A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) participou, em São Paulo, da 2ª Reunião Aberta de Especialistas sobre a revisão da Declaração de Taipei, promovida pela World Medical Association (WMA). O encontro, realizado na sede da Associação Paulista de Medicina (APM) e organizado pela Associação Médica Brasileira (AMB), reuniu especialistas de diferentes países para discutir os desafios éticos e regulatórios relacionados ao uso de dados de saúde e biobancos.
O presidente da AMIB, Cristiano Franke, e a médica intensivista Suzana Lobo, que presidiu a associação na gestão 2020–2021, participaram das discussões sobre o tema. Os representantes da AMIB no evento observam que a declaração, adotada em 2016 pela World Medical Association, foi criada para orientar o uso ético de bancos de dados de saúde e biobancos, complementando os princípios estabelecidos pela Declaração de Helsinque.
Durante a reunião, especialistas destacaram a necessidade de atualizar o documento para acompanhar as transformações tecnológicas e científicas ocorridas nos últimos anos. O avanço dos biobancos, das grandes bases de dados e o uso crescente da inteligência artificial na saúde ampliaram as possibilidades de pesquisa, mas também trouxeram desafios éticos importantes.
Entre os temas discutidos estiveram os modelos de governança de dados, os mecanismos de consentimento para usos futuros das informações e a participação mais ativa dos pacientes nas decisões relacionadas aos seus dados. Também ganharam destaque as discussões sobre o acesso de empresas privadas a bases institucionais e a possível monetização dessas informações, pontos que levantam importantes questões éticas, científicas e de interesse público.
Para a AMIB, acompanhar e contribuir com esse debate internacional sobre ética, pesquisa e governança de dados em saúde, é de extrema importância para garantir que o avanço da ciência ocorra de forma responsável, com respeito aos direitos dos participantes de pesquisa e às boas práticas éticas que orientam a medicina.