A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) marcou presença no IV Fórum do Ato Médico, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), realizado em Florianópolis (SC), na quarta-feira (11). O encontro reuniu lideranças médicas, especialistas e representantes de instituições da área da saúde para discutir estratégias voltadas ao fortalecimento da prática médica e à proteção da sociedade diante do exercício irregular da profissão.
Cristiano Franke, presidente da AMIB, que esteve presente no evento, destacou a importância do debate e parabenizou o CFM pela realização do encontro. “O IV Fórum do Ato Médico foi extremamente relevante, uma vez que contou com contribuição de representantes de entidades médicas, gestores, agências de reguladoras e fiscalizadoras, representantes do Judiciário, entre outras instituições”, avaliou. Ele ressaltou ainda que a discussão é fundamental para evitar danos aos pacientes e fortalecer a confiança da população no sistema de saúde.
Durante o encontro, em conversa com diretores do CFM, Franke também chamou atenção para a atuação de profissionais sem formação adequada em unidades de terapia intensiva (UTIs), o que pode comprometer a qualidade da assistência. “Nós, da Associação de Medicina Intensiva, temos grande preocupação com profissionais não qualificados atuando nas UTIs, muitas vezes médicos sem formação adequada para o cuidado do doente grave. As consequências disso podem ser muito sérias para os pacientes”, alertou.
Na oportunidade, ele ressaltou ainda a parceria da Associação com o CFM no debate e construção de soluções para aprimorar a assistência em terapia intensiva no país. “Agradecemos o acolhimento do Conselho Federal de Medicina a essa preocupação e a disposição para trabalharmos juntos na melhoria do atendimento aos doentes graves no Brasil”, disse. De pronto, a coordenadora do Fórum e 2ª vice-presidente do CFM, Rosylane Rocha, se colocou na discussão.
Rosylane ressaltou a preocupação do CFM com a formação do médico. “A residência médica é o padrão-ouro de formação dos especialistas e precisamos valorizar os residentes, garantindo cenários de prática com estrutura adequada para que especialistas em medicina intensiva possam atuar nas UTIs e oferecer a melhor assistência aos pacientes”, afirmou.
Segundo a coordenadora do Fórum, o evento também foi um espaço para avaliar avanços e planejar os próximos passos na defesa do ato médico. Ela destacou que a proteção da população passa necessariamente pela qualificação dos profissionais e pelo fortalecimento da formação médica.
Ao abordar as iniciativas conduzidas pelo CFM na defesa do ato médico, Rosylane destacou o avanço das estratégias da instituição voltadas ao tema. “Desde 2024, quando buscamos desenvolver novas estratégias sobre o tema, os conceitos se tornaram mais claros e as estratégias foram aperfeiçoadas. Portas se abriram e percebemos que a mesma ansiedade que afeta a classe médica encontra eco em outros setores da sociedade brasileira”, afirmou.
IV FÓRUM DO ATO MÉDICO – Promovido pelo CFM, o IV Fórum do Ato Médico teve como tema dessa edição “Segurança, Ética e Justiça na Defesa dos Pacientes” e reuniu especialistas para debater aspectos relacionados ao combate ao exercício ilegal da medicina e ao fortalecimento do chamado Pacto pela Medicina Segura, que reúne diferentes entidades médicas em torno da defesa das prerrogativas profissionais.
A programação incluiu conferências e painéis temáticos que abordaram, entre outros aspectos, o uso de tecnologias na fiscalização do exercício ilegal da medicina, o papel das vigilâncias sanitárias e do Procon no enfrentamento desse tipo de irregularidade, a articulação das entidades médicas junto ao Ministério Público e ao Judiciário e a prevenção e combate aos casos de violência contra médicos e equipes em locais de atendimento.