O Ministério da Saúde acenou com uma possível solução, em curto prazo, para a qualificação dos serviços de terapia intensiva, com melhoria no financiamento, conforme complexidade e resultados das unidades. Durante reunião no Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência (DAHU), o diretor da área, Fernando Figueira, informou que há avanços nas discussões sobre modelos de remuneração baseados em valores e dados.

Segundo ele, a intenção é elaborar, até o fim do ano, uma fórmula que aponte “mecanismos que permitam avaliar cenários e indicadores das UTIs e estabelecer critérios para aprimorar a remuneração das unidades a partir da qualidade do trabalho desenvolvido”. Figueira atribuiu esse avanço ao diálogo que o Governo tem mantido com a Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB, por meio de sua diretoria. “Essa abertura tem trazido bons resultados para o sistema”, acrescentou.

Evolução das UTIs – Na reunião no DAHU, na terça-feira (22), em Brasília (DF), o foco das discussões recaiu sobre a evolução das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no país na perspectiva de sua qualificação, financiamento, estrutura e composição de equipes. Além de qualificar o trabalho realizado, o grupo está preocupado em encontrar formas de ampliar o acesso à assistência nesse nível de complexidade.

Durante a rodada, Ederlon Rezende, presidente do Conselho Consultivo da AMIB, apontou a relevância de que as discussões sejam feitas com base em indicadores e com foco no aperfeiçoamento das unidades. Neste sentido, defendeu que os dados ajudam a fazer o diagnóstico de situação. “Precisamos olhar para as diferentes realidades das UTIs brasileiras e possuir informações que permitam qualificar a assistência e identificar os principais desafios”, afirma.

Diálogo – O presidente da AMIB concordou com essa posição e ressaltou a urgência de soluções que tragam melhorias, em vários aspectos, sempre com foco no cuidado oferecido ao paciente grave. Para Cristiano Franke, o diálogo com o Ministério da Saúde é necessário, pois, permite a construção conjunta de estratégias para qualificar as UTIs e ampliar as condições de atendimento na alta complexidade de forma estruturada.

No mesmo dia, os representantes da AMIB participaram de outros encontros em Brasília. Levaram suas preocupações e propostas para o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS), onde apresentaram resultados do Inquérito sobre a Força de Trabalho nas UTIs, e estiveram no Sistema Nacional de Transplantes (SNT) para falar sobre novos projetos de capacitação na área.

Além de Cristiano Franke e Ederlon Rezende, estavam na comitiva da AMIB o diretor-presidente da Comissão de Ética e Defesa do Exercício Profissional, Marcelo Maia; e o médico intensivista e membro do Comitê de Doação e Transplantes da AMIB, Joel de Andrade.