Nova gestão da AMIB projeta valorização do intensivista, fortalecimento da especialidade e diálogo com gestores públicos e privados

A nova gestão da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) inicia 2026 com metas claras e estratégicas voltadas para o fortalecimento da terapia intensiva em todas as regiões do Brasil. Entre as prioridades estão a valorização do médico intensivista, a defesa profissional da especialidade, o fortalecimento da formação médica contínua, através do modelo consolidado de residência e especialização com acesso direto, e incentivo à produção científica.

Em um cenário de expansão dos leitos de UTI, mas ainda marcado por desigualdades regionais, que envolve tanto a disponibilização de leitos quanto a fixação de profissionais, a nova diretoria aposta no uso de dados técnicos, na articulação com gestores públicos e privados e na atuação institucional junto aos poderes públicos como caminhos para enfrentar gargalos históricos do setor.

Ao longo da nova gestão, a AMIB pretende ampliar sua representatividade, fortalecer parcerias estratégicas e consolidar seu papel como referência técnica na organização do cuidado ao paciente grave. A sustentabilidade das UTIs, a melhoria da gestão dos recursos e a preparação do sistema de saúde para futuras emergências sanitárias também integram a agenda de prioridades do novo grupo gestor. Na entrevista a seguir, o presidente da AMIB, o médico intensivista Cristiano Franke, detalha os compromissos que vão nortear a atuação da entidade nos próximos anos. Confira!

Quais são as prioridades da nova gestão para a Medicina Intensiva Brasileira?

Cristiano Franke – Estamos muito motivados a fortalecer a defesa profissional, a formação do intensivista, bem como a educação continuada e a pesquisa em medicina intensiva. Faremos esforços concentrados no reconhecimento e na valorização desse profissional, que faz a diferença no cuidado ao paciente grave.

Sabemos que, muitas vezes, é necessário utilizar diferentes ferramentas para deixar clara essa importância para gestores de saúde, gestores hospitalares e para a sociedade como um todo. No cuidado ao paciente grave, seja na atuação diária, na coordenação da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou durante um plantão noturno de fim de semana, com múltiplos pacientes sob sua responsabilidade, o intensivista qualificado faz toda a diferença.

Esse impacto não se restringe apenas ao paciente, mas também se reflete no acolhimento e no cuidado com os familiares, na organização da assistência aos demais pacientes da UTI e do hospital e em todo o sistema de saúde. Teremos um foco importante na ampliação e qualificação da formação do intensivista, por meio do modelo consolidado de residência médica e especialização com acesso direto. É fundamental manter atualizadas as normativas de formação em uma área que passa por mudanças significativas em curtos períodos de tempo.

Além disso, vamos trabalhar intensamente para oferecer informação científica de qualidade em diversos formatos, acessíveis a todos os intensivistas brasileiros, seja por meio de eventos presenciais, congressos, cursos ou atividades online.

Qual a sua avaliação, como atual presidente da AMIB, sobre o atual cenário da terapia intensiva no Brasil, tanto no setor público quanto no privado?

Cristiano Franke – Estamos vivendo um momento de grande expansão dos leitos de UTI no país. O Censo AMIB demonstrou um crescimento de cerca de 50% nos últimos dez anos, e seguimos ampliando esse número. Esse cenário gera uma demanda crescente por profissionais qualificados em todas as regiões do Brasil, ao mesmo tempo em que observamos um aumento proporcional na procura pela especialização em medicina intensiva.

O número de residentes na área cresce ano após ano, fazendo da medicina intensiva uma das especialidades que mais se expandiram recentemente. Da mesma forma, o número de candidatos à prova de título de especialista aumenta a cada edição. Em 2025, superamos a marca expressiva de mil médicos inscritos, com um contingente cada vez maior de novos especialistas ingressando na área.

Quais são os principais gargalos enfrentados pelas UTIs brasileiras?

Cristiano Franke – Entendo que um dos principais gargalos está no financiamento das UTIs, especialmente no setor público, que responde por aproximadamente 50% dos leitos do país e atende cerca de 75% da população brasileira, o que representa aproximadamente 150 milhões de pessoas.

O sistema suplementar concentra os outros 50% dos leitos e atende cerca de 25% da população. Essa distribuição acaba gerando desigualdades importantes no acesso, sobretudo em algumas regiões do país, onde há menor proporção de leitos de UTI e, principalmente, de médicos especialistas. Esses desafios envolvem tanto o financiamento quanto a gestão adequada dos recursos pelas diferentes esferas de governo, refletindo desigualdades regionais e também entre capitais e municípios do interior.

Há projetos em desenvolvimento que poderiam reduzir ou até mesmo sanar esses gargalos?

Cristiano Franke – O primeiro passo é a correta identificação e avaliação desses gargalos. Nesse sentido, a AMIB tem atuado de forma exemplar por meio dos dados do Programa UTIs Brasileiras e do Censo AMIB, que oferecem informações precisas e relevantes para embasar essa discussão. Essas ferramentas nos permitem avançar para os próximos passos, que envolvem articulação institucional e diálogo com gestores públicos e privados, com o objetivo de construir estratégias eficazes para o enfrentamento desses desafios.

Qual deve ser o papel da AMIB no diálogo com gestores públicos e privados?

