Meta prevista para novembro foi superada quatro meses antes do encerramento do projeto realizado em parceria com a OPAS

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB já capacitou 2.107 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos entre 2025 e julho de 2026. A marca foi alcançada quatro meses antes do encerramento do projeto, previsto para novembro, e supera a meta inicial de 2 mil profissionais.

A capacitação é realizada em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), no âmbito do Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos para Transplantes (PRODOT), do Ministério da Saúde. Desde o início do acordo de cooperação, em setembro de 2025, foram realizados 69 cursos, distribuídos em 23 módulos, com atividades em 23 estados brasileiros.

Entre os profissionais capacitados estão 785 médicos, que participaram de cursos voltados à determinação de morte encefálica, além de 989 enfermeiros, 37 técnicos de enfermagem, 14 farmacêuticos, 110 assistentes sociais e 118 psicólogos, entre outros profissionais.

Na avaliação da AMIB, a qualificação das equipes que atuam nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) contribui para a segurança e a qualidade das diferentes etapas do processo de doação e transplantes de órgãos. O presidente da Associação, Cristiano Franke, destaca o papel desses profissionais na identificação de potenciais doadores, na aplicação do protocolo de morte encefálica, na manutenção clínica do potencial doador e na comunicação com os familiares.

“Atingir mais de 2 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família. Quando as equipes estão preparadas, todo o processo se torna mais seguro, padronizado e confiável, ampliando as condições para que a doação aconteça e um órgão possa chegar a quem espera por um transplante”, avalia Cristiano Franke.

AVANÇO – Para a coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Patrícia Freire, a marca representa um avanço para a política de doação de órgãos no país. “Profissionais qualificados estão mais preparados para identificar potenciais doadores, conduzir adequadamente o diagnóstico de morte encefálica, manter a estabilidade clínica do potencial doador e acolher as famílias com segurança, sensibilidade e respeito, resultando em mais órgãos doados e, consequentemente, na redução das listas de espera”, afirma.

Patrícia Freire também destaca a participação da AMIB no processo. “A reconhecida expertise da Associação, sua capilaridade e a seriedade de sua atuação conferem elevada qualidade técnica às capacitações e contribuem para que o conhecimento alcance profissionais de diferentes regiões do país. Essa parceria fortalece a integração entre a política pública e a prática assistencial, aproximando as diretrizes do Sistema Nacional de Transplantes da realidade cotidiana das unidades de terapia intensiva”, afirma.

MUDANÇAS PRÁTICAS – A médica Ivna Deise da Silva Amanajás, responsável técnica pela UTI do Hospital Oswaldo Cruz, em Macapá (AP), participou da capacitação promovida pela AMIB no estado e relata mudanças na rotina dos serviços a partir da formação.

Segundo ela, a capacitação ajudou os profissionais a compreender melhor a importância do diagnóstico e da notificação de morte encefálica e a reconhecer mais rapidamente casos suspeitos. “Sem o curso, nós estaríamos ainda no zero. A capacitação trouxe uma reestruturação do entendimento e da necessidade de fazer o diagnóstico, a notificação e o registro. A equipe passou a compreender melhor o fluxo e a importância de gerar esses dados. Isso já começou a produzir impacto dentro da UTI”, relata.

De acordo com Ivna, a formação também despertou o interesse dos profissionais por outras ferramentas relacionadas ao atendimento do paciente neurocrítico. Em uma das equipes em que atua, três dos oito médicos participaram também de treinamento em ultrassom Doppler transcraniano.

Outro exemplo vem do Maranhão. Segundo o médico intensivista Hiago Bastos, presidente da Sociedade de Terapia Intensiva do Maranhão, a capacitação trouxe ganhos para diferentes etapas do processo de doação.

“A qualificação dos profissionais de terapia intensiva contribuiu para maior segurança na identificação e manutenção do potencial doador e para a melhor condução do protocolo de morte encefálica, além de aprimorar a comunicação com as famílias e a integração entre as equipes assistenciais e a Central Estadual de Transplantes, dentro do nosso Plano de Aceleração de Transplantes”, afirma.

Ainda de acordo com Hiago, a mudança de cultura, baseada em educação continuada e padronização de condutas, foi um dos pilares para a evolução dos indicadores no estado. “Nos últimos anos, o Maranhão apresentou crescimento expressivo no número de notificações de potenciais doadores, de doadores efetivos e também de transplantes e captação de córneas. Esse resultado demonstra que investir na formação das equipes multiprofissionais se traduz em mais oportunidades de doação e, consequentemente, em mais vidas salvas”, avalia.

CONFIRA IMAGENS DAS TURMAS CAPACITADAS NAS CINCO REGIÕES DO PAÍS: