando a importância da integração entre as especialidades médicas no fortalecimento do sistema de saúde.

A AMIB parabeniza todos os médicos do Brasil por sua dedicação e compromisso com o cuidado e a vida — valores que movem diariamente o trabalho dos intensivistas em todo o país.

Projeto UTIs Brasileiras destaca caso de excelência no interior do Ceará

Confira entrevista com o médico Vicente Castro, que está à frente da UTI do Hospital e Maternidade Madalena Nunes, em Tinguá, e recebeu a premiação

O Hospital e Maternidade Madalena Nunes (São Camilo), em Tianguá, município cearense a 330 quilômetros da capital, Fortaleza, escreve um novo capítulo na medicina intensiva brasileira. A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foi premiada com o selo Top Performer, certificação concedida pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e pela Epimed Solutions a UTIs que se destacam pela alta eficiência e qualidade no cuidado aos pacientes. 

À frente dessa unidade inspiradora está o médico Vicente Castro, um dos primeiros intensivistas formados no estado do Piauí, e que acredita que “gente bem formada, com empatia e vontade de fazer o melhor tem o poder de transformar”. Para ele, o maior mito a ser derrubado é o de que uma UTI pública não pode ser boa. “É possível, sim, ter UTIs de qualidade no SUS, realizar trabalhos consistentes e oferecer novas chances de vida a milhares de pessoas — milhares de Josés, Marias, Antônios e tantos outros que passam por nós”, afirma.

“Testemunhar a conquista de uma UTI pública que se destacou pela excelência na gestão e nos resultados é motivo de grande orgulho, ainda mais por estar sob a coordenação do doutor Vicente, primeiro residente de Medicina Intensiva do estado do Piauí”, afirma a presidente da AMIB, Patrícia Mello.

Formado pela Universidade Federal do Piauí, Vicente iniciou sua trajetória na residência em Clínica Médica e, posteriormente, foi “recrutado” para a especialização em Medicina Intensiva pela própria dra. Patrícia, então sua preceptora. “São profissionais como ele – e trabalhos como esse – que fazem tudo valer a pena. Parabenizo o doutor Vicente e toda a equipe pelo excelente trabalho realizado”, destacou a presidente da AMIB.

A equipe de comunicação da AMIB entrevistou Vicente Castro e, a seguir, compartilha os principais momentos dessa conversa sobre saúde pública, formação continuada e medicina intensiva. Confira!

AMIB – Como você recebeu a notícia do reconhecimento de sua UTI no Top Performer? Como foi a repercussão entre sua equipe e no hospital?

Vicente Castro – Recebemos com uma certa surpresa, porque estamos tão imersos na rotina do dia a dia que, muitas vezes, não paramos para refletir sobre a qualidade e o impacto do que estamos fazendo. Quando soubemos que estávamos concorrendo, o que, por si só, já é algo muito relevante, veio aquele pensamento: “Poxa, é mesmo?!”.

Acompanhávamos os dados, claro, mas não tínhamos noção de como eram bons, nem de quanto retorno o nosso trabalho estava gerando. E isso, levando em conta que atuamos em uma UTI de hospital público no interior do Ceará, em Tianguá. Por isso, a surpresa foi ainda maior. Paramos para refletir e concluímos que o que estamos fazendo é realmente um bom trabalho.

Começamos então a compartilhar a notícia com a equipe. Afinal, assim como nós, muitos do time, na correria diária, não se dão conta da importância e da dimensão do que estão realizando. Passei a dizer aos técnicos e enfermeiros: “Vocês têm noção da UTI em que trabalham? Ela está concorrendo à maior certificação do programa da AMIB, justamente por conta da qualidade da gestão e dos resultados que temos apresentado”.

A partir desse momento, fomos compreendendo melhor a dimensão do reconhecimento. E quando veio a confirmação de que receberíamos o selo, a felicidade foi imensa. Na verdade, o sentimento predominante foi de gratidão. É um reconhecimento de que estamos no caminho certo. Nós já tínhamos essa consciência internamente, mas ver isso validado por olhares externos é extremamente gratificante.

AMIB – Na gestão pública (neste caso de uma UTI), de que maneira o monitoramento ajuda a fazer mais com menos?

Vicente Castro – O monitoramento nos ajuda porque oferece retorno tanto do ponto de vista técnico, mostrando como os pacientes estão evoluindo, quanto econômico, ao indicar os custos envolvidos. Conseguimos ver se os pacientes estão realmente melhorando, recebendo alta da UTI e, principalmente, alta hospitalar para casa.

Esse acompanhamento também permite avaliar como os recursos estão sendo utilizados, tanto os recursos humanos quanto os materiais, como medicamentos, dispositivos e equipamentos. Assim, conseguimos observar a relação entre o que é investido e os resultados alcançados.