Cristiano Franke – O papel da AMIB deve ser sempre colaborativo, com o objetivo de unir forças e ações em prol do desenvolvimento e da qualificação da terapia intensiva brasileira. Temos exemplos concretos de parcerias bem-sucedidas com gestores públicos, que resultaram em impactos positivos e duradouros para todo o sistema de saúde.

A AMIB pretende ampliar sua atuação junto ao Ministério da Saúde e ao Congresso Nacional?

Cristiano Franke – A AMIB deve atuar de forma permanente junto ao Ministério da Saúde e ao Parlamento para promover e ampliar o cuidado de excelência ao paciente grave em todo o país. A manutenção e a ampliação dos canais de diálogo construídos em gestões anteriores são fundamentais para alcançar esses objetivos. O fortalecimento de ações nessas esferas, inclusive em articulação com outras entidades representativas da classe médica, é um ponto importante e estratégico na agenda dessa gestão.

A pandemia deixou lições importantes. Hoje, o Brasil está melhor preparado para uma nova emergência sanitária?

Cristiano Franke – Houve uma evolução importante após a pandemia. Atualmente, contamos com mais leitos de UTI em funcionamento, maior disponibilidade de recursos e suprimentos e menor dependência de fornecedores, uma vez que esse número foi ampliado. Ainda assim, há amplo espaço para avançarmos, especialmente no que diz respeito à organização dos gestores do sistema de saúde e das instituições para o planejamento e a gestão da resposta a situações de crise. Outro grande desafio é a disponibilidade de profissionais qualificados nas UTIs, considerando que muitos deixaram ou estão deixando a área em função da estafa e do burnout.

Como valorizar o trabalho realizado pelos médicos intensivistas, que foi crucial inclusive durante a pandemia de Covid-19?

Cristiano Franke – Esse é um tema extremamente relevante. O intensivista tem a habilidade e a capacidade de cuidar integralmente do paciente grave, sempre em conjunto com uma equipe multiprofissional qualificada. É esse profissional que toma decisões em poucos segundos, muitas vezes determinantes para a sobrevivência do paciente. O reconhecimento permanente da importância desse especialista para a qualidade do cuidado na UTI deve ser o caminho, mesmo diante das dificuldades estruturais existentes em algumas regiões do país.

Que mensagem o senhor gostaria de deixar aos intensivistas brasileiros neste início de gestão?

Cristiano Franke – Queremos, primeiramente, escutar os intensivistas e fazer com que eles se sintam pertencentes à nossa sociedade. Uma sociedade que valoriza seu trabalho, apoia seu crescimento profissional e está atenta às dificuldades e aos desafios enfrentados no dia a dia dos plantões. Também estamos comprometidos em oferecer recursos para atualização científica e em fomentar ativamente a produção de conhecimento na área da medicina intensiva.

O que a sociedade brasileira pode esperar da AMIB nos próximos anos?

Cristiano Franke – Para os próximos anos, trabalharemos para construir uma sociedade ainda mais forte, com ampliação do número de associados, representando todas as regiões do país, sempre em parceria com as regionais e valorizando a diversidade. Queremos uma AMIB sustentável, comprometida com a sustentabilidade das UTIs e dos hospitais, e que esteja ao lado dos intensivistas brasileiros em todos os momentos.

AMIB, OPAS e o Sistema Nacional de Transplantes concluem sete módulos presenciais em 2025, totalizando 21 cursos

Entre os meses de setembro e dezembro de 2025, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) promoveu uma importante ação de fortalecimento da rede de transplantes no país, capacitando cerca de 584 profissionais de saúde por meio de cursos presenciais.

A iniciativa foi viabilizada pela parceria da  AMIB com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde (CGSNT/DAET/SAES) e marcou a conclusão de 7 módulos – 21 cursos presenciais realizados nos estados de Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Distrito Federal, Sergipe, Goiás e Rio Grande do Norte.

Ao longo desse período, foram capacitados profissionais nos seguintes cursos:

  • Determinação de Morte Encefálica (CDME): 101 profissionais capacitados
  • Comunicação em Situações Críticas (CSC): 166 profissionais capacitados
  • Gerenciamento no Processo de Doação e Transplante (GPDT): 317 profissionais capacitados

A programação foi cuidadosamente estruturada para atender às principais demandas das equipes de saúde envolvidas no processo de doação e transplante de órgãos e tecidos. Os conteúdos abordaram temas essenciais como diagnóstico médico, comunicação em momentos críticos e gestão dos processos de doação e transplante, pilares fundamentais para o bom funcionamento da rede de transplantes no Brasil.

Para a AMIB, investir na formação continuada das equipes é uma ação estratégica e necessária. O aprimoramento técnico e humano dos profissionais impacta diretamente no aumento das notificações, na efetivação de doadores de órgãos e córneas e, consequentemente, na qualidade de vida das pessoas que aguardam por um transplante.

Dando continuidade a esse compromisso, a expectativa para 2026 é a realização de em média mais 23 módulos e 69 cursos, alcançando outros estados brasileiros e expandindo ainda mais o acesso à capacitação qualificada. Essa expansão reforça o papel da educação permanente como eixo central para o fortalecimento do Sistema Nacional de Transplantes e para a consolidação de uma assistência cada vez mais eficiente, integrada e humanizada.

