A Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB, a Sociedade de Terapia Intensiva do Rio Grande do Sul (SOTIRGS) e o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) reuniram-se na última semana para discutir temas estratégicos para a Medicina Intensiva. Entre os assuntos debatidos estiveram a qualificação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), a formação de especialistas e as condições de trabalho dos médicos intensivistas.
O encontro, realizado na sede do SIMERS, integra a agenda institucional da AMIB voltada ao fortalecimento da Medicina Intensiva e da assistência ao paciente crítico. A entidade vem ampliando o diálogo com gestores, autoridades e entidades representativas para defender a valorização dos médicos intensivistas, a qualificação das equipes e o enfrentamento dos impactos da precarização das relações de trabalho nas UTIs. Como parte dessa mobilização, a AMIB também encaminhou ofícios a órgãos públicos e instituições do setor.
Participaram da reunião o presidente da AMIB, Cristiano Franke, a presidente da SOTIRGS, Taiane Vargas, o presidente do SIMERS, Marcelo Matias, além de diretores das três entidades. Durante o encontro, foi destacado o protagonismo histórico do Rio Grande do Sul na Medicina Intensiva brasileira. O estado sediou as primeiras residências médicas da especialidade e permanece como referência nacional na formação de intensivistas.
Apesar dessa tradição, as entidades manifestaram preocupação com a atuação de profissionais sem formação específica em UTIs. “O Rio Grande do Sul é referência nacional em Medicina Intensiva, tanto pela tradição na formação de especialistas quanto pela qualidade de seus serviços. No entanto, ainda observamos situações em que profissionais sem a qualificação adequada atuam no cuidado de pacientes graves, o que exige atenção”, afirmou Cristiano Franke.
Outro tema debatido foi a crescente precarização das relações de trabalho, especialmente nos modelos de contratação como pessoa jurídica (PJ). “Precisamos de equipes qualificadas e de vínculos de trabalho que ofereçam estabilidade, valorização profissional e condições adequadas para que o intensivista exerça seu papel com segurança”, ressaltou o presidente da AMIB.
Para Taiane Vargas, a atuação conjunta entre as entidades é fundamental para preservar a qualidade da especialidade. “O Rio Grande do Sul tem uma história pioneira na formação de médicos intensivistas. As duas primeiras residências em Medicina Intensiva do Brasil nasceram em Porto Alegre. Nosso compromisso é seguir defendendo os intensivistas e a qualidade da assistência prestada à população.”
Marcelo Matias também destacou o compromisso do SIMERS com a valorização dos especialistas. “O nosso compromisso é defender os médicos intensivistas por melhores condições de trabalho, remuneração justa e contratos mais adequados. Valorizar esses profissionais também é defender a saúde da população.”
Próximos passos – Como desdobramento da reunião, AMIB, SOTIRGS e SIMERS planejam realizar, no segundo semestre, um evento presencial voltado aos médicos intensivistas para discutir relações de trabalho, contratação como pessoa jurídica e aspectos éticos, legais e fiscais da atividade médica.