AMIB apresenta diagnóstico sobre médicos intensivistas ao CONASS e defende melhores condições de trabalho

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB apresentou ao Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS) dados do Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras. Durante o encontro, em Brasília (DF), na terça-feira (22), foram discutidas medidas voltadas à valorização dos médicos intensivistas e à implementação de melhores condições para o funcionamento das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do país.

O encontro e a apresentação dos dados ao CONASS integram uma série de ações da AMIB voltadas à valorização da Medicina Intensiva. A proposta é ampliar o diálogo com gestores e autoridades e levar o diagnóstico produzido pelo Inquérito a diferentes instâncias responsáveis pela formulação e execução de políticas de saúde. “Com os dados em mãos, fica claro quais os principais desafios e quais ações precisam ser tomadas”, afirmou Cristiano Franke, presidente da Associação.

O secretário-executivo do CONASS, Jurandi Frutuoso, demonstrou disposição para dar continuidade ao diálogo e levar as questões apresentadas pela AMIB aos secretários estaduais de Saúde. “A AMIB é sempre muito bem-vinda para trazer temas dessa importância ao CONASS. Esses dados são importantes porque conseguimos raciocinar sobre eles e trocar ideias com nossos secretários para poder efetivar e resolver essas questões”, afirmou.

Médicos intensivistas – Os dados apresentados mostraram alguns dos problemas que afetam a atuação dos médicos intensivistas e a assistência à população. Conduzido pela AMIB, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Inquérito ouviu 2.338 profissionais em 26 estados e no Distrito Federal.

Dentre outros resultados, os números apontam que 48,5% dos médicos que atuam em UTIs apresentam nível elevado de esgotamento mental e emocional. Também revelam que 46,4% desse grupo relatam baixo grau de satisfação com suas atividades. Ao todo, 79,7% dos entrevistados indicaram necessidade de atenção e cuidado com a saúde emocional.

Para Cristiano Franke, os resultados do estudo mostram a importância de uma atuação conjunta entre entidades médicas, gestores e agentes reguladores. “Apresentamos os principais achados desse trabalho feito em parceria com o CFM. Compartilhamos o perfil dos profissionais que estão atuando, hoje, nas terapias intensivas e discutimos como podemos evoluir no cuidado do paciente grave”, afirmou.

O presidente da AMIB destacou ainda que a qualificação do atendimento nas UTIs passa também pelas condições oferecidas aos profissionais responsáveis pelo cuidado. O Inquérito aponta que médicos com maior grau de especialização apresentam menores níveis de esgotamento e distanciamento afetivo e maior grau de realização pessoal. Ele reiterou que o diagnóstico realizado subsidiará o debate com gestores públicos sobre a realidade da força de trabalho médica nas UTIs, a importância de sua valorização e o aumento de investimentos nas unidades.

Agenda nacional – Para o presidente da Comissão de Ética e Defesa do Exercício Profissional da AMIB, Marcelo Maia, a reunião com o CONASS representa mais um passo importante na construção de uma agenda nacional voltada ao fortalecimento da Terapia Intensiva e à qualificação da assistência ao paciente crítico no Brasil.

“Precisamos transformar informação em planejamento. Não é possível discutir a expansão ou a qualificação dos leitos de terapia intensiva sem discutir, simultaneamente, quem estará à frente desses leitos, com qual formação, em quais condições de trabalho e com quais perspectivas de carreira. A força de trabalho médica é parte indissociável da qualidade e da segurança da assistência ao paciente crítico”, avalia.

Ainda segundo Marcelo Maia, a discussão vai além do dimensionamento numérico de profissionais. “Passa pela formação especializada, valorização do título de especialista e do RQE em Medicina Intensiva, ampliação e fortalecimento dos programas de residência médica, educação continuada, condições adequadas de trabalho, modelos de contratação, saúde ocupacional e estratégias para reduzir as desigualdades regionais na distribuição dos intensivistas”.

Pela AMIB, participaram da reunião: Cristiano Franke (presidente), Ederlon Rezende (presidente do Conselho Consultivo), Marcelo Maia (diretor da Comissão de Ética e Defesa do Exercício Profissional) e Joel Andrade (membro do Comitê de Doação e Transplantes). Pelo CONASS, estavam o médico Jurandi Frutuoso (secretário-executivo) e Haroldo Jorge de Carvalho Pontes (assessor técnico de Gestão do Trabalho, Educação na Saúde, Saúde Indígena e Controle Social).