AMIB publica versão digital da Revista da Gestão 2024–2025

A AMIB acaba de disponibilizar a versão digital da Revista da Gestão 2024–2025, publicação que reúne os principais marcos, conquistas e avanços alcançados ao longo do último biênio da Diretoria Executiva.

Inspirada no propósito que norteou a gestão — somar ciência, pessoas, iniciativas e propósitos — a revista registra o fortalecimento da Medicina Intensiva brasileira em múltiplas frentes: crescimento científico e internacional, expansão da formação e qualificação profissional, avanços em qualidade e segurança assistencial, maior presença institucional, impacto social e valorização da identidade multidisciplinar do intensivista.

Mais do que um balanço institucional, a Revista da Gestão é um testemunho do trabalho coletivo e do compromisso contínuo da AMIB com uma Terapia Intensiva mais forte, integrada, equânime e conectada ao Brasil e ao mundo.

Clique aqui para acessar a versão digital da Revista da Gestão 2024–2025.

AMIB celebra posse da nova Diretoria Executiva 2026/2027

Na noite de 5 de dezembro de 2025, a  Pinacoteca de São Paulo recebeu a cerimônia de posse da Diretoria Executiva para a gestão 2026/2027, um evento repleto de emoção, reconhecimento e reafirmação do compromisso da entidade com o fortalecimento da Terapia Intensiva no Brasil.

Sob os olhares atentos de intensivistas de diferentes regiões do país, autoridades do setor de saúde, representantes de outras sociedades médicas, colaboradores e parceiros, a AMIB deu as boas-vindas à nova Diretoria Executiva, formada por:

  • Cristiano Franke, Presidente
  • Kathia Harada, Vice-Presidente
  • Leandro de Carvalho, Diretor Secretário-Geral
  • Viviane Veiga, Diretora Científica
  • Zilfran Teixeira, Diretor Financeiro
  • Patrícia Mello, Diretora Presidente Passada
  • Flavia Machado, Diretora Presidente Futura

A cerimônia também foi marcada por homenagens à gestão 2024/2025, reconhecida pelo importante legado deixado à entidade. Os membros da diretoria que se despede foram celebrados pelos avanços implementados ao longo dos últimos dois anos:

  • Patrícia Mello, Presidente
  • Nilzete Bresolin, Vice-Presidente
  • Ricardo Goulart, Diretor Secretário-Geral
  • Flavio Nacul, Diretor Científico
  • Luana Tannous, Diretora Tesoureira
  • Marcelo Maia, Diretor Presidente Passado
  • Cristiano Franke, Diretor Presidente Futuro

Entre aplausos e reencontros, a AMIB celebrou não apenas o encerramento de um ciclo, mas o início de uma nova etapa repleta de propósito e renovação.


Discursos marcantes celebram trajetória, propósito e união

Em seu discurso de posse, o novo presidente, Dr. Cristiano Franke, emocionou os presentes ao relembrar sua trajetória na Medicina Intensiva e sua longa relação com a AMIB. Mencionou projetos construídos ao lado da comunidade intensivista, desafios compartilhados e a inspiração recebida de colegas de todo o país. Ele agradeceu à gestão anterior pelo legado sólido e reforçou o compromisso de continuar impulsionando o desenvolvimento e a valorização da Terapia Intensiva brasileira.

A presidente da gestão 2024/2025, Dra. Patrícia Mello, também emocionou o público ao relembrar o propósito que guiou seu mandato.

“Há dois anos, assumimos esta missão com um propósito muito claro: SOMAR.
Somar ciência. Somar pessoas. Somar iniciativas. Somar propósitos.
Somar forças em prol de uma Terapia Intensiva mais forte, mais respeitada, mais equânime e mais conectada — internamente, nacionalmente e internacionalmente.
E foi exatamente isso que fizemos. Juntos.”


Conselho Consultivo: a força da experiência que constrói o futuro

Outro momento de destaque da noite foi a homenagem aos membros do Conselho Consultivo da AMIB, composto por todos os ex-presidentes da Sociedade. Representando a memória institucional e contribuindo ativamente para decisões estratégicas, o grupo foi calorosamente aplaudido:

  • Ederlon Alves de Carvalho Rezende
  • Mariza D’Agostino Dias
  • Idunalvo Diniz Filho
  • Marcos Freitas Knibel
  • José Mário Meira Teles
  • Fernando Suparregui Dias
  • Mirella Cristine de Oliveira
  • Ciro Leite Mendes
  • Suzana Margareth Ajeje Lobo
  • Marcelo de Oliveira Maia

A presença de tantos líderes que construíram a história da AMIB reforçou a solidez da instituição e sua capacidade de se reinventar mantendo viva sua essência: a missão de fortalecer a Medicina Intensiva brasileira.


Um novo ciclo que começa com força, união e propósito

A cerimônia na Pinacoteca marcou mais do que uma transição administrativa — simbolizou a continuidade de um projeto coletivo em defesa da excelência no cuidado intensivo. Com a nova diretoria à frente, a AMIB reafirma sua vocação de liderança, inovação e compromisso com a comunidade intensivista, com a ciência e com os pacientes de todo o país.

