No dia 9 de setembro de 2025, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), em parceria com a Epimed Solutions, celebrou os 10 anos do Programa UTIs Brasileiras, a maior base de dados de terapia intensiva do mundo. O evento marcou uma década de conquistas que transformaram a realidade das Unidades de Terapia Intensiva no Brasil.

A transformação das UTIs

Por muito tempo, a UTI foi vista como um fim da linha, um lugar de despedidas. Mas hoje, esse cenário mudou. As UTIs se consolidaram como espaços de cuidado intenso, de acolhimento mais humano e de resultados incríveis.

Segundo a presidente da AMIB, Dra. Patrícia Mello, esse avanço tem muito a ver com a solidez do programa:

“O projeto UTIs Brasileiras completa 10 anos como uma das iniciativas mais relevantes já desenvolvidas na medicina intensiva. Ele se consolidou como o maior banco de dados epidemiológicos de leitos de UTI do mundo, permitindo pesquisa, produção de conhecimento e benchmarking em larga escala. Graças a esse patrimônio de informações, tornou-se possível realizar diagnósticos mais precisos sobre a realidade da assistência em nossas UTIs, identificar pontos críticos de intervenção e, sobretudo, otimizar qualidade e segurança no cuidado ao paciente grave. Trata-se, portanto, de um marco que reafirma a importância da ciência e dos dados como base para transformar a prática e salvar vidas.”

O Programa UTIs Brasileiras, criado em 2015, reúne informações valiosas sobre taxas de ocupação, número de leitos, desfechos clínicos e evolução na recuperação de pacientes, permitindo uma visão clara da medicina intensiva no país. Essa clareza nos dados possibilita que poder público, instituições e profissionais de saúde tomem decisões mais rápidas e assertivas, sempre com foco na vida.

Os números de 2025

Atualmente, o Programa UTIs Brasileiras alcança:

  • 796 hospitais participantes
  • 1.808 UTIs monitoradas
  • 26.462 leitos cadastrados
  • Mais de 8 milhões de pacientes acompanhados desde sua criação

Esses números refletem não apenas a abrangência do projeto, mas também sua importância para o fortalecimento da medicina intensiva no Brasil.

O Dr. Marcio Soares, Vice-Presidente de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos da Epimed, destacou o orgulho da parceria:

“Os 10 anos do Projeto UTIs Brasileiras é uma parceria entre a Epimed e a AMIB para construir o que é hoje o maior registro de terapia intensiva do mundo. São cerca de 50% do parque de leitos de UTI do país e o Brasil é o terceiro em número de leitos de terapia intensiva do mundo. Esse é um projeto que, falando em nome da Epimed e também como intensivista, nos deixa extremamente orgulhosos e felizes de poder participar.”

Impacto direto na saúde

Durante a pandemia de Covid-19, a base de dados do Programa UTIs Brasileiras foi essencial para nortear as recomendações da AMIB ao Ministério da Saúde, auxiliando na definição de políticas públicas que ajudaram a salvar dezenas de milhares de vidas.

Além disso, todos os anos centenas de UTIs participam desse esforço coletivo para salvar mais vidas e melhorar continuamente seus resultados. As unidades que se destacam recebem selos de excelência — UTI Top Performer e UTI Eficiente —, distinções que avaliam critérios como mortalidade ajustada e uso responsável de recursos. Em 2025, mais de 300 hospitais receberam esse reconhecimento, um verdadeiro testemunho da dedicação das equipes que transformam dados em cuidado.

O Dr. Ederlon Rezende, Presidente do Conselho Consultivo da AMIB, ressaltou o legado do programa:

“A cada ano que passa o simpósio UTIs Brasileiras ganha mais corpo. Neste ano em que comemoramos uma década do programa, sinto-me orgulhoso de ver quanto conhecimento e informações foram produzidos. Dados transformados em evidências guiam qualidade, políticas públicas e a prática da medicina intensiva no Brasil.” Ainda sobre o legado do programa, a médica intensivista pediátrica e Presidente da SOTIERJ , Fernanda Lima Setta, complementa: “Para nós, intensivistas, o Simpósio deixou um legado de pertencimento e de orgulho profissional. Mostrou que, quando produzimos ciência de qualidade a partir de dados condizentes à realidade brasileira, conseguimos não apenas melhorar o cuidado aos nossos pacientes, mas também contribuir para o debate internacional em terapia intensiva”.

Uma década de impacto e esperança

Ao longo de 10 anos, o Programa UTIs Brasileiras mostrou que informação, dedicação e inovação são capazes de redefinir a realidade do cuidado intensivo. Hoje, as UTIs são espaços de acolhimento, recuperação e esperança — lugares onde vidas são transformadas diariamente.

Na visão do futuro presidente da AMIB, Dr. Cristiano Franke, essa robustez de informações é estratégica para os próximos anos:

“A robustez destes dados contribuiu muito para analisar criticamente os desfechos de nossas UTIs e, com análise aprofundada, poder identificar necessidades de ajustes que podem ir desde o nível de uma unidade até uma rede, um município, um estado e uma região.”