De forma bem direta, percebemos que estamos conseguindo salvar muitas vidas, utilizando bem os recursos, sem desperdício, aproveitando ao máximo aquilo que nos é fornecido. E, mesmo que esse fornecimento nem sempre represente o ideal em volume, conseguimos fazer o suficiente – e, muitas vezes, até mais – com o que temos.

AMIB – O monitoramento mudou a rotina da tomada de decisão da equipe?

Vicente Castro – Sim, mudou no sentido de que, como esse acompanhamento é praticamente em tempo real, os dados são inseridos diariamente e avaliados tanto de forma imediata quanto mensalmente. Isso nos permite ter uma visão clara do que aconteceu naquele período na UTI e pensar em estratégias de melhoria. O monitoramento nos possibilita analisar os dados com profundidade e, com base neles, traçar planos de ação. Ou seja, passamos a tomar decisões com mais embasamento. E o melhor: conseguimos acompanhar os resultados dessas decisões quase em tempo real.

AMIB – Há alguns indicadores que são acompanhamos com mais frequência no dia a dia?

Vicente Castro – Sim. Os indicadores mais comuns, especialmente aqueles que refletem alta performance, estão relacionados aos desfechos — o que chamamos de “desfechos duros”, como a mortalidade. Trabalhamos com a mortalidade ajustada à gravidade do paciente, que é um dos nossos principais indicadores. Também acompanhamos o TURP, que avalia a eficiência no uso dos recursos aplicados aos pacientes.

Além desses, monitoramos a média de permanência na UTI, os índices de infecção, o tempo de ventilação mecânica, entre outros. Todos esses dados são registrados e analisados para que possamos ter um panorama geral da nossa UTI e, a partir disso, traçar estratégias e planos de ação.

AMIB – Como é trabalhar com limitações estruturais ou orçamentárias típicas de uma UTI pública? Quais estratégias você adotou para superá-las?

Vicente Castro – As limitações são muitas, especialmente em uma UTI pública, onde o orçamento é bastante enxuto. Sabemos que o financiamento do SUS é defasado e, no fim das contas, quando os recursos faltam, quem sustenta tudo somos nós: a equipe. Gente capacitada, bem treinada, que consegue extrair o máximo do pouco que temos.

Acredito que o diferencial está justamente nisso. Ter pessoas que, mesmo diante das adversidades, conseguem entregar o melhor. E é isso que sempre reforço com os colaboradores da UTI: o resultado é de todos.

Costumo dizer que, quando faltam recursos, o que sobra é a nossa expertise, nossa sensibilidade, nossa empatia e a disposição de seguir lutando para fazer o melhor. Sem dúvida, esse conhecimento e essa dedicação fazem toda a diferença no dia a dia.

AMIB – Organizar uma UTI no SUS pode ser desafiador por diversos motivos. Do ponto de vista regional, quais os principais desafios enfrentados e como você os enfrenta?

Vicente Castro – Nossa UTI foi a primeira da cidade e também da região. Estamos numa área extensa, que abrange diversos municípios ao redor, e que há muito tempo já merecia uma unidade de terapia intensiva, mas os recursos ainda não haviam chegado. A pandemia acabou sendo um catalisador desse processo. Diante do estado de emergência e calamidade, foi possível captar recursos para sua instalação.

Entramos com nosso conhecimento para estruturar e organizar tudo. Tivemos que treinar a equipe praticamente do zero. Muitos profissionais não tinham experiência prévia com o ambiente de terapia intensiva, nem com o uso de monitores, bombas de infusão, ventiladores, entre outros recursos. Fomos literalmente desenhando, passo a passo, como seria o monitoramento, a rotina e o cuidado.

O principal desafio foi justamente esse, criar tudo do zero. Com o tempo, o cuidado foi amadurecendo, as rotinas foram sendo absorvidas e ajustadas, o que permitiu que alcançássemos o desempenho que temos hoje. Mas tudo foi construído com muito trabalho, de forma minuciosa e gradual. É importante lembrar que, até então, não existia uma UTI na região, e a maioria dos profissionais nunca havia atuado com pacientes críticos. Além disso, a região, como um todo é carente, tanto em número de profissionais quanto em formação voltada especificamente para terapia intensiva.

Hoje, com a UTI já instalada e funcionando, ainda que existam pontos a serem aprimorados, temos uma estrutura amadurecida, com rotinas consolidadas. A equipe atua de forma mais orgânica e fluida. Mas, sem dúvida, a maior dificuldade foi formar pessoas. E isso continua sendo uma missão. Como se trata de um processo contínuo, seguimos treinando, capacitando e integrando novos profissionais nesse cuidado.