A gestão 2026/2027 inicia sua jornada carregando a força da história, o reconhecimento do presente e a responsabilidade de construir o futuro da Terapia Intensiva no Brasil.

AMIB e Fundação Dom Cabral celebram 15 anos da parceria que transformou a gestão em saúde

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) realizou nesta sexta-feira (5) uma cerimônia especial para celebrar os 15 anos de parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), uma das escolas de negócios mais respeitadas da América Latina. Desde o primeiro Planejamento Estratégico conjunto, essa aliança tem exercido papel decisivo na profissionalização da gestão, no fortalecimento da governança, no desenvolvimento de lideranças e na elevação da qualidade da medicina intensiva brasileira.

Para a atual presidente da AMIB, Patrícia Mello, a consolidação dessa parceria foi um divisor de águas para a gestão da entidade. “Celebrar 15 anos ao lado da Fundação Dom Cabral significa reconhecer uma das decisões mais importantes da nossa história. Essa parceria foi decisiva para profissionalizar a gestão, expandir nossas iniciativas e preparar a sociedade para desafios crescentes”, destacou.

Desde as primeiras ações, como os cursos de Gestão em Saúde realizados em 2011 e 2012, até os ciclos atualizados de planejamento estratégico e monitorias frequentes, estima-se que cerca de 500 participações de intensivistas e dirigentes tenham ocorrido em atividades conjuntas AMIB–FDC ao longo dessa década e meia.

Segundo Patrícia Mello, a medicina intensiva exige liderança, processos bem definidos e decisões rápidas e embasadas. “Gestão qualificada salva vidas, e essa parceria contribui diretamente para a qualidade das UTIs brasileiras. Além disso, dobramos o número de associados, fortalecemos nossa presença nacional e internacional e estruturamos uma gestão orientada por dados.”

O encontro comemorativo ocorreu na sede da FDC, em São Paulo, e reuniu a Diretoria Ampliada da AMIB. A programação incluiu duas sessões conduzidas pelos professores Luís Fernando Vieira Joaquim e Luna Gutiérres, com foco em Inovação na Gestão e Comunicação em Saúde.

Na abertura, Luís Joaquim, head de Saúde da Deloitte, usou sua experiência em consultoria para grandes players do setor para conectar cenários macroeconômicos, movimentos de mercado e transformações tecnológicas às decisões de carreira, gestão e posicionamento institucional dos intensivistas e da AMIB. A mensagem de encerramento foi um convite à ação estratégica: diante de um setor em rápida transformação, ou se “senta à mesa” para influenciar o jogo, ou se torna “menu” das decisões de outros atores. Para a parceria AMIB/FDC, o encontro reforçou exatamente esse propósito: oferecer espaço estruturado de reflexão e formação executiva para que líderes da medicina intensiva consigam definir “where to play” e “how to win” nos próximos anos, articulando decisões de curto prazo (5 dias, 5 semanas, 5 meses) com uma visão de futuro para 2030–2040.

Surgimento da parceria

Também esteve presente o presidente do Conselho Consultivo da AMIB, Ederlon Rezende, que relembrou como a parceria surgiu de uma necessidade clara.

“A AMIB precisava crescer, mas para isso era fundamental profissionalizar a gestão. Como médicos, percebemos que precisávamos buscar conhecimento e adotar ferramentas modernas para estruturar a associação. A Fundação Dom Cabral teve papel decisivo nessa jornada, tanto na formação de lideranças quanto na implementação de processos que conduziram o crescimento da entidade.”

Ederlon recorda que o primeiro Planejamento Estratégico foi realizado em 2011, em duas etapas, reunindo diretores, presidentes de regionais, comitês científicos e convidados. Desde então, reuniões de acompanhamento passaram a ocorrer de forma mensal e, depois, bimestral, criando um ciclo contínuo de planejamento, avaliação e ajustes.

Excelência – Com o apoio do Programa Parceiros para Excelência da Fundação Dom Cabral (PAEX), a AMIB ampliou suas fontes de receita, estabilizou suas finanças e expandiu seus projetos educacionais, científicos e estratégicos. A parceria permitiu a profissionalização da gestão, a implementação de um modelo estruturado de governança e a revisão de processos internos, com monitoramento contínuo de indicadores de desempenho.

Também fortaleceu a integração entre a AMIB nacional e suas regionais, estimulando iniciativas como o Fórum de Regionais de 2018, além de impulsionar a Educação Continuada, que mantém salas de aula permanentemente ocupadas na sede da Associação.

Ao longo dessa trajetória, a AMIB viu crescer o número de intensivistas formados anualmente, ampliou seus comitês científicos e consolidou sua relevância. As edições do Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva (CBMI) também se tornaram mais robustas e abrangentes, evoluções que contribuiram diretamente para a melhoria da qualidade das UTIs brasileiras.

Próximos 15 anos 

Para o futuro presidente da AMIB, Cristiano Franke, a continuidade da parceria é fundamental para enfrentar os desafios da próxima década. “Essa parceria nos dá segurança e direcionamento para tomar decisões difíceis e conduzir a sociedade por caminhos de crescimento. O planejamento estratégico desenvolvido com a FDC orienta nossas prioridades, como expansão do número de sócios, fortalecimento das regionais e melhoria das entregas ao intensivista em todo o país. A Fundação Dom Cabral oferece robustez e qualificação para estarmos preparados diante dos desafios previsíveis e imprevisíveis que a medicina intensiva nos impõe.”

