A atuação da Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB no desenvolvimento da pesquisa científica e na formação de profissionais de saúde foi apresentada durante o LIVES 2026, congresso da European Society of Intensive Care Medicine (ESICM), realizado de 10 a 14 de outubro, em Lisboa, Portugal. Em uma sessão conjunta das duas sociedades médicas, o presidente da AMIB, Cristiano Franke, e a diretora-presidente futura, Flávia Machado, compartilharam experiências brasileiras nas áreas de doação e transplantes de órgãos e pesquisa em Medicina Intensiva.

A participação brasileira destacou iniciativas desenvolvidas pela AMIB ao longo das últimas décadas para fortalecer a produção científica, ampliar a participação das unidades de terapia intensiva em pesquisas e qualificar os profissionais que atuam no atendimento a pacientes críticos.

Cristiano Franke apresentou a experiência da entidade no desenvolvimento de iniciativas educacionais e no apoio ao Sistema Nacional de Transplantes (SNT), destacando uma trajetória de 15 anos de cooperação com o Ministério da Saúde, secretarias de saúde e centrais estaduais de transplantes.

Nesse período, segundo ele, mais de 5 mil profissionais de saúde foram capacitados pela AMIB em atividades relacionadas ao processo de doação e transplantes de órgãos. As ações incluem cursos, atividades on-line, divulgação científica e iniciativas de educação continuada, dirigidas especialmente aos profissionais que atuam nas UTIs.

“Tive a oportunidade de compartilhar a experiência da AMIB em parceria com o SNT e as ações desenvolvidas para contribuir com o crescimento dos transplantes no nosso País. São 15 anos de trabalho conjunto, com atividades educacionais e científicas que ampliam a preparação dos profissionais de saúde para atuar nesse processo”, explicou Franke.

Ele ressaltou que a capacitação das equipes de terapia intensiva contribui para a identificação de potenciais doadores e para a organização dos procedimentos necessários à doação de órgãos, etapas que dependem de profissionais preparados e da articulação entre diferentes serviços de saúde.

Segundo o presidente da AMIB, o trabalho desenvolvido pela entidade busca ampliar as oportunidades de transplante e reduzir as mortes de pacientes que aguardam um órgão. “Queremos que as pessoas saiam da lista de espera porque receberam um órgão e tiveram a possibilidade de melhorar sua saúde e qualidade de vida, e não porque faleceram enquanto aguardavam um transplante”, afirmou.

PESQUISA E QUALIFICAÇÃO – Na sequência, a diretora-presidente futura da AMIB, Flávia Machado, apresentou os desafios da pesquisa em Medicina Intensiva no Brasil e as iniciativas da entidade para criar condições favoráveis ao desenvolvimento de estudos científicos. Entre os temas abordados estiveram as desigualdades regionais, a disponibilidade de leitos de terapia intensiva, a formação dos profissionais que atuam nas UTIs e as dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores brasileiros, como limitações de financiamento, infraestrutura e oportunidades de colaboração internacional.

A especialista destacou a estrutura construída pela AMIB para conectar profissionais, instituições e unidades de terapia intensiva, com o objetivo de ampliar a capacidade nacional de produção científica.

“Tivemos a oportunidade de mostrar todas as condições que a AMIB tem criado ao longo das últimas décadas para que a pesquisa brasileira floresça. Falamos sobre a força das nossas regionais, a participação dos associados, as atividades de treinamento e os projetos que ajudam a organizar e fortalecer a pesquisa no país”, afirmou.

Um dos exemplos citados foi o Programa UTIs Brasileiras, iniciativa que reúne informações sobre unidades de terapia intensiva e apoia ações voltadas à qualidade assistencial. Segundo Flávia, aproximadamente metade dos leitos de UTI do país está vinculada a unidades participantes do programa. A apresentação também destacou a certificação das UTIs como instrumento de reconhecimento da qualidade dos serviços.

“A comunidade de terapia intensiva brasileira tem conseguido produzir ciência de alta qualidade, e a AMIB contribui para isso ao conectar pessoas, instituições e oportunidades de pesquisa”, destacou. Flávia também defendeu a necessidade de transformar as redes de colaboração existentes em uma estrutura nacional permanente de pesquisa, capaz de ampliar a participação de diferentes regiões e garantir continuidade aos projetos científicos.

A sessão conjunta também contou com apresentações de Pedro Póvoa, de Portugal, sobre iniciativas e oportunidades de formação em Medicina Intensiva, e Marlies Ostermann, do Reino Unido, que abordou a doação de órgãos e o apoio às famílias. Os debates foram moderados pelos brasileiros Patricia Rocco, ex-presidente da AMIBNet, e Adriano José Pereira, médico intensivista do Hospital Israelita Albert Einstein.