AMIB – Muitos acham que UTIs de excelência são exclusivas da rede privada. O que essa conquista mostra sobre o potencial do SUS?

Vicente Castro – A UTI é feita de aparelhos, de equipamentos, de insumos. Mas é feita, principalmente, de gente. Isso mostra que, mesmo em serviços com limitações, como infelizmente ainda é o caso do nosso SUS, é possível realizar um trabalho de qualidade com profissionais bem formados, comprometidos e dispostos a fazer o melhor. É possível fazer muito, mesmo com pouco.

Essa experiência ajuda a quebrar um estigma, tanto por parte da população quanto entre nós mesmos, de que “aqui nunca vamos chegar aos pés de uma UTI de hospital privado”, por não termos os mesmos recursos. Na prática, provamos para nós mesmos, para a população e para a comunidade em geral que, sim, pessoas fazem toda a diferença. Gente bem formada, com empatia e com vontade de entregar o melhor, transforma um serviço.

Talvez até mais do que uma boa estrutura, gente é fundamental, afinal, trabalhamos com pessoas. Claro que estrutura é essencial. Só boa vontade não basta, e só tecnicismo também não resolve tudo. Mas, no fim das contas, o que diferencia muitos serviços públicos de alguns privados é a gestão. E gestão é, acima de tudo, gestão de pessoas.

AMIB – Agora, voltando os olhos para o lado pessoal, o que te inspira na medicina intensiva?

Vicente Castro – Muitos pacientes chegam à UTI por um fio, em estado extremamente grave. Então, presenciar essa virada, essa segunda chance de viver, é algo profundamente inspirador. Dar às pessoas essa possibilidade de continuar, de retomar sua vida, seus planos. Isso é grandioso.

Do ponto de vista técnico, a medicina intensiva também me inspira muito. É uma especialidade direta, com base científica sólida, muito estudo envolvido, protocolos bem definidos. Existe muita ciência por trás, e isso tudo se traduz em resultados concretos, muitas vezes rápidos e visíveis. Essa junção entre técnica, ciência e impacto humano é algo que me move como intensivista. Cada história é única, e ver a recuperação de um paciente é sempre algo especial de se acompanhar.

AMIB – Como você vê o futuro da medicina intensiva no Brasil? O que ainda precisa mudar, e o que não pode ser perdido?

Vicente Castro – O futuro da medicina intensiva no Brasil me parece bastante promissor, especialmente porque estamos sendo mais vistos. E, ao sermos mais vistos, também estamos sendo mais valorizados, o que é fundamental para a especialidade.

É exatamente isso que precisamos continuar fazendo: mostrar o que fazemos. Porque todo mundo sabe o que o cardiologista faz, mas nem sempre sabem o que faz um intensivista, mesmo sendo um trabalho absolutamente essencial. Felizmente, isso tem mudado. As pessoas estão começando a entender melhor o papel do médico intensivista, a importância e a complexidade do nosso trabalho. E isso, para mim, é muito promissor.

AMIB participa do 17º World Intensive Critical Care Congress, em Vancouver, Canadá

A AMIB esteve presente na assembleia da World Federation of Intensive and Critical Care (WFICC), em Vancouver, Canada, que reuniu lideranças globais para definir os rumos da Medicina Intensiva nos próximos anos.

Confira alguns destaques dentre os pontos discutidos:

• Transição de liderança consolidada e plano estratégico 2025–2030.
• Parcerias ampliadas com OMS, ONU, ACAN e federações regionais.
• Programas educacionais globais, incluindo cursos básicos de terapia intensiva em países de baixa renda.
• Expansão da colaboração regional (Europa, América Latina, Ásia-Pacífico, África, Mundo Árabe).
• Fortalecimento da pesquisa em cenários com menos recursos.
• Aliança oficial com a Federação Mundial de Enfermagem em Terapia Intensiva.
• Preparação para os próximos Congressos Mundiais (2027 em Déli e edições anuais subsequentes).

A conclusão reforça a importância da colaboração internacional, do combate às desigualdades no cuidado intensivo e da ampliação da educação e da pesquisa, aliada a um compromisso contínuo com a inovação e a sustentabilidade sob a nova liderança.

UTIs Brasileiras celebra 10 anos com resultados históricos e impacto na medicina intensiva

No dia 9 de setembro de 2025, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), em parceria com a Epimed Solutions, celebrou os 10 anos do Programa UTIs Brasileiras, a maior base de dados de terapia intensiva do mundo. O evento marcou uma década de conquistas que transformaram a realidade das Unidades de Terapia Intensiva no Brasil.