AMIB apoia nota oficial da AMB contra práticas irregulares na certificação de especialistas

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) apoia e reforça a Nota Oficial emitida pela Associação Médica Brasileira (AMB), que alerta para uma grave ameaça ao sistema de certificação de especialistas no país.
Segundo a AMB, uma entidade autodenominada “Ordem Médica Brasileira” tem se apresentado como alternativa para conceder “títulos de especialista” sem respaldo técnico, jurídico ou reconhecimento oficial — o que representa risco à segurança dos pacientes e à credibilidade da medicina brasileira.
A AMIB lembra que a certificação médica no Brasil segue critérios rigorosos, definidos em lei e conduzidos pela CNRM e pela AMB, em parceria com as Sociedades de Especialidade, garantindo que apenas médicos devidamente formados, avaliados e certificados possam se apresentar como especialistas.
A AMIB repudia qualquer prática irregular e se une à AMB na defesa da ética, da formação legítima e da qualidade da assistência médica no Brasil.
Confira a nota oficial completa AQUI. Também disponível no perfil da @amb_oficial aqui no Instagram

AMIB lança campanha “Orgulho de Ser Intensivista 2025” e destaca crescimento histórico da especialidade

Com o tema “Intensivista: ASSUME PARA SOMAR!”, campanha celebra o protagonismo do médico intensivista e será exibida na Times Square, em NY 

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) lança a 16ª edição da campanha Orgulho de Ser Intensivista, com o tema “Intensivista: assume pra somar!”, exaltando o papel do médico que atua nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A iniciativa também celebra o crescimento histórico da especialidade e a força de um profissional que une preparo, conhecimento, experiência e liderança para o cuidado de pacientes graves em seus momentos decisivos. 

Com linguagem inspiradora, o vídeo da campanha reforça que “Na medicina, cada especialidade tem seu momento. Mas, na terapia intensiva, é preciso somar”. O mote traduz o espírito colaborativo e tecnológico da medicina intensiva moderna. Nas UTIs, o intensivista é o elo que conecta especialidades, lidera equipes e toma decisões baseadas em evidências, combinando precisão técnica e sensibilidade humana.  

Segundo pesquisas científicas, unidades com equipes multidisciplinares coordenadas por intensivistas apresentam melhores resultados clínicos e uso mais eficiente dos recursos, demonstrando o impacto direto dessa soma de esforços em prol da vida. Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, a atuação do intensivista a frente dos cuidados foi decisiva, melhorando as chances de sobrevivência de pacientes graves.  

Neste ano, a mensagem da campanha também ultrapassará as fronteiras: no Dia do Médico Intensivista (10 de novembro), um teaser da campanha será exibido nos telões de uma das avenidas mais famosas do mundo, a Times Square, em Nova Iorque. 

CONFIRA O VÍDEO NA ÍNTEGRA 

ESPECIALIDADE EM ASCENSÃO – De acordo com a Demografia Médica no Brasil 2025, estudo conduzido pela Associação Médica Brasileira (AMB), a medicina intensiva foi a especialidade médica com maior crescimento proporcional no País, registrando um aumento de 242,7% no número de residentes entre 2018 e 2024. No total, a especialidade alcançou 1.602 médicos residentes em 2024, sendo 610 no primeiro ano de formação. 

O avanço nas residências também é reflexo de uma tendência que vem se consolidando há mais de uma década. Entre 2011 e 2023, o número de médicos especialistas em medicina intensiva cresceu 228%, totalizando mais de 10 mil profissionais registrados. 

Para a presidente da AMIB, Patrícia Mello, os números refletem o impacto da especialidade e o propósito dos novos profissionais. “A tecnologia representa instrumento valioso na assistência à saúde de pacientes graves, mas não substitui o cuidado humano, especialmente dentro de uma UTI.  Esse cuidado humano agrega a multiprofissionalidade e a colaboração entre especialidades e é este capital humano que representa o pilar central da qualidade e segurança dessa assistência”. E a campanha desse ano aborda essa soma de esforços e de competências em prol da vida, que tanto nos orgulha”, comenta.  

“A escolha da medicina intensiva como especialidade exige vocação e propósito. Esses profissionais se caracterizam pela vocação para o trabalho em equipe, pela busca contínua do rigor técnico e pela vontade de fazer diferença no cuidado de pacientes graves”, acrescenta a presidente da AMIB. 

EXIBIÇÃO NA TIMES SQUARE
A AMIB também levou sua mensagem aos intensivistas para as telas de Nova York, em uma ação inédita que reforça a força da nossa especialidade no cenário mundial.

No coração de Manhattan, exibimos um vídeo especial do “Orgulho de Ser Intensivista” em inglês, especialmente preparado para o público internacional.

Aqui, compartilhamos uma versão em português, narrada pelo Dr. Elias Knobel, referência do Hospital Israelita Albert Einstein — para que todos possam sentir a emoção e o propósito dessa campanha.

