Na última sexta-feira, 19 de junho, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB participou de webinar organizado pelo Ministério da Saúde. O encontro online marcou o início da fase de implementação do projeto de UTIs Inteligentes, comandado pelo Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e Urgência (DAHU/MS), em seis hospitais da rede pública (Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Manaus e Brasília) previamente selecionados.

O diretor do DAHU, o médico Fernando Figueira, destacou a importância do projeto para a melhora da assistência e enalteceu a contribuição dos parceiros, incluindo o papel fundamental e estratégico da AMIB no que tange às questões técnicas e científicas que norteiam o seu desenvolvimento, com foco na governança clínica e na qualificação da assistência ao paciente crítico. Ele frisou ainda a relevância e urgência conferidas pelo Governo Federal à implementação e ampliação do número de leitos conforme o cronograma estabelecido.

A atividade contou também com a presença da professora Ludhmila Hajjar, coordenadora do projeto, que apresentou as diretrizes e objetivos a serem alcançados no curto, médio e longo prazos. Ela apresentou também o futuro Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), que será o hub central de monitoramento da rede de UTIs Inteligentes do Brasil. O ITMI será erguido no Complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP).

A plataforma tecnológica que vai permitir as UTIs Inteligentes operarem é a Integrare. As funcionalidades foram apresentadas aos participantes do webinar pelos representantes do Núcleo de Tecnologias Estratégicas em Saúde (NUTES) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). A Integrare foi construída a partir de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) que, dessa forma, transferiu a tecnologia (e os direitos) ao NUTES. Trata-se, portanto, de uma ferramenta pública já registrada junto à Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa).

O evento alinhou expectativas e esclareceu dúvidas de todos os envolvidos antes que a implementação comece a acontecer, de fato. As visitas oficiais aos hospitais-piloto estão previstas para acontecer a partir desta semana, mais precisamente do dia 25 de junho em diante.

O presidente da AMIB, Cristiano Franke, compartilhou durante a audiência a satisfação da Associação em participar de um projeto feito para qualificar as UTIs públicas brasileiras. “O Programa UTIs Inteligentes vai contribuir para a construção de um banco de dados, que permitirá identificar onde o desempenho é bom e onde é necessário intervir para melhorar, sempre com base em informações e com foco na qualificação da assistência”, explicou.

Em nome da AMIB, ele informou que a Associação estará sempre ao lado de projetos de qualificação das UTIs que buscam o melhor cuidado para o doente grave, assim como ocorre há 10 anos com o programa UTIS Brasileiras, iniciativa desenvolvida pela AMIB em parceria com a Epimed Solutions. “A partir da experiência com o programa UTIs Brasileiras podemos dizer, com toda certeza, o monitoramento é indispensável para mapear com precisão os leitos de UTIs. O monitoramento contínuo permite reunir informações sobre taxas de ocupação, número de leitos, desfechos clínicos e evolução na recuperação de pacientes”, comenta.

UTIs Brasileiras – Desenvolvido dede 2015, o programa é reconhecido como o maior banco de dados epidemiológicos de leitos de UTIs do mundo e tem por objetivo reconhecer as unidades de terapia intensiva que alcançam melhores resultados assistenciais, além de estimular a melhoria contínua da qualidade da terapia intensiva no país.  Todo ano, após análise do monitoramento das UTIs, que aderiram ao programa, a AMIB certifica as unidades que demonstraram excelência em desempenho e qualidade no atendimento a pacientes críticos.

Por exemplo, em 2025, cerca de 800 hospitais, responsáveis por aproximadamente 25 mil leitos de UTI no país, foram monitorados pelo programa UTIs Brasileiras. Desses, 630 atenderam aos critérios técnicos da avaliação e 332 alcançaram os melhores resultados, recebendo certificações de desempenho clínico e eficiência no cuidado a pacientes críticos.