A transformação das UTIs

Por muito tempo, a UTI foi vista como um fim da linha, um lugar de despedidas. Mas hoje, esse cenário mudou. As UTIs se consolidaram como espaços de cuidado intenso, de acolhimento mais humano e de resultados incríveis.

Segundo a presidente da AMIB, Dra. Patrícia Mello, esse avanço tem muito a ver com a solidez do programa:

“O projeto UTIs Brasileiras completa 10 anos como uma das iniciativas mais relevantes já desenvolvidas na medicina intensiva. Ele se consolidou como o maior banco de dados epidemiológicos de leitos de UTI do mundo, permitindo pesquisa, produção de conhecimento e benchmarking em larga escala. Graças a esse patrimônio de informações, tornou-se possível realizar diagnósticos mais precisos sobre a realidade da assistência em nossas UTIs, identificar pontos críticos de intervenção e, sobretudo, otimizar qualidade e segurança no cuidado ao paciente grave. Trata-se, portanto, de um marco que reafirma a importância da ciência e dos dados como base para transformar a prática e salvar vidas.”

O Programa UTIs Brasileiras, criado em 2015, reúne informações valiosas sobre taxas de ocupação, número de leitos, desfechos clínicos e evolução na recuperação de pacientes, permitindo uma visão clara da medicina intensiva no país. Essa clareza nos dados possibilita que poder público, instituições e profissionais de saúde tomem decisões mais rápidas e assertivas, sempre com foco na vida.

Os números de 2025

Atualmente, o Programa UTIs Brasileiras alcança:

  • 796 hospitais participantes
  • 1.808 UTIs monitoradas
  • 26.462 leitos cadastrados
  • Mais de 8 milhões de pacientes acompanhados desde sua criação

Esses números refletem não apenas a abrangência do projeto, mas também sua importância para o fortalecimento da medicina intensiva no Brasil.

O Dr. Marcio Soares, Vice-Presidente de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos da Epimed, destacou o orgulho da parceria:

“Os 10 anos do Projeto UTIs Brasileiras é uma parceria entre a Epimed e a AMIB para construir o que é hoje o maior registro de terapia intensiva do mundo. São cerca de 50% do parque de leitos de UTI do país e o Brasil é o terceiro em número de leitos de terapia intensiva do mundo. Esse é um projeto que, falando em nome da Epimed e também como intensivista, nos deixa extremamente orgulhosos e felizes de poder participar.”

Impacto direto na saúde

Durante a pandemia de Covid-19, a base de dados do Programa UTIs Brasileiras foi essencial para nortear as recomendações da AMIB ao Ministério da Saúde, auxiliando na definição de políticas públicas que ajudaram a salvar dezenas de milhares de vidas.

Além disso, todos os anos centenas de UTIs participam desse esforço coletivo para salvar mais vidas e melhorar continuamente seus resultados. As unidades que se destacam recebem selos de excelência — UTI Top Performer e UTI Eficiente —, distinções que avaliam critérios como mortalidade ajustada e uso responsável de recursos. Em 2025, mais de 300 hospitais receberam esse reconhecimento, um verdadeiro testemunho da dedicação das equipes que transformam dados em cuidado.

O Dr. Ederlon Rezende, Presidente do Conselho Consultivo da AMIB, ressaltou o legado do programa:

“A cada ano que passa o simpósio UTIs Brasileiras ganha mais corpo. Neste ano em que comemoramos uma década do programa, sinto-me orgulhoso de ver quanto conhecimento e informações foram produzidos. Dados transformados em evidências guiam qualidade, políticas públicas e a prática da medicina intensiva no Brasil.” Ainda sobre o legado do programa, a médica intensivista pediátrica e Presidente da SOTIERJ , Fernanda Lima Setta, complementa: “Para nós, intensivistas, o Simpósio deixou um legado de pertencimento e de orgulho profissional. Mostrou que, quando produzimos ciência de qualidade a partir de dados condizentes à realidade brasileira, conseguimos não apenas melhorar o cuidado aos nossos pacientes, mas também contribuir para o debate internacional em terapia intensiva”.

Uma década de impacto e esperança

Ao longo de 10 anos, o Programa UTIs Brasileiras mostrou que informação, dedicação e inovação são capazes de redefinir a realidade do cuidado intensivo. Hoje, as UTIs são espaços de acolhimento, recuperação e esperança — lugares onde vidas são transformadas diariamente.

Na visão do futuro presidente da AMIB, Dr. Cristiano Franke, essa robustez de informações é estratégica para os próximos anos:

“A robustez destes dados contribuiu muito para analisar criticamente os desfechos de nossas UTIs e, com análise aprofundada, poder identificar necessidades de ajustes que podem ir desde o nível de uma unidade até uma rede, um município, um estado e uma região.”