Neste 10 de novembro de 2025, o “Orgulho de Ser Intensivista” ultrapassou fronteiras e mostrou ao mundo o valor de quem dedica a vida a cuidar de outras vidas. CONFIRA ESSA AÇÃO

Após 30 anos, método mundial para avaliar pacientes graves é atualizado — e chega ao Brasil no CBMI 2025

SOFA 2.0 é utilizado para avaliar e quantificar condições clínicas do paciente em UTIs

Um dos instrumentos mais utilizados no mundo para avaliar a gravidade e a disfunção orgânica em pacientes críticos acaba de ganhar uma atualização histórica. O SOFA 2.0, nova versão do Sequential Organ Failure Assessment, foi publicado em 29 de outubro no Journal of the American Medical Association (JAMA), marcando a primeira revisão do escore em mais de três décadas.
O novo modelo preserva a filosofia do escore original, amplamente utilizado em UTIs e pesquisas clínicas, mas incorpora critérios revisados, maior aplicabilidade global e padronização internacional — respondendo à necessidade de atualização após anos de adaptações locais e centenas de versões não padronizadas.
Na prática, o SOFA 2.0 traz uma forma mais precisa e atual de identificar, graduar e monitorar falências orgânicas, permitindo o acompanhamento diário mais consistente de pacientes graves e a detecção precoce de disfunções.
Apresentado oficialmente no congresso europeu ESICM 2025, o estudo chega agora ao Brasil e será discutido pela primeira vez no Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva (CBMI), que acontece em Curitiba entre os dias 6 e 8 de novembro, reunindo especialistas de todo o país para debater os impactos clínicos e científicos dessa atualização.
“O SOFA é uma das ferramentas mais importantes da medicina intensiva. Sua revisão traz uma padronização há muito esperada, que certamente influenciará a prática assistencial e a pesquisa no mundo todo”, destaca o médico intensivista, Dr. Jorge Salluh, um dos autores do estudo.
Leia o estudo completo aqui: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2840822

AMIB participa de sessão especial no Senado em homenagem ao Dia do Médico

O Senado Federal realizou, no dia 14 de outubro de 2025, uma sessão especial em homenagem ao Dia do Médico (celebrado em todo país no dia 18 de outubro), destacando o papel fundamental desses profissionais para a saúde da população brasileira.

A homenagem foi proposta pelo senador Dr. Hiran (PP–RR) e reuniu representantes de diversas entidades médicas nacionais. A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) foi representada pelos Doutores Cristiano Franke e Marcelo Maia, que participaram da solenidade em nome da entidade.

Durante o evento, o Dr. Cristiano Franke destacou a importância do momento para a categoria:

“Esta é uma sessão muito importante, com a presença de vários representantes das nossas entidades médicas, discutindo questões fundamentais do nosso dia a dia e as dificuldades enfrentadas pelos profissionais em todo o país. Estamos aqui representando a nossa sociedade e todos os médicos intensivistas do Brasil”, afirmou.

O Dr. Marcelo Maia, presidente passado da AMIB, reforçou o compromisso da entidade com a valorização da medicina intensiva:

“Nós, médicos, passamos por muitos momentos difíceis, e a valorização da profissão é essencial. Como intensivistas, essa valorização é ainda mais importante. Estamos aqui para prestigiar este evento e reafirmar que a AMIB é uma sociedade presente, atuante e em defesa dos direitos profissionais de todos os intensivistas”, disse.

Também esteve presente à cerimônia a presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), Dra. Camila Lunardi, reforçando a importância da integração entre as especialidades médicas no fortalecimento do sistema de saúde.

A AMIB parabeniza todos os médicos do Brasil por sua dedicação e compromisso com o cuidado e a vida — valores que movem diariamente o trabalho dos intensivistas em todo o país.

Projeto UTIs Brasileiras destaca caso de excelência no interior do Ceará

Confira entrevista com o médico Vicente Castro, que está à frente da UTI do Hospital e Maternidade Madalena Nunes, em Tinguá, e recebeu a premiação

O Hospital e Maternidade Madalena Nunes (São Camilo), em Tianguá, município cearense a 330 quilômetros da capital, Fortaleza, escreve um novo capítulo na medicina intensiva brasileira. A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foi premiada com o selo Top Performer, certificação concedida pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e pela Epimed Solutions a UTIs que se destacam pela alta eficiência e qualidade no cuidado aos pacientes. 

À frente dessa unidade inspiradora está o médico Vicente Castro, um dos primeiros intensivistas formados no estado do Piauí, e que acredita que “gente bem formada, com empatia e vontade de fazer o melhor tem o poder de transformar”. Para ele, o maior mito a ser derrubado é o de que uma UTI pública não pode ser boa. “É possível, sim, ter UTIs de qualidade no SUS, realizar trabalhos consistentes e oferecer novas chances de vida a milhares de pessoas — milhares de Josés, Marias, Antônios e tantos outros que passam por nós”, afirma.

“Testemunhar a conquista de uma UTI pública que se destacou pela excelência na gestão e nos resultados é motivo de grande orgulho, ainda mais por estar sob a coordenação do doutor Vicente, primeiro residente de Medicina Intensiva do estado do Piauí”, afirma a presidente da AMIB, Patrícia Mello.

Formado pela Universidade Federal do Piauí, Vicente iniciou sua trajetória na residência em Clínica Médica e, posteriormente, foi “recrutado” para a especialização em Medicina Intensiva pela própria dra. Patrícia, então sua preceptora. “São profissionais como ele – e trabalhos como esse – que fazem tudo valer a pena. Parabenizo o doutor Vicente e toda a equipe pelo excelente trabalho realizado”, destacou a presidente da AMIB.

A equipe de comunicação da AMIB entrevistou Vicente Castro e, a seguir, compartilha os principais momentos dessa conversa sobre saúde pública, formação continuada e medicina intensiva. Confira!

AMIB – Como você recebeu a notícia do reconhecimento de sua UTI no Top Performer? Como foi a repercussão entre sua equipe e no hospital?

Vicente Castro – Recebemos com uma certa surpresa, porque estamos tão imersos na rotina do dia a dia que, muitas vezes, não paramos para refletir sobre a qualidade e o impacto do que estamos fazendo. Quando soubemos que estávamos concorrendo, o que, por si só, já é algo muito relevante, veio aquele pensamento: “Poxa, é mesmo?!”.

Acompanhávamos os dados, claro, mas não tínhamos noção de como eram bons, nem de quanto retorno o nosso trabalho estava gerando. E isso, levando em conta que atuamos em uma UTI de hospital público no interior do Ceará, em Tianguá. Por isso, a surpresa foi ainda maior. Paramos para refletir e concluímos que o que estamos fazendo é realmente um bom trabalho.

Começamos então a compartilhar a notícia com a equipe. Afinal, assim como nós, muitos do time, na correria diária, não se dão conta da importância e da dimensão do que estão realizando. Passei a dizer aos técnicos e enfermeiros: “Vocês têm noção da UTI em que trabalham? Ela está concorrendo à maior certificação do programa da AMIB, justamente por conta da qualidade da gestão e dos resultados que temos apresentado”.

A partir desse momento, fomos compreendendo melhor a dimensão do reconhecimento. E quando veio a confirmação de que receberíamos o selo, a felicidade foi imensa. Na verdade, o sentimento predominante foi de gratidão. É um reconhecimento de que estamos no caminho certo. Nós já tínhamos essa consciência internamente, mas ver isso validado por olhares externos é extremamente gratificante.

AMIB – Na gestão pública (neste caso de uma UTI), de que maneira o monitoramento ajuda a fazer mais com menos?

Vicente Castro – O monitoramento nos ajuda porque oferece retorno tanto do ponto de vista técnico, mostrando como os pacientes estão evoluindo, quanto econômico, ao indicar os custos envolvidos. Conseguimos ver se os pacientes estão realmente melhorando, recebendo alta da UTI e, principalmente, alta hospitalar para casa.

Esse acompanhamento também permite avaliar como os recursos estão sendo utilizados, tanto os recursos humanos quanto os materiais, como medicamentos, dispositivos e equipamentos. Assim, conseguimos observar a relação entre o que é investido e os resultados alcançados.

De forma bem direta, percebemos que estamos conseguindo salvar muitas vidas, utilizando bem os recursos, sem desperdício, aproveitando ao máximo aquilo que nos é fornecido. E, mesmo que esse fornecimento nem sempre represente o ideal em volume, conseguimos fazer o suficiente – e, muitas vezes, até mais – com o que temos.

AMIB – O monitoramento mudou a rotina da tomada de decisão da equipe?

Vicente Castro – Sim, mudou no sentido de que, como esse acompanhamento é praticamente em tempo real, os dados são inseridos diariamente e avaliados tanto de forma imediata quanto mensalmente. Isso nos permite ter uma visão clara do que aconteceu naquele período na UTI e pensar em estratégias de melhoria. O monitoramento nos possibilita analisar os dados com profundidade e, com base neles, traçar planos de ação. Ou seja, passamos a tomar decisões com mais embasamento. E o melhor: conseguimos acompanhar os resultados dessas decisões quase em tempo real.

AMIB – Há alguns indicadores que são acompanhamos com mais frequência no dia a dia?

Vicente Castro – Sim. Os indicadores mais comuns, especialmente aqueles que refletem alta performance, estão relacionados aos desfechos — o que chamamos de “desfechos duros”, como a mortalidade. Trabalhamos com a mortalidade ajustada à gravidade do paciente, que é um dos nossos principais indicadores. Também acompanhamos o TURP, que avalia a eficiência no uso dos recursos aplicados aos pacientes.

Além desses, monitoramos a média de permanência na UTI, os índices de infecção, o tempo de ventilação mecânica, entre outros. Todos esses dados são registrados e analisados para que possamos ter um panorama geral da nossa UTI e, a partir disso, traçar estratégias e planos de ação.

AMIB – Como é trabalhar com limitações estruturais ou orçamentárias típicas de uma UTI pública? Quais estratégias você adotou para superá-las?

Vicente Castro – As limitações são muitas, especialmente em uma UTI pública, onde o orçamento é bastante enxuto. Sabemos que o financiamento do SUS é defasado e, no fim das contas, quando os recursos faltam, quem sustenta tudo somos nós: a equipe. Gente capacitada, bem treinada, que consegue extrair o máximo do pouco que temos.

Acredito que o diferencial está justamente nisso. Ter pessoas que, mesmo diante das adversidades, conseguem entregar o melhor. E é isso que sempre reforço com os colaboradores da UTI: o resultado é de todos.

Costumo dizer que, quando faltam recursos, o que sobra é a nossa expertise, nossa sensibilidade, nossa empatia e a disposição de seguir lutando para fazer o melhor. Sem dúvida, esse conhecimento e essa dedicação fazem toda a diferença no dia a dia.

AMIB – Organizar uma UTI no SUS pode ser desafiador por diversos motivos. Do ponto de vista regional, quais os principais desafios enfrentados e como você os enfrenta?

Vicente Castro – Nossa UTI foi a primeira da cidade e também da região. Estamos numa área extensa, que abrange diversos municípios ao redor, e que há muito tempo já merecia uma unidade de terapia intensiva, mas os recursos ainda não haviam chegado. A pandemia acabou sendo um catalisador desse processo. Diante do estado de emergência e calamidade, foi possível captar recursos para sua instalação.

Entramos com nosso conhecimento para estruturar e organizar tudo. Tivemos que treinar a equipe praticamente do zero. Muitos profissionais não tinham experiência prévia com o ambiente de terapia intensiva, nem com o uso de monitores, bombas de infusão, ventiladores, entre outros recursos. Fomos literalmente desenhando, passo a passo, como seria o monitoramento, a rotina e o cuidado.

O principal desafio foi justamente esse, criar tudo do zero. Com o tempo, o cuidado foi amadurecendo, as rotinas foram sendo absorvidas e ajustadas, o que permitiu que alcançássemos o desempenho que temos hoje. Mas tudo foi construído com muito trabalho, de forma minuciosa e gradual. É importante lembrar que, até então, não existia uma UTI na região, e a maioria dos profissionais nunca havia atuado com pacientes críticos. Além disso, a região, como um todo é carente, tanto em número de profissionais quanto em formação voltada especificamente para terapia intensiva.

Hoje, com a UTI já instalada e funcionando, ainda que existam pontos a serem aprimorados, temos uma estrutura amadurecida, com rotinas consolidadas. A equipe atua de forma mais orgânica e fluida. Mas, sem dúvida, a maior dificuldade foi formar pessoas. E isso continua sendo uma missão. Como se trata de um processo contínuo, seguimos treinando, capacitando e integrando novos profissionais nesse cuidado.

AMIB – Muitos acham que UTIs de excelência são exclusivas da rede privada. O que essa conquista mostra sobre o potencial do SUS?

Vicente Castro – A UTI é feita de aparelhos, de equipamentos, de insumos. Mas é feita, principalmente, de gente. Isso mostra que, mesmo em serviços com limitações, como infelizmente ainda é o caso do nosso SUS, é possível realizar um trabalho de qualidade com profissionais bem formados, comprometidos e dispostos a fazer o melhor. É possível fazer muito, mesmo com pouco.

Essa experiência ajuda a quebrar um estigma, tanto por parte da população quanto entre nós mesmos, de que “aqui nunca vamos chegar aos pés de uma UTI de hospital privado”, por não termos os mesmos recursos. Na prática, provamos para nós mesmos, para a população e para a comunidade em geral que, sim, pessoas fazem toda a diferença. Gente bem formada, com empatia e com vontade de entregar o melhor, transforma um serviço.

Talvez até mais do que uma boa estrutura, gente é fundamental, afinal, trabalhamos com pessoas. Claro que estrutura é essencial. Só boa vontade não basta, e só tecnicismo também não resolve tudo. Mas, no fim das contas, o que diferencia muitos serviços públicos de alguns privados é a gestão. E gestão é, acima de tudo, gestão de pessoas.

AMIB – Agora, voltando os olhos para o lado pessoal, o que te inspira na medicina intensiva?

Vicente Castro – Muitos pacientes chegam à UTI por um fio, em estado extremamente grave. Então, presenciar essa virada, essa segunda chance de viver, é algo profundamente inspirador. Dar às pessoas essa possibilidade de continuar, de retomar sua vida, seus planos. Isso é grandioso.

Do ponto de vista técnico, a medicina intensiva também me inspira muito. É uma especialidade direta, com base científica sólida, muito estudo envolvido, protocolos bem definidos. Existe muita ciência por trás, e isso tudo se traduz em resultados concretos, muitas vezes rápidos e visíveis. Essa junção entre técnica, ciência e impacto humano é algo que me move como intensivista. Cada história é única, e ver a recuperação de um paciente é sempre algo especial de se acompanhar.

AMIB – Como você vê o futuro da medicina intensiva no Brasil? O que ainda precisa mudar, e o que não pode ser perdido?

Vicente Castro – O futuro da medicina intensiva no Brasil me parece bastante promissor, especialmente porque estamos sendo mais vistos. E, ao sermos mais vistos, também estamos sendo mais valorizados, o que é fundamental para a especialidade.

É exatamente isso que precisamos continuar fazendo: mostrar o que fazemos. Porque todo mundo sabe o que o cardiologista faz, mas nem sempre sabem o que faz um intensivista, mesmo sendo um trabalho absolutamente essencial. Felizmente, isso tem mudado. As pessoas estão começando a entender melhor o papel do médico intensivista, a importância e a complexidade do nosso trabalho. E isso, para mim, é muito promissor.